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Sábado, Julho 24, 2021

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Abrantes | José Horta Quartet, o quarteto poético (c/ entrevista e música)

Quem conhece José Horta sabe que falamos de música. Juntamos a guitarra baixo de Ângelo Salvado, a bateria de Jorge Cordeiro e o piano de Paulo Reis e o grupo ganha forma. Acrescentamos poesia do músico e de autores abrantinos e temos o José Horta Quartet, que esta sexta-feira, dia 4, se estreou no palco da Escola Secundária Dr. Manuel Fernandes. Fomos conhecer este quarteto poético falando com quem lhe dá nome e assume que a guitarra tem que ir na bagagem por mais pequena que seja a viagem.

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A guitarra clássica estava lá, no palco da escola onde os alunos estão habituados a ver José Horta a solo junto do quadro a desempenhar a função que seguiu por opção, em detrimento da de músico profissional. O público que encheu o auditório nesta sexta-feira também o conhece sozinho no palco durante os recitais e entre os beijos e os abraços do final do concerto partilhava-se a surpresa deste se assumir como vocalista no novo projeto musical.

José Horta no primeiro tema do concerto. Foto: mediotejo.net

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Já lhe conheciam a voz, pontualmente, mas sempre o associaram às cordas que tem dedilhado pelo país e mundo fora. A par dos concertos, fez o mestrado no Instituto Politécnico de Castelo Branco e foi lecionando pelo Tramagal, Tomar, Leiria, Torres Novas e Golegã, entre outros locais. No entanto, foi sobretudo na terra onde nasceu em 1961, o Pego, que encontrou a essência poética do José Horta Quartet. As palavras surgiram das pessoas com quem se cruza no dia-a-dia. Uns mais conhecidos, outros menos, mas todos com o dom de transformar a realidade em poesia.

As letras dos versos de Joaquina Tavares Varandas (Concavada), Arsénio Rosa (Pego) e Francisco Lopes (Pego) passaram a letras de temas como “Este coração que sente”, “Mestre José Ecologia” ou “Abismo”. As palavras de António Aleixo e as do próprio José Horta também foram acompanhadas pelas músicas compostas pelo músico em “Com os cegos me confundo” ou “Ai quem me dera”. No futuro hão-de surgir as de José-Alberto Marques, que considera uma referência, e António Botto.

José Horta Quartet na estreia em palco. Foto: mediotejo.net

O José Horta Quarteto nasceu há cerca de dois meses, depois do município ter desafiado o músico para os “Residentes” e o projeto não se vai ficar pela iniciativa que leva artistas do concelho aos palcos da cidade. O convite inicial foi para um recital de guitarra clássica, mas o “vício” assumido pela música falou mais alto e o pensamento inicial de apresentar as canções sozinho deu lugar ao desafio de fazer algo diferente acompanhado.

Os ensaios com Ângelo Salvado, Jorge Cordeiro e Paulo Reis – também eles docentes ligados à área da música – foram intercalados com o ensino e, a maioria, na garagem do ex-elemento dos Quinta do Bill que, em breve, dará lugar ao estúdio de gravação para a preparação do primeiro cd. Os contactos estão feitos e não existe previsão para o lançamento, nem nome definido. O importante, acrescenta, é o projeto “ter alma” e quando surgir o quarteto poético assumirá a função de embaixador do concelho.

O músico e Francisco Lopes, um dos poetas. Foto: mediotejo.net

Uma responsabilidade apontada por José Horta, que associa a criação do grupo com a valorização “da cultura, poesia e música que se faz no concelho”, contrariando o “hábito de olhar só para longe”, muitas vezes esquecendo que o talento e a qualidade podem estar mesmo ali ao lado. Uma “homenagem” a todos aqueles que diz contribuírem para identidade abrantina através do que “criam”, as “pessoas boas, com coração, que fazem coisas interessantes”.

Cada tema é uma viagem, gera sentimentos díspares e exemplo disso foram os interpretados no encore, “Distância” (letra e música de José Horta) e, de novo, “Mestre José Ecologia” (letra de Arsénio Rosa e música de José Horta). O primeiro embala, o segundo quase abana. Acompanha-se o compasso marcado por um registo equilibrado que se aprecia num ambiente a meia luz como o criado no auditório da Escola Secundária Dr. Manuel Fernandes.

O momento dos aplausos. Foto: mediotejo.net

O docente de guitarra clássica e orquestra confirma esta sensação ao dizer que os temas que assina são uma forma de expressar os seus “estados de alma”. Parte da música para a letra e prefere compor em vez de escrever. O processo inverte-se quando falamos dos poemas criados por outros pois são as palavras que o transportam “para uma certa dimensão emocional” e o direcionam na composição da melodia. Em alguns casos, lembra, a música começou a surgir “no terceiro verso”.

Os mesmos ingredientes misturados de forma diferente de cada vez que se faz a “receita” do José Horta Quartet, igualmente única por incluir a guitarra baixo de Ângelo Salvado, a bateria de Jorge Cordeiro e o piano de Paulo Reis. A guitarra de José Horta, essa também não pode faltar pois o músico diz que se vai de férias e não a leva “é um desassossego”, assim como a música, que potencia “emoções indescritíveis”, e o “amor” que José Horta diz colocar em tudo o que faz.

José Horta durante a entrevista. Foto: mediotejo.net

Partilhamos os temas que ouvimos no encore da estreia do José Quartet em palco:

Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

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2 COMENTÁRIOS

  1. Simplesmente Brilhante! Foi um privilégio podermos assistir ao primeiro concerto destes verdadeiros artistas que em tudo o que fazem se sente o amor, empenho e dedicação intrínsecos. Estamos todos desejosos para assistir ao próximo espectáculo! Parabéns!

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