Quinta-feira, Março 4, 2021
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“Abrantes foi a 33ª povoação do país a receber o estatuto de Cidade”

No dia em que se celebra os 100 anos sobre a aprovação da elevação de Abrantes a cidade pelo Congresso da República, esta sexta-feira, dia 20 de maio, durante a conferência “Abrantes 100 Anos”, o professor catedrático Pedro Tavares de Almeida salientou um fator interessante: “Abrantes foi a 33ª povoação do país a receber o estatuto de cidade”.

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O auditório da Biblioteca António Botto foi o espaço que acolheu, ao final do dia desta sexta-feira, a conferência comemorativa dos 100 anos da Cidade de Abrantes que contou com a intervenção do professor catedrático Pedro Tavares de Almeida, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

Maria do Céu Albuquerque, presidente da Câmara Municipal de Abrantes, presidiu à abertura da sessão começando por referir a decisão por unanimidade do Congresso da República de elevar Abrantes a Cidade e recordar as palavras de Manuel Lopes Valente Júnior: “A História de Abrantes é uma história de liberdade e de independência”.

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A autarca agradeceu ao Comissário Fernando Catroga “que nos tem ajudado a edificar esta grande obra das comemorações do Centenário” e também ao professor Pedro Tavares de Almeida que se associou a este momento e a Isabel Cavalheiro que se dedicou ao trabalho do livro sobre Abrantes.

Na sua intervenção, Maria do Céu Albuquerque recordou ainda Eduardo Campos, “alguém que Abrantes nunca poderá esquecer: foi um homem notável, brilhante, que dedicou toda a sua vida a um trabalho que estará sempre associado à nossa memória coletiva”, destacou.

Maria do Céu Albuquerque, presidente da Câmara Municipal de Abrantes, durante a sessão de abertura da Conferência "Abrantes 100 Anos" (Foto: mediotejo.net)
Maria do Céu Albuquerque, presidente da Câmara Municipal de Abrantes, durante a sessão de abertura da Conferência “Abrantes 100 Anos” (Foto: mediotejo.net)

Maria do Céu Albuquerque avançou ainda que no dia 14 de junho, aquando das comemorações do Centenário, será inaugurado um marco escultórico que vai ter o registo da primeira criança que nasceu em Abrantes a dia 1 de janeiro de 2016, e onde todos os anos serão inscritos os nomes dos primeiros nascidos a 1 de janeiro de todos os anos: “porque a comunidade é feita de pessoas”, sublinhou.

Durante a grande aula, Pedro Tavares de Almeida fez um enquadramento genérico da evolução das reformas administrativas no Portugal contemporâneo, focando em particular o contexto liberal da Monarquia Constitucional e depois da 1ª República.

“Uma vez que estamos aqui a comemorar o centenário da elevação de Abrantes a Cidade, focando a relevância dessas reformas, que foram múltiplas, em sentidos divergentes, por vezes, e que são um aspeto muito importante para perceber aquilo que é uma dimensão fundamental no funcionamento de qualquer sociedade, que são as relações entre o centro e a periferia, entre a administração central e local, entre o poder governamental e as comunidades locais”, disse.

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(da esq. para direita) Isabel Cavalheiro, Fernando Catroga, Maria do Céu Albuquerque e Pedro Tavares de Almeida (Foto: mediotejo.net)

Um dado interessante focado pelo professor Pedro Tavares de Almeida sobre Abrantes “é a circunstância de o processo de elevação a cidade, ter sido um processo relativamente parcimonioso até muito tarde: “das 160 cidades existentes em 2013, cerca de 75% tinham sido criadas no contexto da democracia atual e Abrantes, quando foi elevada a cidade, apenas 32 outras povoações tinham essa categoria, portanto, Abrantes foi a 33ª povoação do país a receber o estatuto de Cidade o que, no contexto do regime republicano, é algo que foi bastante parcimonioso porque apenas 3 povoações ascenderam à categoria de cidade. Abrantes foi a 1ª, em 1916, e posteriormente Portimão e Vila Real”.

“Este é um dado interessante e que sublinha o facto de ser uma classificação atribuída de forma tão parcimoniosa revela que Abrantes teria seguramente alguma relevância política no contexto da época, aliás o que é sugerido também pela circunstância de Abrantes ser, também durante boa parte da segunda metade do séc. XIX, sede de um círculo eleitoral, integrando outros concelhos limítrofes”, salientou Pedro Tavares de Almeida.

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Isabel Cavalheiro, professora e historiadora, autora do livro “Abrantes Centenária – Processo de elevação a cidade” (Foto: mediotejo.net)

A sessão “Abrantes 100 Anos” terminou com o lançamento do livro “Abrantes Centenária – Processo de elevação a cidade”, da autoria da professora e historiadora Isabel Cavalheiro.

Neste livro, os leitores “encontram todo o processo de elevação a cidade, com todos os factos históricos, e também um certo enquadramento nacional de Abrantes na altura, nos inícios do séc. XX”.

Nesta obra, Isabel Cavalheiro, destaca “a situação da Vila que, embora muito rural, com muito interesse por aquilo que se passa a nível nacional e destaco sobretudo o Manuel Lopes Valente Júnior que num “golpe político” conseguiu que a sua proposta fosse aprovada e que Abrantes fosse elevada à categoria de cidade”.

Isabel Cavalheiro destaca ainda “os abrantinos republicanos que têm um papel digno de destaque muito importante” neste processo de elevação de Abrantes a cidade.

No âmbito das comemorações dos 100 anos sobre a aprovação da elevação de Abrantes a cidade pelo Congresso da República, está a decorrer na Escola Secundária Dr. Manuel Fernando a exposição “Há 100 anos era assim”, organizada pelo departamento de Ciências Sociais e Humanas.

abrantes_expo ESMF_100 anos (Foto: mediotejo.net)
Exposição “Há 100 anos era assim”, na Escola Secundária Dr. Manuel Fernandes, em Abrantes (Foto: mediotejo.net)

BOTTO
Apresentação de quadro com a imagem do poeta António Botto, do pintor contemporâneo Abel Manta, por Adelino Pires, e visita à exposição “100 Anos de Autores Abrantinos”

Entrou no mundo do jornalismo há cerca de 13 anos pelo gosto de informar o público sobre o que acontece e dar a conhecer histórias e projetos interessantes. Acredita numa sociedade informada e com valores. Tem 35 anos, já plantou uma árvore e tem três filhos. Só lhe falta escrever um livro.

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