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Sexta-feira, Setembro 24, 2021

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Abrantes | Governo reúne com Câmara, CIMT e trabalhadores para discutir Central do Pego (C/ÁUDIO)

A Câmara Municipal de Abrantes vai reunir esta quarta-feira com o secretário de Estado da Energia, João Galamba, para debater o processo de concurso público para a reconversão da Central Termoelétrica do Pego. Manuel Jorge Valamatos deu conta na reunião de executivo que o Governo, no âmbito da criação de um caderno de encargos, quer escutar a autarquia, a Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo e os representantes dos trabalhadores.

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Na segunda-feira, o presidente da Câmara Municipal de Abrantes recebeu “um e-mail do secretário de Estado da Energia, João Galamba, a concretizar aquilo a que nos tínhamos proposto”, começou por dar conta Manuel Jorge Valamatos (PS) durante a reunião de executivo desta terça-feira, 24 de agosto.

O convite surgiu para a autarquia, Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo e Comissão de Trabalhadores da Central Termoelétrica do Pego integrarem “uma equipa” no sentido da “construção de um caderno de encargos” tendo em vista o concurso público para a reconversão da Central do Pego, concurso que será lançado brevemente na sequência do encerramento da central a carvão no final de novembro.

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“O que foi acordado depois da decisão do Governo lançar um concurso público sobre a reconversão da Central, nós – Câmara Municipal e CIMT – insistimos na vontade de participar num grupo de trabalho que tenha em vista o caderno de encargos do concurso”, explicou o presidente da Câmara de Abrantes ao nosso jornal.

Em causa “a defesa de postos de trabalho, a economia da nossa região e houve esse comprometimento, inclusivamente por parte do ministro do Ambiente, Pedro Matos Fernandes, e do secretário de Estado João Galamba, de que quando esse caderno de encargos fosse elaborado, os agentes do terreno – quer a Câmara Municipal, quer a Comunidade Intermunicipal, quer os representantes dos trabalhadores – iam ser ouvidos. Querem a nossa participação naquilo que é a estrutura do concurso”, afirmou.

A primeira reunião decorre esta quarta-feira, 25 de agosto, e “aquilo que queremos é defender os postos de trabalho, criar eventualmente mais, criar mais atividade económica. Queremos ter um grande projeto de reconversão para a região”, defendeu.

Segundo o autarca, o executivo está focado, “depois do governo ter decidido que ia abrir um concurso publico, em ter um grande projeto para Abrantes, que possa dinamizar a atividade económica e é isso que vamos defender e trabalhar”.

“Otimista” em relação ao futuro, Valamatos referiu ainda desejar que o processo “seja o mais célere possível. Que possa acontecer o mais rápido possível de forma a minimizar os impactos, sobretudo entre os trabalhadores e da atividade económica do nosso concelho”.

ÁUDIO | MANUEL JORGE VALAMATOS, PRESIDENTE CM ABRANTES:

Em julho último, o presidente manifestou “enorme preocupação” pela ausência de decisão quanto ao futuro da Central Termoelétrica do Pego, lembrando que estão em causa postos de trabalho, com despedimentos coletivos já em curso.

Manuel Jorge Valamatos disse à Lusa, no mês passado, lamentar que, a escassos meses do fim da operação com carvão na central da Tejo Energia, marcado para 30 de novembro, não seja conhecido qual o seu destino, apesar das garantias dadas, em reuniões tanto com o ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Matos Fernandes, como com o secretário de Estado da Energia, João Galamba, de que “a esta altura já teria sido feita a apresentação de um grande projeto para o Pego”.

Segundo o autarca, em causa estão 70 a 80 postos de trabalho das quatro empresas prestadoras de serviços e outros tantos da PEGOP, com o encerramento a ter impacto em numerosas famílias e na economia não só de Abrantes, mas de toda a região.

A Trustenergy, principal acionista da Tejo Energia, anunciou, em maio, ter um projeto para concretizar de forma faseada, num investimento de 900 milhões de euros, que apostaria inicialmente nos resíduos florestais locais e, em fases posteriores, noutras fontes de energia, como o hidrogénio, a solar e a eólica.

Um memorando da CIMT sobre o processo afirma que o projeto permitiria assegurar o funcionamento da central sem “alterações significativas durante o processo de reconversão, utilizando-se todo os componentes essenciais, como a caldeira, turbinas e geradores, evitando os efeitos negativos e as nefastas consequências que a desativação e de comissionamento desta instalação industrial […] acarretaria para o território onde se insere e para o país”.

O documento salienta que o projeto de reconversão da Central Termoelétrica do Pego para utilização de biomassa como combustível “dispõe já de licença ambiental emitida pela APA” (Agência Portuguesa do Ambiente) e que já foi submetido à Direção-Geral de Energia e Geologia o pedido de alteração de combustível de carvão para biomassa.

A Endesa, a segunda maior acionista da central do Pego, quer, contudo, que o Governo lance novo concurso e propõe um projeto de 600 milhões de euros, que inclui a construção de uma central solar fotovoltaica, o desenvolvimento de capacidade de armazenamento com baterias e a instalação de um eletrolisador com capacidade de produção de hidrogénio verde.

No início de junho, o ministro do Ambiente e da Ação Climática disse à Lusa que, perante o desacordo entre os principais acionistas da Tejo Energia, foi perdido o direito ao ponto de injeção à rede elétrica, o qual será atribuído por concurso público.

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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