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Abrantes | Habitações que arderam nos incêndios vão entrar em obra

As obras nas duas habitações que arderam nos incêndios deste verão em Abrantes – uma total e outra parcialmente – estão em fase de resolução processual. Segundo a presidente da autarquia, a Câmara Municipal “fez o seu trabalho” para que a obra possa começar em breve. Maria do Céu Albuquerque, à margem daquela que foi a primeira reunião pública do novo executivo camarário, falou ainda ao mediotejo.net da expectativa que têm após o relatório da Comissão Técnica Independente sobre os incêndios de Pedrógão Grande e das medidas que saíram do Conselho de Ministros extraordinário do passado dia 21 de outubro.

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A presidente da Câmara Municipal de Abrantes reuniu, esta segunda-feira, em Vila Nova de Poiares com o ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, Capoulas Santos e com o ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques. Maria do Céu Albuquerque trouxe para casa a garantia de ver reparadas as infraestruturas municipais que arderam no fogo. “As candidaturas estão abertas e que nós vamos apresentar candidatura” ainda que no concelho de Abrantes “felizmente esse investimento seja pequeno, não tivemos grandes perdas nas infraestruturas municipais”, avançou ao mediotejo.net esta quarta-feira. Contudo, na consolidação das áreas ardidas “temos muito trabalho a fazer” nomeadamente “na proteção da qualidade da água de Castelo de Bode e evitar os fenómenos de erosão”, acrescentou.

Estas integram uma parte das medidas de emergência avançadas pelo Governo, trabalho que, de acordo com a presidente, já vinha a ser desenvolvido, foi sistematizado e reforçado no último Conselho de Ministros extraordinário, no passado sábado. Saíram dois tipos de medidas “as imediatas, ou seja, como alimentar os animais que ficaram sem pastos, como retirar os animais mortos sob pena de causarem problemas de saúde pública, como resolver os problemas das pessoas que perderam os seus bens, casas, empresas”, refere Maria do Céu Albuquerque admitindo  “ser o foco, para criar melhores condições de vida aos cidadãos” uma vez que “milhares de pessoas ficaram fragilizadas” com os incêndios de junho e outubro.

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Entre elas as famílias proprietárias das duas habitações que arderam nos incêndios deste verão no concelho de Abrantes – uma habitação que ardeu totalmente em Aldeia do Mato e outra que ardeu parcialmente em Carvalhal. A autarca assegura que o trabalho de reconstrução está a ser tratado na CCDR Centro com apoio da Caritas Diocesana de Portalegre e será brevemente resolvido. “A CM desempenhou o seu papel, fazendo os trabalhos necessários para que a obra possa começar em breve”.

Foto: mediotejo.net

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A responsável refere ainda “outra componente emergente relacionada com a consolidação das áreas ardidas para evitar os fenómenos de erosão, de arrastamento, de partículas e de materiais que podem vir a causar problemas não só de enchentes que prejudiquem mais uma vez estas populações fragilizadas mas também a qualidade das águas, nomeadamente na Albufeira de Castelo de Bode” que abastece parte do concelho de Abrantes.

Depois há outro conjunto de medidas “fundamentais para a reflorestação, o ordenamento da floresta, para tirarmos rentabilidade deste ativo e evitar que daqui a 10 anos estejamos de novo” a debater a temática dos devastadores incêndios florestais.

Para melhor avaliação das medidas do Governo, incluindo para o concelho de Abrantes, Maria do Céu Albuquerque sugere paciência. “Vamos aguardar que venham a público as medidas em relação à reflorestação e que conheçamos um pouco mais sobre as medidas de Proteção Civil que venham a ser anunciadas decorrendo da Unidade de Missão que foi apresentada” para os incêndios florestais.

Na Missão para a Gestão Integrada de Fogos Rurais que vai criar a Agência proposta pela Comissão Técnica independente, a presidente avançou depositar “grande expectativa”, até porque diz conhecer “bem” o trabalho da pessoa que ficou à frente desta Unidade de Missão, nomeadamente porque “acompanhou o incêndio de Abrantes deste ano durante as operações de contra-fogo que tivemos que fazer”, indicou.

Referindo-se a Tiago Oliveira, a autarca aproveitou para elogiar o engenheiro florestal. “É um grande profissional. É um académico mas que além disso tem conhecimento de terreno, fundamental para podermos estabelecer uma boa metodologia nacional no combate a estes flagelos”.

Quanto ao relatório da Comissão Técnica Independente, nomeada pelo Parlamento para analisar os factos relativos aos incêndios de Pedrogão Grande, Maria do Céu Albuquerque confessa não ter realizado uma leitura exaustiva. “Outros o farão por mim” disse ao mediotejo.net. No entanto, espera que “todos registemos o que correu menos bem e que está vertido nesse documento” mas também “o que correu bem e que pode ser potenciado para que corra ainda melhor”.

A expectativa da autarca prende-se com a utilização do relatório no “trabalho que é preciso fazer no âmbito da prevenção, do combate, da reflorestação e também nas medidas de emergência que todos aspiramos que sejam concretizadas o mais rapidamente possível”.

Os mais de 500 incêndios que deflagraram no dia 15 de outubro, o pior dia de fogos do ano segundo as autoridades, provocaram 45 mortos e cerca de 70 feridos. A segunda situação mais grave de incêndios com vítimas mortais em Portugal, após Pedrógão Grande, a 17 de junho deste ano, em que o fogo provocou 64 mortos e mais de 250 feridos.

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Paula Mourato
A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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