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Segunda-feira, Dezembro 6, 2021
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Abrantes | José Mingocho de Abreu distinguido com Prémio Educação na Gala da Lusofonia

José Mingocho de Abreu, fundador da Escola Profissional de Agricultura de Abrantes (atual EPDRA), foi homenageado no passado dia 23 de outubro na V Gala dos Prémios da Lusofonia, que este ano se realizou em Oeiras. O engenheiro Mingocho de Abreu recebeu o Prémio Educação – um reconhecimento pelos anos que dedicou à criação de escolas profissionais em Moçambique.

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Nascido em Coimbra, em 1947, Mingocho de Abreu é um nome incontornável da história do antigo Liceu de Abrantes, onde introduziu o ensino da agro-pecuária e da agricultura, primeiro como área vocacional, em 1977, depois como curso profissional, em 1989. Foi a primeira escola profissional agrícola de natureza pública a ser criada em Portugal.

Em 1996 foi chamado a integrar uma missão do governo português que visava apoiar a reconstrução de uma escola em Moçambique. Acabou por ser convidado a regressar para aprofundar o trabalho inicial, mas o que seria uma “missão” de três meses acabou por durar quase 20 anos.

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Já como consultor do governo moçambicano, havia sempre mais um projeto para “fazer acontecer” e, quando regressou a Portugal, em 2018, deixou em funcionamento 98 escolas “gémeas” da escola agrícola de Abrantes.

Na cerimónia de entrega do Prémio Educação na V Gala Lusofonia, José Mingocho de Abreu começou por dizer-se “surpreso” pela distinção que lhe conferiram, pois sempre entendeu o seu trabalho como algo “normal” – o de um professor que partilha os seus conhecimentos.

Honrado por ter sido integrado num painel de “tão distintos galardoados” – que incluiu nomes como António Sampaio da Nóvoa, reitor da Universidade de Lisboa e ex-candidato a Presidente da República, o jornalista Rodrigo Guedes de Carvalho e o escritor moçambicano Luís Carlos Patraquim – agradeceu o prémio, que partilhou com a família, “que tantas ausências suportaram” enquanto ele prosseguia a sua missão em África.

“Agradeço muito esta distinção, será uma marca indelével na minha já longa vida e uma referência prestigiante no meu modesto currículo”, disse, antes de recordar um pouco dos seus primeiros passos em Moçambique, uma terra que o fez apaixonar-se à primeira vista.

Os galardoados na V Gala dos Prémios Lusofonia. Créditos: Oásis TV

Foi ficando porque entendeu que o país, acabado de sair de uma devastadora guerra civil, precisava de ajuda para se reerguer das cinzas e poder sonhar com um futuro de prosperidade. Mingocho de Abreu recordou “os sábios conselhos” do então adido cultural em Moçambique, José Soares Martins, pouco depois da sua chegada a Moçambique. “Se por aqui quiser permanecer, aprenda a ter paciência e esqueça o relógio.”

E ele assim fez. “Era preciso um diagnóstico correto, era preciso sair do conforto citadino e mergulhar no Moçambique profundo. Era preciso fotografar a realidade encontrada, falar com os diretores provinciais e distritais, ouvir diretores das escolas, professores e mestres, era preciso contactar com o tecido socioeconómico, era preciso abordar as ONG’s existentes, com implantação local, era preciso auscultar os anseios das populações, era preciso recolher muitos elementos relativos às infra-estruturas ainda existentes, era preciso anotar tudo o que fosse importante para que a realidade encontrada suportasse positiva ou negativamente o que haveria de ser construído. Era preciso ouvir. E assim fiz desde cedo. Verifiquei que não era preciso partir do zero nem impor modelos educativos importados de outros contextos geográficos, que poderiam ser rotundos fracassos em contextos africanos. Também tive sempre presente que as reformas se fazem com as pessoas e não contra as pessoas. Não dei um passo ou propus uma solução sem ouvir atentamente e com humildade os interlocutores moçambicanos.”

Com toda a sala a aplaudi-lo pelo legado que deixou em Moçambique, Mingocho de Abreu saiu do palco dizendo “Kanimanbo” – obrigado –, feliz por ter cumprido a “Mensagem” de Fernando Pessoa: “Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.”

Sou diretora do jornal mediotejo.net e da revista Ponto, e diretora editorial da Médio Tejo Edições / Origami Livros. Sou jornalista profissional desde 1995 e tenho a felicidade de ter corrido mundo a fazer o que mais gosto, testemunhando momentos cruciais da história mundial. Fui grande-repórter da revista Visão e algumas da reportagens que escrevi foram premiadas a nível nacional e internacional. Mas a maior recompensa desta profissão será sempre a promessa contida em cada texto: a possibilidade de questionar, inquietar, surpreender, emocionar e, quem sabe, fazer a diferença. Cresci no Tramagal, terra onde aprendi as primeiras letras e os valores da fraternidade e da liberdade. Mantenho-me apaixonada pelo processo de descoberta, investigação e escrita de uma boa história. Gosto de plantar árvores e flores, sou mãe a dobrar e escrevi quatro livros.

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2 COMENTÁRIOS

  1. Para o amigo de longa data um forte abraço de parabéns pelo reconhecimento de mais de 20 anos em prol não só da educação, mas sobretudo da ligação entre o povo moçambicano ( e não só) e Portugal. Presumo que foram anos árduos, duros, de muito trabalho, muita dedicação, só ao alcance de Homens de envergadura como o é o Engº Zé Abreu. Termina a sua intervenção de forma sublime citando Fernando Pessoa. Que mais dizer …
    Ferreira da Costa

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