Abrantes | Vírus língua azul vitima dezenas de ovelhas sem vacinas (C/VIDEO)

O vírus da língua azul chegou a Abrantes e ao Ribatejo e só os proprietários dos rebanhos de ovelhas deram conta disso. As autoridades não souberam antecipar a chegada do vírus e só em Alvega, Abrantes, Artur Lopes perdeu mais de 70 ovelhas, algumas delas prenhas, de um rebanho global com cerca de 500. O veterinário Adérito Galvão, do Agrupamento de Defesa Sanitário (ADS)  de Abrantes, Constância e Sardoal, disse ao mediotejo.net que esta é uma “situação de calamidade”.

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Segundo o doutor Galvão, dos cerca de 500 proprietários que representa, com mais de 15 mil ovelhas, perto de 50% das cabeças de gado estão contaminadas com o vírus da língua azul por falta atempada de medidas de vacinação. “Há uma disseminação massiva do vírus porque as entidades responsáveis não consideraram que esta fosse uma zona de risco. Representamos cerca de 400 explorações e mais de 50% delas estão já contaminadas”, afirmou. “Só hoje [quarta-feira] e depois do vírus transmitido pelo mosquito ter aqui chegado no início do mês, deram autorização para ir buscar vacinas. Tive de ir a Santarém e trazer logo 30 mil vacinas. Vem um pouco tarde”, lamentou.

O vírus da língua chegou a Abrantes e ao Ribatejo e só os proprietários dos rebanhos de ovelhas deram conta disso. As autoridades não souberam antecipar a chegada do vírus. Foto: Arlindo Marques
O vírus da língua azul chegou a Abrantes e ao Ribatejo e só os proprietários dos rebanhos de ovelhas deram conta disso. As autoridades não souberam antecipar a chegada do vírus. Foto: Arlindo Marques

“As ovelhas estão prenhas, mas não se alimentam com este vírus, ganham febre, babam-se e deixam de comer. Todos os dias morrem ovelhas dos meus rebanhos. Hoje veio mais uma camioneta levar umas dezenas de cabeças para a incineração. Quem me paga ou se responsabiliza por todos estes prejuízos, se nem me deixaram vacinar o gado, quando disseram que o vírus não chegava ao Ribatejo”, questionou um inconsolável Artur Lopes.

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Adérito Galvão, que começou hoje com a sua equipa a vacinar 15 mil ovelhas, lembrou que as vacinas são administradas em duas doses, com três semanas de intervalo. “Só ao fim de um mês se estabelecem as resistências e durante este período ainda podem vir a adoecer”, frisou, tendo observado que “as baixas temperaturas podem ajudar à não propagação do vírus, uma vez que os mosquitos não voam, como tal, deixam de se reproduzir e deixam de picar”.

Contactado pela Lusa, o produtor Artur Lopes, de Alvega, disse que “as ovelhas estão prenhas, mas não se alimentam com o vírus. Ganham febre, babam-se e deixam de comer. Todos os dias morrem ovelhas dos meus rebanhos”, lamentou, tendo contabilizado 70 ovelhas mortas, com um valor médio de mercado de 80 euros.

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“Hoje veio mais uma camioneta levar umas dezenas de cabeças para a incineração. Quem me paga ou se responsabiliza por todos estes prejuízos, se nem me deixaram vacinar o gado, quando disseram que o vírus não chegava ao Ribatejo”, questionou. Foto: Arlindo Marques
“Hoje veio mais uma camioneta levar umas dezenas de cabeças para a incineração. Quem me paga ou se responsabiliza por todos estes prejuízos, se nem me deixaram vacinar o gado, quando disseram que o vírus não chegava ao Ribatejo”, questionou. Foto: Arlindo Marques

Em Projeto de Resolução, a que a agência Lusa teve acesso, o Bloco de Esquerda, através dos deputados Carlos Matias e Pedro Soares, solicitou hoje ao Governo que adote medidas de apoio aos criadores cujos animais foram atingidos pela febre catarral ovina, (vírus da língua azul), no Médio Tejo.

“As consequências do vírus são agravadas pelo facto das fêmeas se encontrarem numa fase crítica do ciclo reprodutivo, mais vulneráveis, agravando as taxas de mortalidade do efetivo de ovinos, pode ler-se, tendo o BE lembrado que, “às despesas com medicamentos e deslocações, somam-se as horas perdidas tentando recuperar animais e a frustração por perder crias, precisamente na época pré-natalícia, em que a sua venda seria potencialmente mais rentável”.

Segundo os deputados, “acresce a este quadro a generalizada incompreensão pela demasiado tardia emissão do edital da DGAV, em 18 de novembro último, só então alargando a área de vacinação obrigatória aos concelhos atingidos no Médio Tejo, já depois de confirmados os primeiros resultados positivos das análises para deteção viral”.

Nesse sentido, o BE propõe que a Assembleia da República recomende ao Governo que “apoie os criadores de ovinos atingidos pelo vírus da língua azul, nos concelhos no Médio Tejo, minimizando os prejuízos materiais que os atingiram e assegurando a continuidade das suas explorações” e que, em situações de ameaça similar, as decisões sobre vacinação sejam tomadas com uma antecedência que minimize ainda mais a propagação do vírus”.

O Ministério da Agricultura, contactado pela Lusa, disse que “todas as explorações de ovinos situadas dentro da zona de restrição [todas as regiões do Alentejo e Algarve e também 3 concelhos de Castelo Branco] acederam a vacinas fornecidas pela DGAV – Direção Geral de Alimentação e Veterinária”, tendo feito notar que as restantes explorações “podiam vacinar voluntariamente, sendo o custo da vacina suportado pelos produtores”.

Na mesma informação pode ler-se que “a DGAV (…) em novembro publicou o edital n.º 42, que estendeu a zona de restrição a outros concelhos de Lisboa e Vale do Tejo e a mais alguns da Beira Interior, incluindo também o concelho de Abrantes” e que as medidas “entraram em vigor à data da publicação dos editais”.

Questionado sobre se prevê que os produtores possam ser ressarcidos pelos prejuízos, o Ministério refere que, “estando em vigor medidas de controlo muito específicas, de aplicação obrigatória, e que são consideradas suficientes para evitar a ocorrência da doença, à partida foram prejudicados os produtores que não as aplicaram, desrespeitando os editais da DGAV”.

Nesse sentido, conclui, “não poderá haver lugar a quaisquer indemnizações”, tendo referido que “a DGAV, enquanto Autoridade Sanitária, tomou as medidas adequadas e informou os produtores”.

C/LUSA

Fotos e vídeo: Arlindo Marques

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