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Quinta-feira, Agosto 5, 2021

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Abrantes | “Migas Carvoeiras”: a receita é do passado mas os sabores continuam presentes (C/FOTOS)

Folclore, migas carvoeiras, Pego. Desta vez foi o Rancho Folclórico da Casa do Povo do Pego, representado por Francisco Vicente e Joaquina Lopes, que ocuparam os lugares de protagonistas da Academia do Mercado em Abrantes. Os dois, em equipa, divulgaram a história e a receita das “Migas Carvoeiras” que fazem parte da gastronomia local da aldeia do Pego. Com a mão na massa, ou melhor, no pão, alho, batatas, toucinho branco, azeite e, claro, o bacalhau e o entrecosto fritos na hora para acompanhar a receita. Desvendaram o caminho, supostamente do Alentejo para o Pego, que as “Migas Carvoeiras” fizeram juntos com os habitantes “da terra”, comida que faziam habitualmente no contexto das carvoarias. 

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As pessoas viviam em um contexto onde não era possível ir as compras todos os dias, por isso era comum utilizar as “batatas, que era uma coisa que se conservava naturalmente, e o pão, que aguentava quase uma semana inteira”. Como “aos fins de semana, e normalmente ao domingo, é que iam as mercearias”, traziam o toucinho branco e o bacalhau salgado, lembbrou Francisco Vicente, na manhã de sábado, dia 28 de maio, no primeiro piso do Mercado Municipal de Abrantes.

O toucinho branco fatiado e os dentes de alhos inteiros e descascados eram submetidos ao azeite quente, que cobria a frigideira antiga utilizada em fogões a carvão chamada sertã. Só então era acrescentado o pão, passado de dias e que se tornara mais rijo, cortado em lascas finas de forma a que se dissolvesse por completo. De seguida as batatas amassadas eram acrescentadas. “Na altura nas carvoarias as pessoas que andavam lá a trabalhar tinham que fazer essas coisas”, explicou “o cozinheiro”.

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Francisco Vicente na “Academia do Mercado”, confeccionando as “Migas Carvoeiras”. Foto: mediotejo.net

Toda a gente estava com o olhar e o olfacto atento para apreciar a gastronomia típica do Pego e, logo que a “sertã” foi à placa de indução, alguém segredou: “já está a cheirar”. Francisco Vicente, ao virar as migas com o balanço da sertã, lembrou que no passado os cozinheiros as viravam atirando-as por cima dos ramos dos sobreiros.

Migas Carvoeiras e os acompanhamentos realizados no Mercado Municipal de Abrantes Foto: mediotejo.net

As idosas da Santa Casa de Misericórdia do Sardoal, juntamente com cidadãos locais e os elementos integrantes do Rancho Folclórico da Casa do Povo do Pego, presenciaram a confecção das migas carvoeiras e também comeram a iguaria, feita na hora. A porção confeccionada serviu mais de 20 pessoas e ainda foi oferecido vinho.

Pratos com porções de Migas Carvoeiras e lascas de bacalhau frito, para acompanhar, com entrecosto à parte e um pouco de vinho. E o cheiro convidativo do pitéu inebriava todo o mercado. A receita foi inventada no passado, mas parece que os paladares continuam a aprovar os saberes e os sabores do presente.

 

Vinicius Alevato, 30 anos, estudante de comunicação, está a aprender a
observar uma região com o olhar atento aos factos. Acredita no
jornalismo de proximidade e na importância de servir as pessoas através
da boa informação.

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