Abrantes | Imóvel junto à Igreja de São João regressa à posse do Município

Edifício municipal junto à Igreja de São João em Abrantes. Créditos. mediotejo.net

O ex-imóvel municipal junto à Igreja de São João Baptista, em Abrantes, vendido pela autarquia por 35 mil euros a um antigo embaixador espanhol que ali queria criar um atelier de pintura, voltou a ser do município. O vice-presidente da Câmara de Abrantes, João Gomes, confirmou a compra após uma pergunta do vereador eleito pelo Bloco de Esquerda.

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Em 2018, a Câmara Municipal de Abrantes alienou por 35 mil euros um imóvel municipal que servia de garagem de um pequeno logradouro junto à Igreja de São João, no centro histórico da cidade, sendo o comprador um antigo embaixador espanhol, que ali queria criar um atelier de pintura. Mas o interesse não prosseguiu e o imóvel acabou por regressar à propriedade do Município.

Na última reunião de executivo, no dia 7 de julho, o vereador eleito pelo Bloco de Esquerda, Armindo Silveira, quis saber se o imóvel situado nas traseiras da Igreja de São João já estava novamente na posse do Município de Abrantes. E a resposta foi positiva.

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“Fizemos a escritura no final de semana passada”, garantiu o vice-presidente João Gomes, acrescentando que “o edifício passou novamente para a posse do Município”. A compra “demorou mais uns tempos por falta de disponibilidade do proprietário que se encontrava no estrangeiro”, acreescentou.

Perante esta confirmação, Armindo Silveira reforçou novamente a proposta de demolição deste imóvel “como forma de dar outra dignidade à Igreja de São João e espaço envolvente até porque a sua degradação contínua a colocar em causa a saúde publica e a segurança dos cidadãos”.

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Por seu lado, João Gomes recordou já ter sido realizado “um pedido de demolição e na altura a DGPC [Direção Geral do Património Cultural] não achou que seria a melhor ideia para aquele espaço“.

Agora, assegura que a Câmara irá “junto da DGPC perceber qual a finalidade a dar àquele edifício”. As possibilidade, segundo o vereador socialista, poderão passar pela “demolição” ou pela “reconstrução do mesmo para uma finalidade a favor dos munícipes” de Abrantes.

Edifício municipal junto à Igreja de São João em Abrantes. Créditos. mediotejo.net

Em setembro de 2018 a então presidente da autarquia, Maria do Céu Albuquerque (PS) levou a proposta de venda a reunião de executivo tendo a mesma sido aprovada por maioria, com voto contra do vereador Armindo Silveira que, lendo uma declaração de voto, gerou alguma discussão.

“Estamos a propor a alienação por 35 mil euros, que diz respeito ao valor da alienação do imóvel em causa. Tínhamos considerado, inicialmente, demolir aquele imóvel e deixar que aquele espaço respirasse e que a própria volumetria da Igreja pudesse ganhar com isso”, começou por referir a presidente da autarquia de Abrantes.

“O que é facto”, continuou, “é que não é possível deitar abaixo aquele imóvel por estar nas imediações da Igreja e inclusivamente porque podia fragilizar a própria estrutura da Igreja. Existe este comprador interessado, um senhor espanhol, um antigo embaixador espanhol que se enamorou da nossa cidade e de uma casa em concreto, e a condição que coloca para poder adquirir a casa é fazer ali (…) um atelier de pintura. Basicamente, nós congratulamo-nos com o facto de vermos aquele problema resolvido, congratulamo-nos com o facto de alguém ter escolhido a nossa cidade para poder fazer este investimento e isto também diz respeito àquilo que é a dinâmica que estamos a assistir no nosso centro histórico, [dinâmica] privada na reabilitação de imóveis que se encontravam em avançado estado de degradação”, defendeu na altura a autarca.

O vereador Armindo Silveira pediu a palavra para anunciar o voto contra, tendo manifestado dúvidas sobre os problemas da demolição do edifício em causa. “Antes de mais, estar a dizer que a demolição daquele edifício mete em causa a estrutura da Igreja… a Igreja já lá está há séculos e aquela casa foi feita há 80 ou 100 anos…”, observou, tendo o vereador João Gomes lembrado que a autarquia tem um “parecer da DGPC a aconselhar a manutenção daquele espaço devidamente classificado”.

O vereador bloquista manifestou-se, em jeito de dúvida (– “Ah!…enfim…”), o que levou a presidente Maria do Céu Albuquerque a intervir: “Não, não é ‘enfim’! Não é ‘enfim’… é um parecer que é vinculativo, senhor vereador. Não lhe admito, é que não lhe admito mesmo, na reunião de Câmara esse tipo de insinuação e de comportamento! Não lhe admito!”.

Armindo Silveira leu então a declaração de voto contra: “No sentido de devolver o antigo enquadramento e dignificar um espaço onde tantos cidadãos e turistas circulam, na reunião de Câmara do corrente ano (2018), salvo erro em junho, o Bloco de Esquerda propôs a demolição do imóvel agora objeto de venda. Na altura fui informado pela senhora presidente da Câmara, e pelo senhor vice-presidente da Câmara, o senhor João Caseiro Gomes, que o imóvel estava no plano de intervenção. Talvez seja este plano que esteve na origem da compra do imóvel em 28 de fevereiro de 2003 pelo então executivo da Câmara Municipal de Abrantes, também do PS. É com surpresa que recebemos esta decisão de venda, com a qual não concordamos, e reiteramos a proposta de demolição. Face ao exposto, votamos contra”, concluiu, não sem antes a presidente de Câmara retorquir.

“Muito bem. Declaração de voto. Nesta declaração de voto se percebe a inconsistência e a incoerência daquilo que são as propostas do Bloco de Esquerda no município de Abrantes, porque eu acabei de deixar bem explicito que há um investidor que nos interessa acolher, que vai fazer um investimento de grande monta, comprando e reabilitando para habitação própria um imóvel muito significativo no nosso centro histórico e que a aquisição daquele espaço era condição ‘sine qua non’ para poder contribuir. Sendo certo que nós quando defendemos políticas públicas temos de ser consistentes nas nossas propostas. Nós não podemos querer atrair mais pessoas e reabilitar o nosso centro histórico e depois, quando temos oportunidade, sermos os primeiros a votar contra. Tenho dito.”

O investimento não ocorreu, e a última palavra parece ser agora da DGPC que decidirá se a casa vem ou não abaixo.

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1 COMENTÁRIO

  1. “reconstrução do mesmo para uma finalidade a favor dos munícipes”.
    A minha opinião é esta: mais aquele edifício, que até nem é feio, do que um muro de betão, para sustentação da estrutura da Igreja de São João.

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