Quinta-feira, Fevereiro 25, 2021
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Abrantes | Inauguração do MIAA pode acontecer no primeiro semestre de 2021

Em outubro, o executivo municipal de Abrantes aprovou mais uma prorrogação do prazo da empreitada do Museu Ibérico de Arqueologia e Arte (MIAA), tendo sido estabelecido o dia 18 de dezembro para a conclusão da primeira fase do Museu. Como causa, foi apontada a situação vivida consequência da covid-19 e as dificuldades da empresa na obra. Mas, se este prazo for cumprido, ainda está por executar o trabalho de musealização, e o vereador do PSD quis saber a data de inauguração.

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Falando nas obras no convento de São Domingos para instalação do Museu Ibérico de Arqueologia e Arte (MIAA), o vereador eleito pelo Partido Social Democrata, Rui Santos, questionou em reunião de executivo o presidente da Câmara Municipal de Abrantes sobre a data de inauguração.

O presidente deu conta do atraso da obra do MIAA, primeiramente pelos achados arqueológicos e posteriormente pela situação de pandemia que o país atravessa e garantiu, em declarações ao mediotejo.net, que a primeira fase da obra “está encaminhada e vai estar fechada nos próximos dias”.

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À vereação, Manuel Jorge Valamatos (PS) explicou, em resposta ao vereador do PSD, que o executivo está “a fazer tudo para que no próximo ano possamos inaugurar esta estrutura importante para a cidade, para o concelho e para a região”.

Ao nosso jornal, à margem da reunião, o presidente disse que o executivo “gostava que fosse no primeiro semestre” de 2021, acrescentando haver até “uma data pensada” para a inauguração, no entanto não a adiantou, justificando “não querer criar falsas expectativas. Temos de aguardar com alguma serenidade o desenvolvimento da obra. Estamos com diferentes entidades a tentar fechar todo o programa de museologia do Museu”, assegurou.

Manuel Jorge Valamatos lembrou que a obra “tem dois momentos fundamentais; a infraestrutura em si, o edifício, e depois há um processo do seu interior, da museologia”.

A prorrogação do prazo de execução da empreitada do MIAA aprovada em outubro foi a quarta. Tal como na terceira, fixada para conclusão no dia 14 de outubro de 2020 que não veio a ser cumprida, a autarquia voltou a aceitar os argumentos apresentados pelo adjudicatário decorrentes da pandemia de covid-19 sustentados na falta de mão de obra e fornecimento de materiais necessários e imprescindíveis à execução dos trabalhos, comprovados através de documentação.

A sociedade TPS – Teixeira Pinto Soares, S.A. adjudicatária da empreitada do MIAA “fase 1 – recuperação, remodelação e ampliação do Convento de São Domingos” apresentou logo em agosto de 2019 uma proposta de reequilíbrio financeiro do contrato de cerca de 300 mil euros por agravamento dos custos na realização da empreitada.

Obras de requalificação do Convento de São Domingos para instalação do Museu Ibérico de Arqueologia e Arte (MIAA) de Abrantes. Foto: CM ABT

A empresa alegou “danos sofridos com os sobrecustos da empreitada” decorrente de uma maior permanência em obra, ou seja, valores inerentes à prorrogação do prazo” derivada da “única interrupção” dos trabalhos, deu conta ao mediotejo.net o vice-presidente, João Gomes, devido a alguns achados arqueológicos.

Na altura, “além da escavação, tivemos de contratar uma antropóloga para fazer o estudo dos achados. Durante o decorrer dessa intervenção houve duas prorrogações”, esclareceu.

O valor requerido pela empresa acabou rejeitado pelo executivo municipal de Abrantes, que reconheceu o direito de compensação mas discordava do valor solicitado. Com a segunda prorrogação, num valor que ultrapassava os 100 mil euros, a empresa quis ser ressarcida no total de um valor na ordem dos 400 mil euros. O litígio entre a Câmara e a empresa seguiu depois para tribunal havendo entretanto um entendimento que resultou em acordo, sendo a terceira e quarta prorrogação a título gracioso.

Recorde-se que a primeira fase de recuperação, remodelação e ampliação do Convento de S. Domingos deveria ficar concluída em 910 dias, cerca de dois anos e meio, ou seja, no mês de maio de 2019, se não existissem interrupções de trabalhos.

Após a interrupção da obra devido aos achados arqueológicos, a inauguração do novo museu MIAA deveria então acontecer no início de 2020, segundo perspetivou, em agosto de 2019, o presidente da Câmara, Manuel Jorge Valamatos.

A requalificação do Convento de S. Domingos para instalação do MIAA arrancou em janeiro de 2017. O contrato de empreitada da primeira fase da obra é de 3,1 milhões de euros e foi assinado no dia 25 de agosto de 2016 com a empresa Teixeira, Pinto & Soares, SA.

O contrato tem por objeto a recuperação, remodelação e ampliação do Convento de S. Domingos para a instalação do MIAA, um equipamento que vai ocupar todos os espaços disponíveis atuais do antigo convento para áreas de exposições, permanentes e temporárias, onde ficará parte da coleção de arqueologia e arte municipal, o espólio de pintura contemporânea da pintora Maria Lucília Moita e a coleção arqueológica Estrada, propriedade da Fundação Ernesto Lourenço Estrada, Filhos.

São cerca de cinco mil as peças que integram as coleções da Fundação Estrada de ourivesaria ibérica, armaria e arte sacra dos séculos XVI a XVIII, além de coleções de numismática, arquitetura romana, medieval e moderna, relógios de várias épocas e uma exposição de arqueologia e história local.

A obra em curso desenvolver-se-á em 2 pisos, sendo intervencionada uma área bruta de construção correspondente a 3.280 m2. No edifício que prolonga a ala norte do convento, e que se desenvolve num piso, será intervencionada uma área bruta de construção correspondente a 256 m2, e que servirá também para instalar os serviços indispensáveis ao funcionamento do Museu e Centro de investigação associado, da receção ao serviço educativo, uma área de armazém e diversas áreas técnicas.

O novo Museu Ibérico de Arqueologia e Arte, tem o projeto de arquitetura das instalações pelo Arquiteto Carrilho da Graça e o projeto museográfico pelo Professor Fernando António Batista Pereira.

A obra é apoiada em 85% com verbas dos fundos comunitários do Portugal 2020, no âmbito do PEDUA – Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano de Abrantes para a Regeneração Urbana.

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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