Abrantes | Loja Ponto CTT encerra em Alferrarede por “pouca rentabilidade”

Em 2018, a estação dos CTT de Alferrarede fechou na semana de Páscoa e foi substituída por uma loja privada, na verdade duas, para servir a comunidade local, embora com menor oferta de serviços, designadamente sem venda de papel comercial. Só que, passados dois anos, o Posto de Correios na Avenida Mário Soares também fechou portas, concretamente a 27 de setembro de 2020, por “não ser rentável”.

Dois anos depois, a loja Ponto CTT em Alferrarede encerrou na Avenida Mário Soares, em Abrantes. A decisão, que é “definitiva”, partiu de Luís Agudo, empresário do ramo de seguros que em abril de 2018, após o encerramento da estação dos CTT, abriu uma loja localizada a cerca de 30 metros a norte do edifício onde funcionava a antiga estação em Alferrarede.

Em declarações ao mediotejo.net Luís Agudo confirmou o encerramento a 27 de setembro e justificou com a falta de rentabilidade do negócio.

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“Na época pensei que ficaria com o Posto de Alferrarede, mas foi atribuído à loja Chamaconta por decisão dos CTT, que abriu ao público um mês antes da minha. Pensei ser o único, desconhecia a existência de outra loja quando negociei, mas fiquei com designação Avenida de Alferrarede e não Posto de Correios. Era um negócio pouco rentável, que nasceu torto de princípio!”, afirmou Luís Agudo.

O empresário Luís Agudo na sua loja com posto de CTT

O assunto foi levado à última reunião de Câmara de Abrantes pelo vereador do Bloco de Esquerda, Armindo Silveira, que disse estranhar “o silêncio das forças vivas que se empenharam” há dois anos, no processo, questionando o presidente se tinha conhecimento do encerramento daquele posto dos CTT. Da parte de Manuel Jorge Valamatos (PS) a única resposta foi: “estamos a analisar a situação”.

Armindo Silveira lembrou a “mobilização geral em defesa da continuidade da loja dos CTT na Avenida Mário Soares que incluiu abaixo assinados em todas ou quase todas as freguesias do Concelho e que, ainda que já tenha perguntado pelos mesmos, misteriosamente mais ninguém ouviu falar. Talvez estejam em alguma gaveta que até será o destino lógico mas deveria ser dado essa informação à população”.

Recordou ainda “o empenho da sra. ex-presidente da Câmara e da Junta de Freguesia de Abrantes e Alferrarede que culminou com o encerramento da referida loja mas com a abertura de um posto de Correios uns metros mais ao lado com menos serviços mas do mal o menos. Foi com muita surpresa que tive conhecimento que o referido Posto dos CTT encerrou no passado dia 27 de setembro pois estava muito bem localizado com estacionamento fácil e com um atendimento super profissional como eu próprio pude atestar”, disse.

Por seu lado, Luís Agudo salienta o investimento, a dimensão da loja, o trabalho com “rigor, com o foco no cliente, trabalhar a sério” mas, segundo afirmou ao mediotejo.net, a administração dos CTT disse-lhe que “o posto não lhes interessava”. O que faz da decisão “definitiva” apesar do empresário ter “apontado alternativas” que os CTT declinaram.

Da parte da União de Freguesias de Abrantes e Alferrarede, Bruno Tomás lamenta o encerramento da loja com serviços dos CTT e nota que como presidente da Junta de Freguesia reivindica um serviço postal universal público quer “na distribuição” quer “na tipologia de posto”.

Bruno Tomás, presidente da União de Freguesias de Abrantes e Alferrarede

Bruno Tomás revela ao mediotejo.net que “o descontentamento” da Junta de Freguesia chegou por via oficial à administração dos CTT até porque se “a perda daquele serviço já era difícil numa época normal, em tempos de pandemia, com as regras de segurança que todos temos de cumprir, sendo inverno, mais complicado” se apresenta o encerramento daquele serviço.

O presidente deu conta da Junta de Freguesia ter solicitado “de imediato uma reunião” com a administração dos CTT” no sentido de manifestar a sua “preocupação” designadamente devido ao cenário de pandemia da covid-19, como explicou, e também manifestar “disponibilidade para ajudar naquilo que for necessário”, nomeadamente na procura por parte dos CTT de outro empresário, privado, interessado naquele serviço.

No entanto, Bruno Tomás nota o empenho da loja Chamaconta, detentora do posto de CTT em Alferrarede, na “melhoria do serviço”, inclusivamente implementando “alterações”.

Em janeiro de 2018, os CTT anunciaram o encerramento de 22 lojas em todo o País, entre elas a de Alferrarede, o que surpreendeu habitantes e autarcas pelo movimento e procura de serviços naquela estação, instalada numa zona bastante populosa da cidade.

De acordo com um esclarecimento enviado, na época, às redações, os CTT referiram que o encerramento destas 22 lojas “não coloca em causa o serviço de proximidade às populações e aos clientes, uma vez que existem outros pontos de acesso nas zonas respetivas que dão total garantia na resposta às necessidades face à procura existente”.

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Paula Mourato
A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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