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Quinta-feira, Outubro 21, 2021

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Abrantes | Frasam declarada insolvente insiste em plano de recuperação

A Frasam – Fundições do Rossio de Abrantes, S.A. está insolvente. A sentença de declaração de insolvência foi proferida no dia 5 de dezembro de 2018, pelo Tribunal Judicial de Santarém. No entanto, a empresa continua a laborar diariamente, apesar de não ser a 100%, tal como apurou o mediotejo.net junto da Frasam. O prazo para reclamação dos créditos foi fixado em 30 dias mas continua em marcha um plano para a sua viabilização.

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São cerca de 300 os credores da Frasam, em Rossio ao Sul do Tejo, Abrantes, que reclamam créditos a rondar os 11 milhões de euros. As instituições bancárias estão entre os principais credores, mas da lista fazem parte também fornecedores e trabalhadores. Atualmente trabalham nas Fundições do Rossio 83 trabalhadores.

Devido a problemas financeiros, e no sentido de revitalizar a empresa, submeteu ao Juízo de Comércio do Tribunal de Santarém um Processo Especial de Revitalização (PER) em julho, mas o administrador da insolvência, Carlos Cintra Coimbra Torres, solicitou a 19 de novembro de 2018 o encerramento do processo negocial, no âmbito do PER, por “impossibilidade de alcançar um acordo”.

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Em reunião de executivo, esta terça-feira, 11 de dezembro, a presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Maria do Céu Albuquerque, disse saber de “uma tentativa de reabilitar a empresa” após a declaração de insolvência, em resposta ao vereador do Partido Social Democrata, Rui Santos, que pediu um ponto de situação.

Em reunião anterior, a autarca reconheceu que a empresa centenária “está a passar por momentos muito difíceis”, falando de questões financeiras, problemas tecnológicos “sérios”, e ambientais. Deu conta da realização de uma reunião, em que a CMA se fez representar, com a PME Investimentos e com o presidente do conselho de administração da empresa, Bernardo Alegria.

A autarquia efetuou diversos contactos com a PME Investimentos no sentido de perceber se seria possível tomar uma posição que pudesse evitar a declaração de insolvência e a consequente suspensão de trabalhadores, mas, referiu a autarca, “não há nada que possamos fazer, o que lamentamos profundamente”.

Perante a declaração de insolvência, a mesma pode originar um plano de recuperação ou, no caso de não ser aprovado, a venda dos bens apreendidos pela massa insolvente.

Trabalhadores e outros autarcas manifestam-se apreensivos, nomeadamente o presidente da Junta de freguesia de Rossio ao Sul do Tejo, Luís Alves, que em sessão de Assembleia Municipal, a 30 de novembro, deu conta do despedimento de 40 trabalhadores “já com os papéis da suspensão”. Com o mês “crítico” do Natal à porta, considerou “os problemas muito mais agudos” falando de uma previsão de despedimento de 43 pessoas. “São, na totalidade 83 operários, 83 famílias, o que será um universo, feito por baixo, de 240 pessoas que vão ficar pelas ruas da amargura”, disse, apelando a “um braço amigo que lhes possa dizer que estamos cá, estamos com vocês e vamos vencer isto juntos”.

Situada no Rossio ao Sul do Tejo, a FRASAM iniciou atividade no ano 1900 com uma pequena fundição de ferro cinzento e máquinas agrícolas, gerida pelo empresário João José Soares Mendes.

Em 2002 foi adquirida maioritariamente pelo grupo empresarial Fimove Investimentos.

Com mais de 118 anos de atividade, a FRASAM é uma das fundições mais antigas da Europa, sendo o seu trabalho reconhecido em Portugal, assim como nos países para onde exporta como Holanda, Espanha, Alemanha, França, Suíça, Bélgica, Suécia, Inglaterra, Colômbia, Cuba, Venezuela, Marrocos, Moçambique, entre outros. Dedica-se à fundição de ferro fundido e fabrico de máquinas para indústrias alimentares.

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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