Apoie o jornalismo que fazemos,
junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -
Segunda-feira, Agosto 2, 2021

Apoie o jornalismo que fazemos, junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

ABRANTES: José “Bioucas” vai esta quarta-feira a sepultar

As exéquias religiosas de José dos Santos Jesus (José Bioucas) realizam-se esta quarta-feira, 4 de novembro, pelas 11h00, na Igreja de S. Vicente, seguido do funeral para o cemitério Cabacinho.

- Publicidade -

José dos Santos Jesus, mais conhecido por José Bioucas, primeiro presidente da Câmara Municipal de Abrantes eleito após o 25 de Abril de 74, faleceu na terça-feira, 3 de novembro, aos 87 anos, vítima de paragem cardiorrespiratória. Estava em coma profundo no Hospital de Abrantes desde domingo à noite.

ZÉ_BIOUCASJosé “Bioucas”, apelido paterno que um zeloso funcionário do registo civil considerou estar a mais, trabalhou em prol do município numa altura em que tudo estava por fazer, desde estradas, a canalizações, esgotos e acesso a eletricidade, e numa altura em que Portugal não tinha acesso a fundos comunitários nem se falava ainda da CEE ou de União Europeia.

- Publicidade -

José “Bioucas” sempre foi avesso a falar de política, desde que há mais de 20 anos deixou a governança autárquica. Depois de sair da Câmara de Abrantes, em 1990, dedicou-se exclusivamente ao Centro de Recuperação Infantil de Abrantes (CRIA), instituição que fundou com Lourdes Jorge.

José dos Santos de Jesus nasceu a 24 de março de 1928, em S. Vicente, Abrantes.

BIOUCAS2Eng.º Técnico de profissão, além da sua participação na Comissão Administrativa do município, primeiro enquanto vogal e depois como vice-presidente e presidente da Comissão, foi o primeiro presidente democraticamente eleito da Câmara Municipal de Abrantes nas eleições realizadas em 12 de dezembro de 1976. Exerceu as funções de presidente da Câmara Municipal de Abrantes durante 4 mandatos até ao dia 3 de janeiro de 1990.

Indefetível apoiante da necessidade da construção de uma nova ponte sobre o Tejo na zona do Tramagal, a bem do desenvolvimento da região, Bioucas foi voluntário nos Bombeiros Municipais de Abrantes, dos 18 aos 60 anos, onde conduzia viaturas e ajudava a apagar incêndios, mesmo depois de já ser autarca.

Homem de ação, enfrentava os problemas de frente, mesmo que lhe pudessem custar alguns dissabores, como quando era presidente de câmara, na época das rádios piratas, nos idos anos 80, quando houve uma vistoria da inspeção para as transmissões da então Rádio Antena Livre, a emitir, na ocasião, a partir da freguesia de São Miguel do Rio Torto. Sabendo da busca aos emissores, à redação, que era tão móvel quanto possível, os locutores, entre os quais alguns dos fundadores da RAL, refugiaram-se no Convento de São Domingos, em Abrantes. Chegados os inspetores à porta do Convento, o presidente Bioucas, já informado do que se estava a passar, meteu-se a caminho e interpôs-se entre os inspetores e os radialistas sitiados. “Ali dentro não há nada nem ninguém e quem o diz sou, José Bioucas, presidente da Câmara de Abrantes”, intervenção após a qual os inspetores terão desmobilizado, a contragosto. A rádio, hoje, ainda existe. A memória das intervenções e postura de homem simples e de causas, como era José Bioucas, também.

A Câmara Municipal de Abrantes decretou luto municipal durante três dias.

Em declarações ao mediotejo.net, Maria do Céu Albuquerque, atual presidente da autarquia, disse trazer consigo “memórias de há muitos anos”, tendo lembrado que o seu próprio pai foi funcionário municipal, ao tempo de José Bioucas.

“Lembro-me das festas de natal, quando eu era miúda, dos concursos de pesca…”, recordou, afirmando ter existido desde sempre uma “grande amizade e grande estima” pela sua figura. “São sentimentos que perdurarão para toda a vida porque pessoas da sua dimensão são eternas.”

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

- Publicidade -
- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Faça o seu comentário, por favor!
O seu nome