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Segunda-feira, Dezembro 6, 2021
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Abrantes | Historiadores registam em livro 50 anos do Liceu de Abrantes

O livro ‘Liceu de Abrantes: 50 anos de uma escola para todos’, da autoria de Joaquim Candeias da Silva e José Martinho Gaspar, foi apresentado na segunda-feira, dia 25 de outubro, precisamente no dia em que se completaram 50 anos da transformação da Secção Liceal em Liceu Nacional de Abrantes. O livro surgiu no âmbito da comemoração dos 50 anos do Liceu de Abrantes e foi vencedor da 3ª edição do Prémio Literário do Médio Tejo na modalidade Não Ficção. Publicado numa edição da Câmara Municipal de Abrantes em parceria com a Médio Tejo Edições, este livro de 150 páginas conta a história do Liceu (Secção Liceal até 1971) e das suas sucessoras: Escola Secundária Nº 2 e Escola Secundária Dr. Manuel Fernandes. A cores e bastante ilustrado, o livro integra textos com vários testemunhos, nomeadamente de antigos alunos, de diferentes períodos.

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“Não é fácil falar quando se tem alguma coisa para dizer”, começou por afirmar o historiador Candeias da Silva, parafraseando Eugénio de Andrade. Joaquim Candeias da Silva e José Martinho Gaspar são os autores do livro “Liceu de Abrantes: 50 anos de uma escola para todos”, que foi apresentado na segunda-feira, 25 de outubro, quatro anos depois do cinquentenário do liceu que hoje é Escola Secundária Dr. Manuel Fernandes.

Candeias da Silva salienta tratar-se de uma obra inacabada, “um relato simbólico” para marcar o cinquentenário, um livro que segundo diz o professor, “não está nem acabado nem completo”, porque “a história é uma realidade em construção”.

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Apresentação do livro ‘Liceu de Abrantes: 50 anos de uma escola para todos’. Créditos: mediotejo.net

O historiador José Martinho Gaspar, natural de Água das Casas (Abrantes), e o historiador Joaquim Candeias da Silva, natural de Orca (Fundão), mas residente em Abrantes, são os autores de uma obra conjunta escrita “a várias mãos” no âmbito do cinquentenário daquela instituição e das respetivas comemorações, em 2017. A direção do Agrupamento Nº 2 de Abrantes decidiu que faria sentido organizar e editar uma publicação, na qual se fizesse uma síntese do que foram as origens e a vida da Escola Dr. Manuel Fernandes (antigo Liceu de Abrantes), ao longo de cinco décadas. A publicação chegou agora os leitores.

Na biblioteca da Escola Dr. Manuel Fernandes, onde decorreu a apresentação, Candeias da Silva vincou a inexistência de escolas sem livros, mas, referiu, este é especial. “É o livro de uma escola, desta escola. Um liceu com tanta história tinha de ter um livro próprio. Alguém disse: aquilo que não fica escrito nunca existiu. São marcas para a posteridade. São eternas”, disse, indicando ter sido José Martinho Gaspar “a alma do projeto”.

Apresentação do livro ‘Liceu de Abrantes: 50 anos de uma escola para todos’. Créditos: mediotejo.net

A comissão do cinquentenário, presidida pelo professor Mário Pissarra, “traçou determinados objetivos e acabámos os dois historiadores do Liceu mais… digamos que enfronhados na história geral de Abrantes para redigir esta parte histórica”, disse Joaquim Candeias da Silva ao mediotejo.net, explicando como começou este trabalho em coautoria com José Martinho Gaspar.

A Candeias da Silva, professor durante 30 anos naquela instituição, coube analisar a evolução do ensino secundário/liceal no país e na região em que Abrantes se insere, trabalho introdutório que teve como objetivo “enquadrar” a história do Liceu.

“Entendi por bem fazer um preâmbulo em que dou conta das origens [do ensino secundário], como apareceu no País ainda no século XIX, e referindo também os primeiros colégios que existiram em Abrantes, Rossio, Mouriscas, Alvega. Foi o meu maior contributo para o livro”, afirmou.

Apresentação do livro ‘Liceu de Abrantes: 50 anos de uma escola para todos’. Créditos: mediotejo.net

Martinho Gaspar corroborou esta afirmação. “A parte de instalação do Liceu e a história do ensino secundário é da autoria do professor Candeias. Aquilo que foram algumas das primeiras escolas secundárias privadas de Abrantes, até na primeira metade do século XX. E depois fala da instalação do Colégio de Fátima em 1940, da Escola Industrial e Comercial de Abrantes em 1953 e do Colégio La Salle em 1959, maioritariamente escolas privadas, sendo a Escola Industrial pública. O Liceu veio dar resposta, quando foi criado em 1967, à necessidade de uma escola secundária pública que permitisse o prosseguimento de estudos e estudar áreas diferentes” das lecionadas na Escola Industrial e Comercial, explica.

A obra relata então a história do Liceu que em 2 de outubro de 1967 foi inaugurado, no Edifício Carneiro, perto do Jardim do Castelo, como sendo a Secção Liceal de Abrantes do Liceu Nacional de Santarém, que se transformou em Liceu Nacional de Abrantes em 1971 e que chega aos nossos dias com a designação Escola Secundária 2.º e 3.º Ciclo Dr. Manuel Fernandes.

Apresentação do livro ‘Liceu de Abrantes: 50 anos de uma escola para todos’. Créditos: mediotejo.net

Um Liceu que conheceu diferentes casas. “Em 1975, no pós 25 de Abril, com o encerramento do La Salle, acabou por ocupar as instalações que ainda são as atuais, com as transformações que entretanto sofreu”, refere José Martinho Gaspar.

Mas no ano do cinquentenário, “a obra não ficou completa dentro do período das comemorações, acabámos por terminá-la só no final de 2017. Depois não houve condições para a sua publicação e edição. É um livro relativamente grande, com aproximadamente 150 páginas de texto, com muitas imagens, algumas muito curiosas no Edifício Carneiro, das primeiras turmas, outras dos anos 70, 80, 90 até à atualidade. Fizemos essa compilação mas não tivemos possibilidade de a publicar”, conta.

Essa oportunidade surgiu agora, na sequência da atribuição do Prémio Literário do Médio Tejo, em janeiro deste ano

Apresentação do livro ‘Liceu de Abrantes: 50 anos de uma escola para todos’. Créditos: mediotejo.net

O presidente da Comissão responsável por guiar o ciclo de eventos comemorativos dos 50 aos do Liceu de Abrantes, o professor e filósofo Mário Pissarra, foi quem convidou Joaquim Candeias da Silva e José Martinho Gaspar a realizar este projeto. Durante a apresentação do livro lembrou que “teve grandes acidentes de percurso mas chegou ao fim”, motivo que merece congratulações.

“Comemorar os 50 anos de uma escola é sempre o afirmar de visões parcelares. Porque a visão documental não passa da visão documental. A visão das pessoas vivas ou das pedras vivas que constroem uma escola com 50 anos são fundamentalmente as suas vivências, e as vivências alteram-se com o tempo”, disse.

Confessou ser “a inveja dos meu colegas por me ter ido embora”, uma das coisas com que saiu mais ferido do Liceu. “Para mim aquilo era uma dor. Porque para mim vir à escola foi sempre motivo de alegria”, apesar dos “aborrecimentos e dificuldades”, era “motivo de festa”.

Tendo lembrado algumas das iniciativas das celebrações do cinquentenário do Liceu, para Mário Pissarra valeu a pena comemorar 50 anos. “Valeu muito mais a pena a experiência e a vivência e o enriquecimento dos professores, alunos e funcionários. E valeu a pena este último ato, uma história parcelar […] porque um parte da história morre com a história de cada um”.

Apresentação do livro ‘Liceu de Abrantes: 50 anos de uma escola para todos’. Créditos: mediotejo.net

Para José Martinho Gaspar, de alguma forma escrever este livro que haveria de vencer o Prémio Literário do Médio Tejo foi como escrever sobre a própria casa. “Já é a segunda vez que escrevemos sobre a nossa casa, não é Candeias?”, questionou, referindo-se aos livros sobre Água das Casas e sobre Orca.

Em Abrantes, sobre o Liceu, “delineámos objetivos desde muito cedo e tentámos ir ao encontro daquilo que nos propusemos, fruto também daquilo que entendemos que era viável fazer-se”, explicou José Martinho Gaspar.

Apresentação do livro ‘Liceu de Abrantes: 50 anos de uma escola para todos’. Créditos: mediotejo.net

“Um livro feito com critério, sobretudo com bastante rigor. Tem muita informação interessante que vai além da história do Liceu”, garante. O titulo assume um subtítulo – ‘uma escola para todos’ – porque “o Liceu permitiu um boom no acesso à Educação” no ensino secundário em Abrantes.

“As pessoas tinham acesso através das escolas privadas, mas com o Liceu foi generalizado”. Segundo José Martinho Gaspar, em poucos anos, os alunos do Liceu eram 700. Aquando do 25 de Abril aquela escola já ultrapassava os mil alunos e “na altura que a escola se massificou, o Liceu desempenhou um papel fundamental”, considera.

Referiu que os autores não conseguiram perceber, em grande parte, “a dinâmica da sala de aula” mas sim e sobretudo encontramos neste livro “as atividades extracurriculares. Esta escola, desde 1967 até à atualidade, sempre teve muitas oportunidades para os alunos fora da sala de aula e isso aconteceu logo no Liceu antigo”.

Outra ideia presente entre as muitas letras que contam esta história prende-se com “a liberdade. As pessoas desde muito cedo, com sentido de responsabilidade, foram dando aos alunos essa liberdade e essas oportunidades”.

Apresentação do livro ‘Liceu de Abrantes: 50 anos de uma escola para todos’. Créditos: mediotejo.net

Depois, conta Martinho Gaspar, importou “perceber como foi chegar a uma escola pública massificada, com mil e tal alunos que vêm instalar-se numas instalações que estavam pensadas para um colégio privado cheio de dinheiro e com algum poder económico – tinha uma piscina e uma série de soluções -, e depois o público não ter a capacidade de gerir este espaço. Colocam-se inúmeros problemas nestas primeiras fases” e ao mesmo tempo “vão sendo criadas múltiplas soluções” para tornar “uma escola democrática, formadora de cidadãos”.

Presente na apresentação da obra esteve também o presidente da Câmara Municipal de Abrantes – ele próprio aluno do Liceu –, Manuel Jorge Valamatos, que considerou a obra “um relato rigoroso e extremamente simbólico sobre a história da educação em Abrantes”.

O autarca, que se fez acompanhar pela vereadora da Educação, Celeste Simão, e pelo vereador da Cultura, Luís Dias, referiu que a obra vencedora de um Prémio Literário do Médio Tejo “merece uma ampla divulgação, não só pela sua importância histórica mas pela memória de tantos homens e mulheres de tantas gerações, que se juntaram no Liceu para estudar e para trabalhar”.

Apresentação do livro ‘Liceu de Abrantes: 50 anos de uma escola para todos’. Créditos: mediotejo.net

Deixou agradecimentos aos que passaram por aquele estabelecimento de ensino e também uma palavra “aos que virão”, reafirmando que “a Escola Dr. Manuel Fernandes é uma grande escola”. Grande “em termos de história, de tradição, de mestria dos diretores, e dos professores, da qualidade do ensino e das pessoas excecionais que aqui são bem retratadas nesta publicação”, disse, sublinhando que o executivo municipal preconiza “uma Educação de excelência”, justificando a opção de assumir a transferência de competências nessa área e comprometendo-se na continuidade do apoio àquilo que designou como “nosso maior desígnio: educar”.

Apresentação do livro ‘Liceu de Abrantes: 50 anos de uma escola para todos’. Créditos: mediotejo.net

Por seu lado, o diretor da Escola Secundária Dr. Manuel Fernandes – e do Agrupamento de Escolas nº2 de Abrantes –, Alcino Hermínio, considerou que “escrever um livro sobre uma escola é a história dos diretores, do que fizeram, das políticas do Ministério e dos ministros que as conceberam e implementaram, é a história da colaboração com a Câmara Municipal, com os outros parceiros” mas, sublinha, “aquilo que faz a identidade de uma escola, aquilo que faz as pessoas identificarem-se com a escola, não são os diretores, nem a Câmara, nem o Ministério. É outra coisa. As pessoas lembram-se daquilo que se faz na escola nos momentos de liberdade, apesar das restrições que naturalmente os diretores impõem, e é isso que distingue as escolas, e é disso que este livro também fala”.

Apresentação do livro ‘Liceu de Abrantes: 50 anos de uma escola para todos’. Créditos: mediotejo.net

Foi a 25 de outubro de 1971 que a Secção de Abrantes do Liceu Nacional de Santarém, criada em 1967/68 passou a ser “Liceu Nacional de Abrantes” e, 50 anos depois, a efeméride marcou-se à volta deste livro, no espaço do antigo Liceu, com muitos dos alunos e professores que ali viveram anos marcantes das suas vidas.

Além da apresentação da obra decorreram momentos musicais, pelas mãos dos alunos de música da Escola Dr. Manuel Fernandes e também foi apresentado um vídeo onde antigos e recentes alunos falaram sobre o Liceu.

Apresentação do livro ‘Liceu de Abrantes: 50 anos de uma escola para todos’. Créditos: mediotejo.net

O Prémio Literário do Médio Tejo, uma iniciativa da Médio Tejo Edições realizada com o apoio da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, foi criado em 2017 para promover talentos regionais e, nesse sentido, distingue obras de autores naturais ou descendentes de famílias de um dos 13 concelhos do Médio Tejo, ou a residir na região há mais de um ano, nas áreas da Poesia, Romance e Não-Ficção.

As candidaturas à 4ª edição deste Prémio encerraram no passado dia 15 de outubro, prevendo-se para o início de 2022 o anúncio dos novos premiados que, além de um prémio monetário, veem a sua obra publicada pela Médio Tejo Edições.

Apresentação do livro ‘Liceu de Abrantes: 50 anos de uma escola para todos’. Créditos: mediotejo.net

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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