Abrantes | Letras de poema de Fernando Pessoa roubadas da escultura de Santos Lopes em Rossio ao Sul do Tejo

A escultura vandalizada em Rossio ao Sul do Tejo. Créditos: Joaquim Melo dos Santos

Rossio ao Sul do Tejo ficou esta terça-feira mais pobre com o roubo das letras em bronze da escultura mural em mármore do escultor abrantino Santos Lopes. O painel tinha inscrito um excerto do poema de Fernando Pessoa “O Tejo é mais belo”, num espaço ribeirinho marcado também pela arte contemporânea.

As letras em bronze que compunham o excerto do poema de Fernando Pessoa “O Tejo é mais belo” na escultura mural em mármore do escultor Santos Lopes, em Rossio ao Sul do Tejo, foram roubadas “presumivelmente” na madrugada desta terça-feira, confirmou ao mediotejo.net o presidente da União de Freguesias de São Miguel do Rio Torto e Rossio ao Sul do Tejo, Luís Alves.

Mas o crime foi mais além. Também “as letras em aço inox da Estação de Canoagem foram roubadas”, revelou o autarca.

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Uma das primeiras pessoas a perceber o roubo foi o presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, que habitualmente passa pelo Aquapolis Sul nas suas caminhadas matinais e alertou a Junta de Freguesia, contou também Luís Alves.

Entretanto, a Junta de Freguesia apresentou queixa na Polícia de Segurança Pública que irá agora investigar o caso, mas Luís Alves diz que a reposição das letras será “extremamente difícil”.

Na freguesia “sabemos quem são as pessoas que habitualmente furtam, mas sem provas é complicado. A não ser em flagrante delito”, lamenta o autarca, notando que, “ao peso, as letras em bronze porventura valerão 20 euros” mas o custo financeiro deste roubo representa “milhares de euros” para a freguesia, pela sua fundição artesanal.

O excerto do poema de Fernando Pessoa antes do roubo. Créditos: DR

As letras da escultura “foram fundidas no Brasil, onde atualmente Santos Lopes está. Amanhã entrarei em contacto com o escultor para perceber se as letras podem vir de lá, onde ainda existem fundições artesanais, porque em Portugal penso que deixaram de existir”, acrescentou.

Luís Alves teme “uma escalada de vandalismo” num território “com o povo envelhecido e oprimido, com medo de denunciar estes atos porque a Justiça é uma carga burocrática e opressora e depois os ladrões andam por aí”.

O presidente considera que “o difícil” para um autarca “não é trabalhar para as pessoas”, função que considera “um bom desafio”, sentindo-se, no entanto, desincentivado com “estas situações provocadas por pessoas que não têm amor pela terra”.

E questiona sobre o que os cidadãos querem para a sua terra. “Como queremos contribuir? A abandonar frigoríficos junto aos contentores ou ser bairristas e denunciar estas pessoas? Para que sintam que não podem agir impunemente ou continuamos todos nas mãos do destino?”, interroga.

Para Luís Alves “não somos senhores de nada”, por isso defende que os cidadãos “lutem para que as coisas sejam diferentes. Isto não pode acontecer!”, considera.

A escultura mural em mármore do escultor Santos Lopes, com um painel onde constava um excerto do poema de Fernando Pessoa “O Tejo é mais belo” foi inaugurada em 2010 na margem sul do Aquapolis.

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