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Abrantes | Focos de poluição voltam ao Tejo e a debate em reunião de executivo

A poluição no Tejo persiste há vários anos. Depois do grave incidente de 2018, as pressões dos ativistas ambientais e defensores do rio, ao longo do seu curso, intensificaram-se devido às sucessivas descargas poluentes. Na terça-feira o Tejo voltou a reunião de executivo de Abrantes, tema levado à mesa pelo vereador do Bloco de Esquerda, que reconheceu o “trabalho” realizado nos últimos anos em defesa do rio mas tendo alertado que, apesar das melhorias, a poluição continua.

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“É lamentável que mais uma vez haja notícias sobre a poluição no rio Tejo e alguns afluentes e por incrível que pareça não se consegue encontrar um responsável. A promessa de acabar com a impunidade, mais uma vez, fica-se por sessões, conferências, declarações na televisão, na rádio e nos gabinetes”, começou por dizer o vereador eleito pelo Bloco de Esquerda, na reunião de Câmara Municipal de Abrantes que teve lugar na terça-feira, dia 9.

Para Armindo Silveira, “a falta de consciência ambiental é um dos grandes problemas” considerando “demasiado frágil” a exigência de “quem tem responsabilidade de gerir o território”. Confessou “com alguma tristeza que nem pelo facto dos ativistas ambientais serem perseguidos com processos judiciais nos faz acordar um pouco desta apatia coletiva. Sabemos que quem irá pagar esta fatura são as gerações vindouras”.

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Para o vereador e ativista ambiental “desistir não é opção” mas reconhece ser uma situação que o deixa, bem como outros ativistas e associações mais próximas dos problemas do rio Tejo, “com um amargo de boca”, exemplificando também com o rio Nabão e o rio Alviela.

Após anos de denúncias, a carga poluente detetada na região de Abrantes, em janeiro de 2018, foi a gota de água, que levou as entidades responsáveis ao terreno concluindo por uma origem em descargas da indústria da pasta de papel. Na época, a Agência Portuguesa do Ambiente detetou níveis de celulose “cinco mil vezes” acima do normal.

Situação que entretanto “melhorou”, reconhecem os eleitos em Abrantes, embora com episódios de “espuma”. Armindo Silveira reconhece o trabalho realizado em Portugal mas aponta problemas na barragem de Cedilho, vindos do lado espanhol.

O rio Tejo “só está na ordem do dia quando aparece alguma espuma”, disse, por sua vez, o vereador eleito pelo Partido Social Democrata, Rui Santos, manifestando-se entristecido. Notou que “o Tejo é de todos, não é de nenhum partido político, não é de nenhum movimento. É triste vermos aquilo que temos visto nos últimos tempos acontecer. É uma falta de consciência e de ética de quem provoca estas situações”, tendo afirmado não acreditar que exista um propósito indicando “negligencia”.

Para Rui Santos o rio Tejo deve “ser um assunto que tem de unir todas as forças políticas abrantinas, todos os movimentos”, não sendo “com comunicados, posts ou bandeiras” em alertas que se encontra uma solução para os problemas de poluição do rio. Por isso, propôs que o executivo de Abrantes, incluindo os vereadores da oposição, reúna brevemente com todos os deputados eleitos pelo distrito de Santarém.

Do lado do Partido Socialista, o presidente deu conta de estar previsto no plano de atividades do executivo reunir “não apenas com os deputados eleitos pelo distrito de Santarém, mas com algumas entidades relevantes nesta matéria, nomeadamente a Agência Portuguesa do Ambiente”.

Manuel Jorge Valamatos (PS) garantiu que tem mantido contactos com a direção regional da APA “de forma muito continuada e muito sucessiva”. O autarca admitiu que “circunstancialmente existem episódios [de poluição] mesmo sem espuma – que dá jeito do ponto de vista fotográfico para dar conta de uma coisa que não está bem – mas as águas não têm uma coloração aceitável. Tenho feito várias manifestações de desagrado”.

No entanto, o presidente lembrou que “há meses o maior ativista de defesa do Tejo”, Arlindo Marques, “afirmou na presença do senhor ministro [do Ambiente] que o Tejo hoje não tinha nada a ver com há cinco ou seis anos. Todos temos de reconhecer que o Tejo melhorou substancialmente na sua qualidade e até nas questões da quantidade” do caudal da água, apesar do inverno “atípico”, ou seja, com muita chuva.

Avançou que a Câmara Municipal de Abrantes continua semanalmente a monitorizar e a ter resultados das análises à agua do rio Tejo. Manuel Jorge Valamatos defende que a APA “deverá ter uma fiscalização mais apertada e rapidamente encontrar onde estão as fontes de poluição. Na verdade há dias que a água está extremamente amarelada e que no açude cria espuma”, disse, lembrando a intenção do executivo de Abrantes de lançar uma candidatura para o rio Tejo ser património da UNESCO.

Em resposta ao vereador Rui Santos, Armindo Silveira criticou as anteriores declarações do social democrata. “Ando há muitos anos nestas lutas e nunca vi nenhuma placa a dizer que o rio Tejo era propriedade do Bloco de Esquerda e que o PSD não podia lá entrar. Não vi nenhuma placa a dizer que o senhor vereador que mora a 500 metros do rio estava proibido de ir lá abaixo e também nunca li nenhuma informação que o senhor vereador não podia fazer denuncias ao SPNA, à PSP, à GNR”.

Relativamente às redes sociais Armindo Silveira acrescenta não ter verificado impedimento de Rui Santos “poder expor alguns assuntos” relacionados com o Município de Abrantes “e outras situações” do “dia a dia da política”, vincando respeitar a opinião do eleito do PSD.

Armindo Silveira garante ter acompanhado muitas reuniões e intervenções também com os deputados do PSD eleitos pelo circulo de Santarém. Dirigindo-se ainda a Rui Santos considerou que o vereador do PSD “está completamente fora daquilo que são os problemas do rio Tejo. Nunca o vi em nenhuma reunião, em nenhuma conferência”.

Por sua vez, Rui Santos respondeu ao vereador do Bloco de Esquerda considerando a intervenção nas redes sociais como “um não assunto” e manifestou-se “habituado” a que Armindo Silveira “deturpe” as suas intervenções.

O social democrata salientou não necessitar “de tirar fotografias ou vir para as redes sociais ou para os jornais para mostrar que estou preocupado com este ou aquele assunto, seja o Tejo, a Educação ou a Segurança. O PSD tem muita gente, não se resume ao vereador. Tem órgãos políticos, os seus deputados e era só o que mais faltava era, vir para as reuniões de Câmara, dizer o que faço enquanto cidadão ou enquanto vereador, que tenho responsabilidades, ou o que os meus companheiros de partido fazem seja na Assembleia da República seja na Comunidade intermunicipal”.

Já em novembro do ano passado o rio Tejo apresentou um novo foco de poluição verificado e fotografado na zona de Abrantes. As fotos correram as redes sociais assemelhando-se a cenários anteriormente vistos, incluindo um manto de espuma branca junto à queda de água do açude insuflável.

As imagens captadas junto ao rio fizeram lembrar um episódio registado em janeiro de 2018, quando um manto de espuma branca com cerca de meio metro cobriu o rio Tejo na zona de Abrantes, junto à queda de água do açude insuflável, num cenário descrito como “dantesco” pelo proTEJO e como “assustador” pelo município.

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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