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Abrantes | Jornadas da Educação metem crianças e idosos a debater “medidas escolares”

No âmbito das “Jornadas da Educação de Abrantes”, que decorreu na manhã de quinta-feira no Auditório da Escola Dr. Solano de Abreu, em Abrantes, foi bonito de ver “Uma rua com cafés”, com 8 mesas onde se sentaram, a debater, as crianças e os “seu avós”. Diferenciadas pelas cores das toalhas e pela “pergunta estímulo” que cada “café” possuía, o intuito era que todos estivessem à vontade de maneira que pudessem abordar com profundidade os temas sugeridos. Um sucesso, este momento educativo intergeracional.

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“Nós, com a vossa idade, não tivemos esse privilegio”, observavam os cidadãos séniores, quando estavam na posse da palavra. Uma das avós presentes, com 83 anos, disse: “Hoje as crianças são mais espertas que nós, pois possuem uma certa convivência que nós não tínhamos”, tendo acrescentado “sentir a falta da educação e do respeito que havia uns pelos outros”, nos seus tempos de estudante.

Cada mesa possuía um dono de “café e um redator”, e esses elementos ficavam fixos. Já os demais trocavam de acordo com o pequeno sino que a moderadora badalava. Cada criança, com um idoso, que podia ser o seu avô, de fato ou não, andava pelas ruas dos cafés, ou seja, nos corredores das mesas, à procura da respectiva cor que o “passaporte” que recebera, no início, os direcionava.

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Uma das mesas onde idosos e crianças trocavam experiências e opiniões a respeito da escola Foto: mediotejo.net

A pergunta chave que foi feita aos “senhores deputados e as senhoras deputadas”, do “parlamento INFANTIL/SÉNIOR” foi, “o que os avós esperam da escola e o que as crianças esperam da escola?”.

Um pequeno estudante, na qualidade de orador, referiu-se ao excesso de material escolar que precisa carregar na sua mochila todos os dias. Disse a porta voz sénior que a primeira coisa que faz quando vai buscar o seu neto na escola, é “tirar-lhe a mochila”, pois a mesma é muito pesada. Foi então sugerido a criação de um espaço adequado, onde os alunos possam deixar guardados os seus materiais, e de maneira que só transportem para casa os que forem necessários, tanto durante a semana, como aos fins de semana.

Maria de Fátima Chambel, deputada da Assembleia Municipal de Abrantes e professora reformada, quando questionada se haveria alguma intenção de aproveitar as respostas dos idosos e crianças presentes, respondeu que os integrantes da equipa, que faz parte do projeto educativo, “vão analisá-las e perceber se há coisas, que foram aqui apontadas, que serão fortes contributos para alterar algumas acções e algumas mudanças”. Segundo Fátima Chambel, “o projeto educativo é dinâmico e não está fechado e por isso vai aceitar e vai considerar estas opiniões e estas sugestões”.

“O que é que tu esperas aprender na tua escola?”, foi uma das perguntas estímulo, ao que um dos jovens estudantes respondeu: “Aprender matemática, estudo do meio, português e a fazer as contas”. Logo ao lado dele estava a avó de um colega de mesa que disse, “para ser um homem, e para amanhã governar a casa dele”, seguida de risos.

A sessão incluiu ainda um encontro intergeracional, onde “os mais velhos, com os seus lindos cabelos brancos ou com boas carecas” puderam “ensinar aos mais novos aquilo que aprenderam ao longo de uma vida”, disse Maria do Céu Albuquerque, presidente da Câmara Municipal de Abrantes, que apareceu de surpresa no parlamento.

Conclusão dos comentários e respostas dos participantes das mesas – “o redator e a dona do café” foto: mediotejo.net

“Qual a sua opnião sobre os horários e durações das aulas?”

“Podia ter mais intervalos, quando tivermos das 14h às 16h devemos ter um intervalo em cada hora, uns 5 minutos ou 10, e também devíamos ter os intervalos mais prolongados, porque depois só tínhamos tempo de ir a casa de banho e de comer”, desabafou mais um pequeno estudante.

“Não devemos ter duas horas de aula de manhã, porque ao fim de uma hora já começo a baralhar tudo” disse “João”. Uma das donas de café, ou seja, líder de uma das mesas, disse que as crianças estavam a queixar-se que “os intervalos não davam para nada, só dava para comer, ir a casa de banho e mais nada”.

Várias outras questões foram levantadas, entre elas, “o que esperam dos intervalos?”, “qual a sua opinião sobre os TPC´s?”, “O que esperas de um professor?” e “achas que a escola deve premiar o seu desempenho?”.

A Escola n° 1 de Abrantes, a E.B. de Bemposta, Escola n° 2 de Abrantes, Escola António Torrado, E.B. de Rio de Moinhos, E.B. de Chainça e E.B de Tramagal estiveram presentes através de seus alunos e professores. O Centro Social de Alferrarede, a Associação Cres. Ser, Santa Casa de Misericórdia, Grupo de Séniores de Rio de Moinhos, Centro Nossa Senhora da Oliveira e o grupo dos Avós dos alunos das escolas mencionadas foram representados pelos idosos que fizeram parte do parlamento.

“A escola tem que começar a preparar os alunos para serem mais criativos, serem mais autónomos e para saber lidar melhor com os outros, entenderem-se em grupo e em trabalhos de grupos, portanto o saber é importante, sem dúvida”, palavras de Celeste Simão, vereadora da educação e ação social que acrescentou ainda: “a escola tem que mudar, pois a escola que nós temos hoje, desde o pré-escolar até ao ensino secundário, é exactamente como a escola que eu tive quando estudei e quando a minha mãe estudou, compartimentada, dividida por turmas, e dividida em disciplinas, e isso tem que mudar”.

De acordo com o ponto de vista da responsável, uma das medidas a ser tomada é que “os alunos dentro da escola negociassem com os vários professores o seu percurso, desde que entrassem até que saíssem. Ser um percurso negociado e não compartimentado em disciplinas ou em temas”.

Uma professora levantou-se no meio do discurso da vereadora e exclamou em voz alta, “deve-se fazer chegar às escolas as conclusões de todas as mesas”.

Entre perguntas e respostas, sugestões e opiniões e a exposição de cada uma delas, sempre com uma criança e um idoso a falar, foi dada por encerrada a sessão do “Parlamento Infantil/Sénior”. Com muitas ideias, partilhadas por todos, num processo de afirmação e construção de um processo educativo em Abrantes.

Vinicius Alevato, 30 anos, estudante de comunicação, está a aprender a
observar uma região com o olhar atento aos factos. Acredita no
jornalismo de proximidade e na importância de servir as pessoas através
da boa informação.

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