Abrantes | Moção socialista defende nova ponte sobre o Tejo (mas não necessariamente em Abrantes)

A ligação do IC9 à A23 entre Abrantes e Ponte de Sôr inclui a construção de uma nova ponte sobre o rio Tejo. Foto: mediotejo,net

A Assembleia Municipal de Abrantes aprovou por unanimidade, na sexta-feira, 22 de junho, uma moção do Partido Socialista (PS) por uma nova travessia sobre o rio Tejo. O texto provocou, no entanto, alguma celeuma, com Maria do Céu Albuquerque a defender uma nova travessia para a região e não para Abrantes. Considerou mais fácil reivindicar uma ponte se for assumida a dimensão regional.

O Partido Socialista solicitou, na Assembleia Municipal de Abrantes (AM), “a atribuição de caráter prioritário e urgente” à construção de uma nova travessia sobre o Tejo, tendo em atenção “a conclusão do IC9, sob pena de serem colocados em causa a qualidade de vida das populações e investimentos económicos estruturais para a região e para Portugal”. Esta moção foi aprovada por unanimidade na AM e sugere à Câmara Municipal que dê conhecimento da mesma ao ministro do Planeamento e das Infraestruturas e aos grupos parlamentares com assento na Assembleia da República (AR).

A moção surge na sequência da resolução aprovada por unanimidade na AR por uma nova travessia do rio Tejo. “Na nossa região houve municípios que se organizaram nesse sentido falando-se entre Chamusca e Vila Nova da Barquinha. Como é óbvio todos os municípios devem procurar o melhor para si”, afirmou o deputado municipal Jorge Beirão, que apresentou pelo PS a moção em sede de Assembleia Municipal. “A argumentação anteriormente apresentada e esta que apresentamos reforça a necessidade de repensar onde construir essa tal passagem”, acrescentou.

O PS de Abrantes solicitou assim ao Município que “tente por todos os meios junto das entidades competentes para que tenha em conta que estão sediadas no nosso concelho, como a empresa Mitsubishi, com investimentos avultados, tendo em atenção a construção da nova ponte, prevista desde o ano 2000, sendo parte integrante do IC9, e inscrita no Plano Rodoviário Nacional, no âmbito do traçado que se desenvolve entra a Nazaré e Ponte de Sor. E agora a Mitsubishi Fuso, único ponto de fabrico na Europa. A empresa Caima a converter a fábrica de pasta de papel, numa unidade para a produção de pasta solúvel, destinada a produzir viscose, numa aposta na exportação para outros mercados” lê-se na moção.

Jorge Beirão deu conta de ser apontado pelo Bloco de Esquerda que tal ponte iria proceder ao “melhoramento drástico de acessibilidade geral entre regiões com o acesso facilitado a Ponte de Sor, seu aeródromo e respetiva indústria aeronáutica com todas as possibilidades de sinergias e valor para a região do Médio Tejo”.

Vendo como “importante e muito necessária travessia sobre o Tejo” a referência da bancada bloquista foi anexada à moção do PS, defendendo ainda o BE ser “imperiosa a construção do IC9, conforme previsto”.

Continua a bancada socialista considerando ser “de consenso generalizado entre a margem sul do rio Tejo e a autoestrada A23, que sirva para uma eficiente fruição de bens e pessoas, é uma clara limitação ao aumento e à manutenção da competitividade da região. Os constrangimentos que existem hoje ao nível das acessibilidades dificultam a manutenção destes investimentos”.

O PS não se refere “à manutenção nas atuais localizações, mas sim da manutenção em território português”. Diz saber “que, de um dia para o outro, estes grandes grupos tanto estão em Portugal como noutro país qualquer onde as condições possam ser outras”.

Para os socialistas “o interesse das populações e das empresas da região e do País não se encontra salvaguardado: a conclusão do IC9, e de forma mais prioritária, a construção da travessia rodoviária do Tejo, deverá fazer parte dos projetos identificados como prioritários, visto ser determinante para a criação e para a manutenção e desenvolvimento das unidades industriais de toda a região”.

Do lado da bancada do Partido Social Democrata (PSD) a deputada Fernanda Aparício manifestou o voto favorável, aproveitando a oportunidade para lembrar que a presidente atribuiu, em sessão anterior da AM, a inexistência de uma nova ponte às políticas do anterior Governo, e recordou os vários Executivos socialistas desde o ano 2000, relembrando ser Ferreira do Amaral a lançar a ideia da ponte. A deputada considerou o tema de interesse “intermunicipal” e referiu integrar o programa eleitoral do PSD para o Município, a construção de uma nova travessia sobre o rio Tejo.

Já o social democrata João Salvador Fernandes deu conta que a bancada o PSD interpretou a proposta socialista “como sendo uma ponte no concelho de Abrantes” tal como a “maioria” da Assembleia.

Por seu lado, o presidente da União de Freguesias de Abrantes e Alferrarede, o socialista Bruno Tomás, considerou necessário ter um pensamento mais alargado, regional. Referiu ser necessária uma nova travessia sobre o Tejo mas também a reabilitação de algumas existentes. Esclareceu que o PS não defende uma ponte para Abrantes mas sim uma nova travessia independentemente do local.

“O que temos de fazer é algo de estruturante” ou seja uma nova travessia regional, “se é em Abrantes, se é em Constância, mais acima ou mais abaixo”, é irrelevante para o PS.

Assembleia Municipal de Abrantes

Maria do Céu Albuquerque, enquanto presidente da Câmara Municipal de Abrantes e da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo disse não se rever totalmente na moção do PS por não ser “explícito o que estamos a dizer mas implícito que o que estamos a pedir é uma ponte para Abrantes” considerando tal não abonar a favor do concelho, até porque, segundo a autarca, “se continuarmos a reivindicar investimentos na estrita redundância do nosso umbigo não vamos longe. Porque contrariamente ao que é um investimento estruturante para a nossa região vai soar a capricho”.

Defendeu a necessidade de uma nova travessia “para juntar duas margens e criar condições de atratividade e de trabalho para as empresas instaladas, para as pessoas residentes mas também para sermos mais competitivos”. Para Maria do Céu Albuquerque será “mais fácil” reivindicar uma nova travessia se “assumirmos a dimensão regional”.

Deu conta da CIMT ter solicitado uma reunião com o ministro do Planeamento e Infraestruturas, Pedro Marques, com o objetivo de ser explicado que a nova ponte “vai para além da estrita esfera de cada um dos municípios. Temos isto em compromisso”.

Defendendo “novas acessibilidades”, falou “numa corrente” que sugere uma “variante à Estrada Nacional 118” em vez de uma nova ponte sobre o Tejo.

Jorge Beirão pediu novamente a palavra para explicar que a moção, contrariamente à interpretação dos deputados municipais, não defende uma ponte para o concelho de Abrantes “ao contrário de outros municípios que referiram querer a ponte entre Chamusca e Barquinha” considerando ser “um erro” definir localizações, justificando a título de “exemplo” o anteriormente previsto. “Pode ser tal como estava projetado, parte integrante do IC9”, disse.

Não convencida que a moção comunique claramente que o PS não advoga uma nova ponte para Abrantes, a presidente da Câmara sugeriu ser incluída no texto a expressão “independentemente da sua localização” no sentido de salvaguardar o concelho tal como o plano de Constância e outros que não tomaram posição pública em relação a esta matéria, porque “percebem que o que estamos a fazer é superior ao interesse dos munícipes de Abrantes e diz respeito à comissão das vontades de toda a região”.

A moção do PS acabou por ser aprovada por unanimidade, com os eleitos a votar de pé, por indicação do presidente da AM, António Mor, com o compromisso de “um texto melhorado”.

Notícia atualizada

1 COMENTÁRIO

  1. Com notícias destas e posições políticas desta natureza, a confusão está mais uma vez lançada. Mas será que as pessoas já se esqueceram que no Plano Rodoviário Nacional existia o IC3, que foi transformado em A13, só que a ligação entre Almeirim e a Atalaia /Barquinha nunca mais andou, apesar da segurança rodoviária naquele troço, estar em perigo todos os dias, devido aos inúmeros camiões carregados de toneladas de matérias perigosas a caminho dos CIRVERs no Parque do Relvão. E nesse trajecto há (havia de haver) a tal Ponte que nunca foi feita. Não há ninguém que se lembre? Claro que a ponte já devia ter sido feita há anos e será feita, apressadamente, se um dia acontecer um acidente grave dentro de Almeirim, de Alpiarça, de Vale de Cavalos ou da Chamusca. Quando aconteceu a tragédia de Entre-os-rios também não havia dinheiro para recuperar a Ponte Hintze Ribeiro, mas depois apareceu dinheiro para fazerem uma ponte nova e recuperarem a que tinha colapsado.

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