Abrantes | Localização de nova ponte “está perfeitamente definida” – Autarca (C/AUDIO)

O presidente da Câmara de Abrantes congratulou-se com a inclusão do IC9 e da nova ponte sobre o Tejo projetada para a zona de Tramagal no âmbito do Plano Nacional de Investimentos (PNI), tendo Manuel Jorge Valamatos (PS) afirmado que a sua localização está perfeitamente definida no Plano Rodoviário Nacional (PRN), ligando as duas margens do rio entre a zona de Abrançalha e Tramagal.

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“É motivo de grande satisfação porque, como todos sabemos, há muitos anos que estava prevista esta conclusão do IC9, que liga Nazaré a Ponte de Sor e o Médio Tejo ao Alentejo de forma muito prática e funcional”, afirmou o autarca, tendo feito notar que a construção da infraestrutura irá “alavancar e provocar o desenvolvimento” da região. “Isto é extremamente importante e esperamos que possa avançar rapidamente”, notou.

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O Programa Nacional de Investimentos (PNI) 2030, apresentado na quinta-feira pelo governo, prevê a construção de uma ligação rodoviária da A23 ao IC9 e IC13, incluindo uma nova ponte sobre Rio Tejo, a ligar as duas margens algures entre Constância e Abrantes. Já a conclusão do IC3, que previa uma travessia entre Chamusca e Golegã, não surge no PNI. O projeto inscrito em Plano Rodoviário Nacional prevê a nova travessia sobre o Tejo entre Abrançalha (Rio de Moinhos) e Tramagal, ambas localidades do concelho de Abrantes mas, com as necessidades da melhoria de acessibilidades em três áreas geograficamente próximas (Abrantes, Constância e Chamusca), a localização exata de uma nova ponte, a ser construída, ainda não é consensual entre os autarcas.

“Esta ponte sofreu a determinada altura um estudo de impacto ambiental, a sua localização está perfeitamente definida naquilo que é o Plano Rodoviário Nacional”, notou, tendo afirmado acreditar que, apesar de serem “estudos que já levam alguns anos”, os mesmos “serão a base e o suporte daquilo que vai a implementação desta ponte”.

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Traçados previstos para localização da futura travessia sobre o Tejo, na zona de Abrantes. Foto: DR

Manuel Jorge Valamatos reiterou existir um “estudo que define muito bem a sua posição, que entronca com o nó junto a Abrançalha” [passando o rio em direção a Tramagal/junto à reta da pinheira], e que “pode ir um pouco mais para um lado ou para o outro” mas que “o importante é que possa servir as empresas e a região. É uma excelente notícia”, vincou.

O Programa Nacional de Investimentos 2030, apresentado na quinta-feira pelo governo, prevê a construção de uma ligação rodoviária da A23 ao IC9 e IC13, incluindo uma nova ponte sobre Rio Tejo, entre Constância e Abrantes.

O documento, a que o mediotejo.net teve acesso, não especifica se a localização na margem sul será em Tramagal (Abrantes), como os estudos prévios realizados preconizam, ou se poderá ser em Constância, na zona de Santa Margarida, como defende o autarca daquele município, que há muito reivindica também uma nova passagem sobre o rio dadas as limitações da ponte de sentido único que ali existe.

O Plano Nacional de Investimentos 2030 prevê também uma verba para “melhoria das acessibilidades na região do Médio Tejo”.

Manuel Jorge Valamatos, presidente da CM Abrantes, de visita à fábrica da Mitsubishi no Tramagal, lembrando aos governantes a necessidade da futura travessia sobre o Tejo para ligação a A23 e ao futuro IC9. Foto: mediotejo.net

Nos 230 quilómetros de percurso do rio Tejo em Portugal existem atualmente 16 pontes ferroviárias e rodoviárias, e a 17ª travessia é reclamada por Abrantes há cerca de 30 anos. Essa nova travessia está projetada no troço final do Itinerário Complementar 9 (IC9), que ligará a A23 a Ponte de Sor (e ao IC13, até Portalegre), com uma passagem sobre o rio entre Abrançalha e Tramagal.

A primeira ponte rodoviária construída sobre o Tejo foi precisamente a de Abrantes, inaugurada há 150 anos, a 15 de maio de 1870. Todas as travessias na região têm neste momento mais de um século e sofrem diariamente constrangimentos de circulação, o que coloca dificuldades acrescidas às empresas exportadoras que aqui se fixaram, como a Caima, em Constância, e a Mitsubishi Fuso, no Tramagal.

Aliás, a construtura automóvel estabeleceu-se nas antigas instalações da Berliet/Metalúrgica Duarte Ferreira, no concelho de Abrantes, com a promessa do então ministro Ferreira do Amaral (no governo de Cavaco Silva) de que a ponte seria ali construída até final da década de 90. Esta fábrica, hoje propriedade da Daimler-Mercedes, é a única a produzir estes camiões no espaço europeu, e o apelo de ter vias de acesso rápidas quer aos portos marítimos como a Espanha esfumou-se ainda mais com a introdução de portagens na A23.

A ponte já teve luz verde há 20 anos, com um despacho conjunto dos ministérios das Finanças e das Obras Púbicas, publicado em Diário da República, mas acabou por não avançar.

O troço projetado do IC9 prevê a ligação entre a A23, em Abrantes, e a EN 118, em Ponte de Sor, num total de 34 km, com perfil de auto-estrada e quatro faixas de rodagem, com duas em cada sentido. Essa nova ponte sobre o Tejo, entre Abrantes e a zona industrial do Tramagal, terá 475 metros de extensão, de acordo com o estudo prévio, e custaria cerca de 17 milhões de euros, segundo avaliação à data.

Traçado do IC9 de ligação Abrantes a Ponte de Sôr, incluiu uma nova ponte entre Abrançalha e Tramagal, no concelho de Abrantes. Mas há mais necessidades identificadas na região, como seja uma nova travessia na região de Constância e da Chamusca. Foto: Telmo Rodrigues

O IC9, inscrito no Plano Rodoviário Nacional desde 2000, desenvolve-se entre a Nazaré e Ponte de Sor, passando por Alcobaça, Batalha, Fátima, Ourém, Tomar e Abrantes, e fazendo a ligação com o futuro IC13, outra obra estrutural adiada há vários anos, para melhorar as acessibilidades do Alto Alentejo.

Uma outra ponte tem sido também reclamada pelas autarquias de Constância/Vila Nova da Barquinha, pois a estrutura ali existente só permite circulação num sentido de cada vez e continua muito fragilizada, estando frequentemente fechada ao trânsito de pesados, apesar de todas as obras ali realizadas.

Há ainda a Chamusca, que vê a sua velha estrutura metálica ser atravessada diariamente por cerca de mil camiões, sendo metade deles viaturas pesadas de transporte de resíduos, a caminho da Resitejo e do Eco-Parque do Relvão. A autarquia aceitou que ali fossem integrados estes CIRVER – Centros Integrados de Recuperação, Valorização e Eliminação de Resíduos, com a contrapartida de ser concluída a ligação do Itinerário Complementar 3 à Auto-estrada 13, entre Almeirim e Vila Nova da Barquinha – o que não foi cumprido.

Segundo a documentação técnica a que tivemos acesso, a ponte sobre a Chamusca não está incluída neste Plano de Investimentos 2030.

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Mário Rui Fonseca
A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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