Abrantes | Idosa desalojada no incêndio de Aldeia do Mato já tem casa nova

Casa que ardeu parcialmente em Aldeia do Mato, Abrantes, foi alvo de requalificação e hoje devolvida à sua proprietária. Foto: CM ABT

A Cáritas Diocesana de Portalegre-Castelo Branco entregou esta quinta-feira, 5 de abril, a chave referente a uma habitação intervencionada após o incêndio de agosto de 2017, em Aldeia do Mato, no concelho de Abrantes.

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Para entregar a chave a Maria do Céu Rosa Santos, de 76 anos, única habitante daquela pequena moradia, estiveram presentes Elicídio Bilé, presidente da Cáritas Diocesana de Portalegre-Castelo Branco, a presidente da Câmara Municipal de Abrantes (CMA), Maria do Céu Albuquerque, Álvaro Paulino, o presidente da União de Freguesias de Aldeia do Mato e Souto, e outras individualidades.

Maria do Céu Santos junto à casa reconstruída

No dia 10 de agosto de 2017 a tragédia bateu à porta da freguesia de Aldeia do Mato, no concelho de Abrantes. Um incêndio de grandes dimensões deixou desalojadas duas famílias. Maria do Céu, de 76 anos, foi uma dessas pessoas que viu o seu lar ser consumido pelas chamas.

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Oito meses depois recebeu as chaves da sua casa reconstruída e melhorada devido à boa vontade daqueles que contribuíram com donativos e o empenho das entidades envolvidas, nomeadamente da Cáritas Diocesana de Portalegre-Castelo Branco que, nesta intervenção, contou com a colaboração da Câmara Municipal de Abrantes e da União de Freguesias de Aldeia do Mato e Souto.

A Cáritas Diocesana de Portalegre-Castelo Branco entregou hoje ao final da manhã a chave referente a habitação intervencionada após o grande incêndio ocorrido em agosto de 2017, localizada em Aldeia do Mato. Foto: CM ABT

Depois de um dia difícil, com a aldeia rodeada de lume, o fogo chegou já era noite a esta casa, ficando parcialmente destruída. As chamas consumiram essencialmente a cobertura, e a idosa, que vive sozinha, não fosse a ajuda dos vizinhos, dificilmente teria conseguido sair pelo seu próprio pé, devido à fraca mobilidade.

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Elicídio Bilé, presidente da Cáritas Diocesana de Portalegre-Castelo Branco e Maria do Céu Santos

Maria do Céu Santos não foi a única desalojada em Aldeia do Mato. Uma outra família, de cinco pessoas, também perdeu o lar. A casa está em processo final de obra, com data prevista de entrega no próximo mês de maio. Durante os oito meses que se seguiram à catástrofe, sem familiares que a pudessem recolher e com um filho emigrando na Suíça, Maria do Céu ficou alojada em casa de uma vizinha, na mesma aldeia.

Das 16 casas que a Cáritas Diocesana de Portalegre-Castelo Branco assumiu o compromisso de recuperar “já só faltam duas, uma em Aldeia do Mato, que no próximo mês fica concluída, e outra em Vila de Rei que este mês será entregue ao senhor que viu a casa ardida” referiu Elicídio Bilé, acrescentando a essa contabilidade de recuperação do que o fogo queimou, 33 currais na zona de Oleiros com data de entrega prevista em junho.

“Quando são necessários projetos a Câmara fá-los, acompanha a obra. Uma colaboração importante que temos desde 2003. Esperemos que isto um dia termine”, disse, agradecendo o trabalho das autarquias, confiante que no futuro os incêndios não coloquem em risco pessoas e bens.

Durante a cerimónia de entrega das chaves da casa, a presidente da Câmara Municipal, Maria do Céu Albuquerque, manifestou-se “satisfeita por perceber que há instituições como a Cáritas que faz um trabalho inestimável” aproveitando a oportunidade para afastar dúvidas “quando as pessoas põem em causa os donativos que se atribuem às instituições”, afirmando que esta e outras intervenções “dissipam qualquer questão”.

“Os benefícios estão à vista de todos porque a Cáritas diz sempre presente” no que toca às necessidades da população, referiu, sublinhando “o serviço público” prestado.

Maria do Céu Santos, a presidente da Câmara Municipal de Abrantes e Elicídio Bilé, presidente da Cáritas Diocesana de Portalegre-Castelo Branco

A casa de Maria do Céu Santos ainda necessita de pequenos acabamentos, nomeadamente a colocação de eletricidade e água canalizada que não tinha por se socorrer de um sistema de rega com água do rio Zêzere, serviço prestado por uma associação de regantes.

Mas fazendo as contas, até ao momento, a obra de reconstrução orçou em 21.780 euros que foram pagos na totalidade pela Cáritas, tendo o projeto de arquitetura e o acompanhamento técnico sido assumido pelos serviços da autarquia abrantina.

Na casa de Maria do Céu Santos “começou por arder um anexo, e a cobertura ficou destruída, assim como o piso por causa das águas que entraram” explicou o presidente da Cáritas, no entanto a reconstrução foi mais longe. “A casa estava em muito mau estado, para se colocar uma cobertura foi preciso trabalhar também as paredes de forma a suportar o peso. Também não tinha grandes condições, não tinha casa de banho, nem luz, nem água [canalizada] e foi dotada com todas essas estruturas tão importantes para dar melhor qualidade de vida” à idosa.

Assim, a intervenção efetuada consistiu em trabalhos de limpeza e demolições, substituição integral da cobertura e pavimentos; execução de rede de águas, rede de esgotos com fossa estanque sética, rede de gás e eletricidade; construção de instalação sanitária e cozinha com os respetivos equipamentos; e reparação e beneficiação de paredes e vãos.

Do recheio da casa “salvou-se praticamente tudo” garantiu Elicídio Bilé. Do que faltar, “quer a comunidade, quer a Cáritas Diocesana, o que tivermos disponível vamos por à disposição” disse, dando conta da falta de um roupeiro.

“Era bom que as pessoas pudessem colaborar”, apelou. Os bens, nomeadamente o mobiliário de Maria do Céu, foi guardado num espaço cedido pela Junta de Freguesia de Aldeia do Mato.

Contente com as melhorias na sua habitação e impaciente para voltar para casa, Maria do Céu mal tenha o essencial de volta, regressará. As mudanças começam de imediato, na tarde desta quinta-feira.

Fotografia de grupo, com os intervenientes no processo, em frente à casa recuperada em Aldeia do Mato

A outra habitação, atingida na sequência do mesmo incêndio, encontra-se em recuperação, também assumida pela Cáritas, com a colaboração da CMA e da União de Freguesias de Aldeia do Mato e Souto.

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