Abrantes | Greve dos trabalhadores dos CTT “por mais carteiros” arranca com adesão de (quase) 100%

Concentração de trabalhadores no primeiro dia da greve parcial nos CTT, em Abrantes. Créditos: SNTCT

A greve dos trabalhadores dos CTT de Abrantes, pela contratação de mais carteiros, arrancou no dia 29 de junho com uma adesão inicial de quase 100% na central de Abrantes, de acordo com o Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações (SNTCT). Trata-se de uma greve parcial “na luta por melhores condições de trabalho e pela defesa da qualidade do serviço público postal” que se prolonga “pelo menos” até 10 de julho com duas horas de paralisação diária.

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“Cada trabalhador fará greve nas duas primeiras horas de cada horário”, explica Dina Serrenho, dirigente nacional do SNTCT, afirmando a greve como “último recurso”.

“Não nos resta outra alternativa porque a empresa não corresponde às nossas exigências e muito menos às exigências da população em geral”, ou seja, “que o correio seja entregue atempadamente e nas devidas condições”, refere a sindicalista.

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No que toca a números de adesão, no primeiro dia “os únicos trabalhadores que não aderiram à greve foram os dois contratados e o chefe. Todos os outros, se formos a contar os efetivos, contamos com 100%” em greve, contabilizou.

No entanto, a dirigente sindical espera uma resolução rápida da situação e que a empresa perceba o problema. “Cada vez há mais correio por entregar”, diz, acusando a empresa de “denegrir a imagem dos CTT” e de “prejudicar gravemente a população com correio de um mês por entregar e encomendas” que aguardam “há mais de um mês” para chegarem ao destinatário, assegura.

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Dina Serrenho afirma que a única exigência neste momento passa pela contratação de recursos humanos, ou seja, “mais carteiros, para poderem servir bem a população”. São necessários profissionais “que saibam o que andam a fazer, que não sejam trabalhadores precários”, afirmou, indicando que a empresa está a oferecer trabalho “ao dia, sem qualquer tipo de contrato”.

São necessários profissionais “que saibam o que andam a fazer, que não sejam trabalhadores precários”. a empresa está a oferecer trabalho “ao dia, sem qualquer tipo de contrato”

A responsável sindical conta que na manhã do dia 29 de junho, em Abrantes, os trabalhadores depararam-se “com pessoas de fora, que nunca viram uma carta, e que não têm qualquer vinculo laboral” com qualquer empresa. “Estão cá porque precisam de ganhar dinheiro. Levam as nossas encomendas para a rua e nem sequer sabem onde é a cidade de Abrantes”, afirma. Tal exposição será realizada junto da Autoridade para as Condições do Trabalho, garante a sindicalista.

Segundo Dina Serrenho, os CTT de Abrantes encontram-se “muito reduzidos” em meios humanos. “Não somos capazes, dentro do nosso horário – e muitas vezes dando horas e não almoçando –, de entregar o correio, e que sabemos que faz falta aos destinatários. Vestimos a camisola, gostamos do que fazemos, somos profissionais e a população quando vê o carteiro passar na rua pensa que não há correio, quando efetivamente está retido no Centro de Distribuição Postal”.

Uma situação que classifica como “muito grave”, com trabalhadores “muito cansados” e que não sabem o que dizer perante as reclamações dos utentes. No Médio Tejo “são muitos os Centros de Distribuição Postal com, seguramente, três semanas de correio dentro de caixas em que ninguém mexe”.

Outra preocupação do Sindicato prende-se também com a população idosa “que não sabe lidar com as novas tecnologias e está à espera de um exame médico, de uma carta para uma consulta”. Os atrasos na entrega do correio “está a causar um stress enorme”, afirma.

No Médio Tejo “são muitos os Centros de Distribuição Postal com, seguramente, três semanas de correio dentro de caixas em que ninguém mexe”, diz o sindicato

No primeiro dia da greve parcial dos trabalhadores dos CTT de Abrantes. Créditos: SNTCT

O sindicato dá conta de uma reunião agendada com o presidente da Câmara Municipal de Abrantes para o dia 3 de julho, adiantando que irá “agendar outras reuniões com diversos presidentes de Câmaras do Médio Tejo”, designadamente Sardoal e Constância, no sentido de os Municípios fazerem “alguma pressão” junto da empresa, uma vez que o serviço público postal “está a tornar-se um caos”, uma situação que não é única do Médio Tejo, mas nacional.

A sindicalista declara que a falta de carteiros prende-se com “dinheiro para entregar aos acionistas”. Atualmente “a empresa está preocupada com o setor bancário e a entrega de encomendas. Quem está a assegurar estas duas empresas é a empresa mãe, os Correios, obrigados a prestar um serviço público. Estão a desviar os nossos meios humanos para essas duas empresas”, diz, lamentando que também nos CTT Expresso “os padrões de qualidade não estão a ser cumpridos”.

Outras ações de luta estão pensadas no caso dos trabalhadores não virem as suas reivindicações atendidas com esta greve parcial. “Os trabalhadores estão disponíveis para continuar a luta até onde for necessário”, diz.

Os trabalhadores dos CTT manifestam-se ainda contra o pagamento do subsídio de almoço no cartão de refeição a que se junta a reivindicação por “melhores condições de trabalho”. Brevemente irão “discutir a tabela salarial, sendo que a empresa já disse na primeira reunião que o aumento salarial será zero”, adianta Dina Serrelho.

Para já, durante 15 dias os trabalhadores dos CTT de Abrantes em greve vão estar concentrados com tarjas e com distribuição de comunicados à população em diversos locais da cidade, tendo começado o protesto na Av. 25 de Abril, entre as 07h30 e as 09h30.

A concentração acontecerá também:

dia 30 de junho, das 07h30 às 09h30, na Rotunda das Oliveiras;

dia 1 de julho, das 07h30 às 09h30, em frente ao Quartel de Abrantes;

dia 2 de julho, das 07h30 às 09h30, na Rotunda A23;

dia 3 de julho, das 07h30 às 09h30, Avenida D. João I;

dia 6 de julho, das 07h30 às 09h30, na Avª 25 de Abril, 127, Edifício São João;

dia 7 de julho, das 07h30 às 09h30, na Rotunda das Oliveiras;

dia 8 de julho, das 07h30 às 09h30, em frente ao Quartel de Abrantes;

dia 9 de julho, das 07h30 às 09h30, na Rotunda A23;

e dia 10 de julho, das 07h30 às 09h30, Avenida D. João I

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