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Quarta-feira, Julho 28, 2021

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Abrantes | Mulher de Mouriscas confessa que atirou bebé ao rio

“Em lágrimas e com dificuldade em exprimir-se, a mulher de Mouriscas, concelho de Abrantes, que está acusada de ter assassinado o seu próprio bebé, confessou no Tribunal de Santarém que nada fez para salvar o recém-nascido”, relata João Pepino, da Rede Regional, jornalista que acompanhou o julgamento de Liliana na terça-feira no Tribunal de Santarém. Segundo conta, a mulher admitiu que “enrolou o corpo numa toalha, colocou-o dentro de um saco de plástico e dirigiu-se a uma ponte ferroviária entre Alvega e Mouriscas, onde o atirou ao rio”.

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Liliana Leitão está acusada dos crimes de homicídio qualificado e profanação de cadáver pelo Ministério Público (MP), que sustenta ainda que a mulher escondeu a gravidez de toda a gente já com a intenção de tirar a vida à criança que carregava.

Os factos deste julgamento, que começou esta terça-feira, 20 de dezembro, remontam ao final de Fevereiro deste ano, na aldeia do Outeirinho, freguesia de Mouriscas, onde a arguida residia com o marido e outros quatro filhos.

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Numa noite em que se encontrava sozinha, sentiu-se indisposta e foi à casa de banho, tendo expelido o bebé sem estar à espera do nascimento, segundo relatou ao coletivo de juízas, que ficou impressionadas com a frieza do seu relato.

Segundo a Rede Regional, Liliana Leitão, de 36 anos, disse ainda que o recém-nascido nasceu para dentro da sanita, tal como consta do despacho de acusação, tendo de seguida ficado nos seus braços, sem respirar. Ao invés de procurar auxílio, Liliana Leitão contou em tribunal como se vestiu, enrolou o corpo numa toalha, colocou-o dentro de um saco de plástico e se dirigiu a uma ponte ferroviária entre Alvega e Mouriscas, onde o atirou ao rio.

“A senhora tem consciência da gravidade dos seus atos?”, perguntou-lhe durante a audiência a juíza presidente do coletivo, que recebeu como resposta um encolher de ombros, de alguém que, apesar de se dizer arrependida, não conseguiu explicar as razões do crime.

Para o MP, o facto de ter ocultado que estava grávida revela a intenção que teve em não deixar viver o bebé, uma vez que o homicídio foi descoberto quase acidentalmente, relata aquele jornal digital.

Os serviços de saúde do Hospital de Abrantes detetaram a gravidez de Liliana Leitão já com 36 semanas, num episódio em que se deslocou à urgência com dores numa perna.

Como nunca mais tiveram registo do nascimento da criança, contactaram as autoridades.

A Polícia Judiciária de Leiria acabou por descobrir vestígios de sangue, resultantes do parto, na casa de banho e descobriu, semanas depois, o cadáver do bebé.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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