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Terça-feira, Outubro 26, 2021

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Abrantes | Fregueses de Rossio ao Sul do Tejo unem-se para reavivar a sua terra

Trata-se de um grupo de pessoas cujo objetivo é olhar para as necessidades do Rossio ao Sul do Tejo e analisar aquilo que se pode fazer para trazer mais vida e mais dinâmica a uma freguesia que está a esmorecer, e cujos filhos da terra estão a partir para outras estâncias por via dos compromissos profissionais e pessoais. Mas na terra há ainda quem acredite que há um futuro risonho no horizonte, a fazer lembrar a grande movimentação de bens e pessoas de outrora, quando o rio era o principal canal de ligação e transporte de mercadorias até à capital do país.

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Para tal, foi criada a Comissão instaladora daquela que virá a ser Comissão de Melhoramentos da freguesia, uma organização comunitária que acredita que essa nobre memória, dos tempos áureos rossienses, pode ser sinal de que, havendo vontade e persistência, as coisas acabarão por melhorar.

Partindo da ideia de que o Rossio, à semelhança de outras localidades do interior do país, tem sido esquecido estes últimos anos, sofrido também com a desertificação e envelhecimento populacional, surge em conversas de café entre Manuel Correia, Nuno Kunga e Fernando Correia a vontade de criar esforços para levar avante ideias que melhorem a qualidade de vida na freguesia. O movimento vai juntando pessoas que partilham da mesma vontade, de várias faixas etárias. O objetivo é apenas um: voltar a reerguer aquilo que se foi perdendo.

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Surge baseando-se no exemplo de S. Miguel do Rio Torto, no caso caso concreto de requalificação da zona central (praça) desta localidade que é englobada na União de Freguesias, e que também fora apoiada por uma comissão de melhoramentos.

E segundo Nuno Kunga é um “exemplo de que é possível criar movimentos que possam ir ao encontro das prioridades atuais, e uma delas é a regeneração do tecido urbano”.

Contando com a colaboração da União de Freguesias, “as reuniões decorrem na sede da junta de freguesia, e tem havido contacto, tendo a freguesia conhecimento deste projeto” e sendo um suporte de base que sustenta este projeto.

O próprio presidente da junta, Luís Alves, foi também motivador para que este movimento ganhasse forma, assumiu Nuno em entrevista ao mediotejo.net.

Fernando Correia, e o pai, Manuel Correia, integram esta Comissão instaladora juntamente com Nuno Kunga, e que conta já com mais de 12 pessoas envolvidas. A preocupação prende-se com o facto de ser imperativo “manter o património e reestruturar”, referiu Fernando Correia, chef pasteleiro da Pastelaria Tágide, estabelecimento na zona central do Rossio.

O grupo intergeracional integra este movimento pelo freguesia, juntando uma série de problemáticas que requerem especial atenção, e posteriomente, atuação. Caso do sem número de prédios degradados, quer privados, quer industriais, que são marca muito presente e visível, nomeadamente ao longo da estrada principal, a EN 118, que atravessa a localidade.

Por sua vez, e sendo este um sinal evidente, o abandono da freguesia é também preocupação destes cidadãos, que a todo o tempo querem conseguir contribuir para contrariar esta tendência, fazendo com que aqueles que fazem da freguesia a sua morada possam vivê-la de forma digna, com equipamentos que proporcionem qualidade de vida e estilos de vida saudáveis, caso da ideia de fazer um parque intergeracional, ajardinado e com bolsa de estacionamento, na zona centro, numa das propriedades anexas a um dos edifícios degradados e, a pouco e pouco, em ruína. E mais: junto à obra onde está a nascer o novo equipamento de saúde da freguesia.

O edifício gerador de preocupação desta Comissão e dos empresários da zona central, um de muitos ao longo da EN118, que atravessa o Rossio e que está ao abandono e em risco de ruína. Foto: mediotejo.net

“Em situação de risco, nomeadamente algumas partes já caíram, junto à estrada nacional”, é assim que Fernando Correia descreve o estado do prédio em frente ao largo da igreja, e por sua vez, em frente do estabelecimento da família.

“A necessidade é a recuperação daquele espaço, mas não é fácil, porque neste momento está em tribunal. Agora, se houver esforços da parte de todos, a possibilidade de resolução e a rapidez da mesma, serão evidentes”, acrescentou Nuno Kunga, mencionando que havendo esforços será mais fácil passar de uma fase de planeamento a uma fase de execução. À semelhança do projeto de S. Miguel do Rio Torto.

A Pastelaria tem sido palco de inúmeras visitas de grupos, que participam em workshops, e segundo os proprietários aqueles edifícios ao abandono representam dois fatores negativos: deixam má impressão aos visitantes e representam perigo para os mesmos, uma vez que o autocarro acaba por passar e, muitas vezes, estacionar naquele troço da estrada para que os passageiros possam sair, explicou Fernando Correia, fazendo notar algum descontentamento e preocupação.

Uma das visitas com paragem na Pastelaria de Manuel e Fernando Correia, onde se verifica grande afluência de participantes e consternação para estacionar os autocarros, bem como de circulação das pessoas naquela zona central. Fotos: Fernando Correia

“Os residentes do Rossio, e nós somos residentes do Rossio, sabemos que este espaço é central. É o centro da terra, e está ali agora a ser construído o novo centro de saúde. A situação de combate a este problema é de todos, dos cidadãos, dos políticos, das empresas. De quem tiver capacidade de ser ativo e de alguma forma conseguir criar aquilo que é um sistema de ajuda”, explicou Nuno Kunga.

E é aqui, nesta explicação, que está a génese deste grupo. “A princípio quisemos constituir um grupo informal, e o propósito era formalizarmos a situação, porque tínhamos só em mente este espaço e a recuperação do mesmo. Entretanto, começámos a sentir que podíamos começar a fazer um pouco mais”, salientou, fazendo notar que Manuel Correia foi proponente deste projeto no Orçamento Participativo de Abrantes 2017.

“A candidatura foi colocada no OP já com a noção de que, se tivéssemos acesso ao financiamento, seria empregue num estudo, num levantamento de toda a zona urbana e edificada de toda a freguesia, para podermos ter uma noção real do que está em situação de ruína/degradação”, disse.

Prevenção é a palavra de ordem, e a intervenção destes cidadãos pretende exatamente isso: prevenir situações de perigo e mal-estar entre populares e/ou visitantes, por exemplo, pela queda de fachadas ou pedaços dos edifícios em ruína.

“Começámos por ser 3 ou 4, com o nosso tempo, de voluntariado, a juntar-nos. Criámos um plano e uns flyers e entregámos na rua à população, a informar do Orçamento Participativo e da candidatura com este projeto”, disse Nuno, notando que “está a haver feedback por parte das pessoas”.

“Este é o momento apropriado, e visto que a natureza da política de valorização do Interior vai muito para esta forma de regeneração do tecido urbano, julgo que estamos no sítio certo, na hora certa e no momento certo. E somos nós que temos de fazer acontecer, porque não são outros que cá estão, somos nós que cá estamos”, concluiu Nuno Kunga, acrescentando que “não estamos preocupados com quantos somos, mas sim, com quantos vamos ser daqui para a frente. Porque queremos integram jovens na entidade, queremos deixar herança”, afirmou, confiante.

A Comissão já tem página nas redes sociais, e a pouco e pouco, está a passar a palavra entre os rossienses. Segundo os responsáveis a proposta foi preterida da lista de propostas do Orçamento Participativo 2017, mas ninguém baixará os braços.

“Sendo este projeto o motivo de arranque para nossa Organização Comunitária do Rossio, comunicamos que não vamos desistir e iremos junto do Município efetuar todas as diligências no sentido de que seja executado o nosso projeto”, pode ler-se na página, onde constam ainda agradecimentos aos conterrâneos que seguem e acreditam nesta Comissão.

Os responsáveis pretendem agora pedir esclarecimento sobre a não elegibilidade da proposta à votação do Orçamento Participativo 2017 do Município de Abrantes.

A Comissão mostrou ao mediotejo.net alguns dos edifícios degradados que constituem a zona central do Rossio, e que esperam vir a tornar-se espaços de utilidade pública ou recuperados por via de privados.

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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