Abrantes | História Breve: a narrativa de 200 páginas acessível a todos

Foi apresentada esta terça-feira a narrativa História Breve de Abrantes, um projeto mentorado por Alves Jana, professor aposentado, doutorado em Filosofia e membro do Centro de Estudos de História Local de Abrantes – Associação Palha de Abrantes. O mentor já havia dito ao mediotejo.net que esta obra vem colmatar a falha de não existir uma narrativa sobre a história de Abrantes. O polivalente da Biblioteca Municipal António Botto encheu para receber, de braços abertos, as duzentas páginas de História Breve da cidade centenária.

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Não sabemos para onde vamos. Mas sabemos que estamos a caminho. E, pelo menos, sabemos – um pouco – de onde vimos”, Alves Jana in História Breve de Abrantes, 2016

Assim começou a apresentação, feita por Alves Jana, seguindo as, também breves, introduções dos autores Davide Delfino, Isilda Jana e José Martinho Gaspar.

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Esta pretende ser uma narrativa acessível “desde a mais remota pré-história até ao mês de novembro de 2016”, segundo explicou Alves Jana em entrevista ao mediotejo.net.

Uma vez mais, o organizador justificou a realização desta obra “pelo facto de não haver uma história de Abrantes que seja digerível hoje com as exigências de informação que temos”, acrescentando que “há escritos lendários, desde o século XIX, o que até há bem pouco havia disponível era um textinho de 1952, com muita imaginação e pouca história, chamemos-lhe assim”.

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“Sendo eu professor, via os alunos a entregarem na escola trabalhos baseados nessa narrativa que não tinha consistência histórica. Isso sempre me incomodou”, disse Alves Jana. Foto: mediotejo.net

Ainda assim, houve tempo para uma confidência. Uma das razões que levaram Alves Jana a preocupar-se com esta lacuna pela ausência de uma narrativa histórica do concelho, prende-se com sua carreira profissional. “Sendo eu professor, via os alunos a entregarem na escola trabalhos baseados nessa narrativa que não tinha consistência histórica. Isso sempre me incomodou. Ver os alunos a estudarem informação errada e a apresentá-la na escola como se fosse investigação de ensino secundário, isso incomodou-me sempre”, contou.

Por outro lado, o também autor e Doutor em Filosofia, mencionou que o facto de haver “muita coisa escrita de investigação, monografias, cronologias, e artigos na revista Zahara e noutras revistas” inquietavam-no, questionando o porquê de não haver uma narrativa. No seu entender “as sociedades precisam de ter narrativas (…) para a sua identidade, para a sua auto-consciência e saberem, por um lado, quem são, e por outro lado, esse ‘quem são’ tem a ver com aquilo que tem sido a sua vida”, afirmou.

“Eu insisto, – como se costuma dizer – insistentemente, tanto quanto posso, com a ideia de que nós estamos a fazer a História, eu creio que esta ideia não passa suficientemente bem. Muitas vezes pensamos ou que a História é feita pelas grandes figuras do passado, ou pelas lutas dos povos do passado, e esquecemos que o passado teve o seu presente. E o nosso presente é hoje. Somos nós que estamos a fazer hoje a história desta terra, e deste país e deste mundo”, fez notar.

Luís Correia Dias, vereador com o pelouro da Cultura da CM Abrantes, esteve presente no lançamento desta História Breve. Segundo o vereador esta é “uma obra que reforça os nossos sentimentos de pertença (…) temos mesmo de amar Abrantes e a forma como nos ajudam a amar a nossa cidade torna mais fácil a sua leitura, e a própria perceção daquilo que é a história dos homens e mulheres que construíram esta nossa, agora, cidade”.

15292856_1287348687994112_1660564451_oQuanto à adesão a esta iniciativa, Alves Jana disse não estar surpreendido, pois “há em Abrantes muitas pessoas que se interessam pela sua terra, pela sua história, e portanto, num acontecimento destes em que alguém prometia vir contar a história da sua terra, é essa a razão principal. As pessoas que assinam os textos também são pessoas conhecidas, e isso talvez tenha trazido alguém”, disse.

O apelo final é “Comprem o livro e leiam-no, é essa a questão fundamental”. Quanto à distribuição, irá começar “o mais rapidamente possível”, mas os exemplares vão estar onde os quiserem aceitar. Ainda assim, a Biblioteca Municipal António Botto deverá ser um ponto de consulta/venda, bem como a Associação Palha de Abrantes, através do Centro de Estudos de História Local, com sede no edifício Sr. Chiado, na Praça do município.

Além do mentor e autor Alves Jana, a obra conta com participação de Davide Delfino, Isilda Jana, Joaquim Candeias da Silva e José Martinho Gaspar. Clara Jana é responsável pelo design gráfico da obra, muito elogiado durante a sessão de apresentação.

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Isilda Jana foi uma das colaboradoras neste projeto. Escreveu “Da Revolução Liberal à Primeira República”. Foto: mediotejo.net
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