Abrantes | Foco de poluição e espuma desaparece do rio Tejo, autarca apela a denúncias céleres (c/áudio)

O foco de poluição que se verificou e foi fotografado no Tejo na zona de Abrantes na quarta-feira, 18 de novembro, desapareceu quase tão depressa quanto chegou. Os flocos de espuma branca junto à queda de água do açude insuflável deram hoje lugar a um rio aparentemente limpo e sem poluição.

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O presidente da Câmara de Abrantes esteve junto ao rio, assim como responsáveis da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), e disse ao nosso jornal que hoje já não se viu nada parecido com as imagens que foram publicadas nas redes sociais e que o rio Tejo apresentava hoje um registo normal. Para Manuel Jorge Valamatos (PS), a rapidez é importante para se poder atuar de imediato e detetar quem esteja a prevaricar em termos ambientais, tendo feito notar que ninguém contactou a Câmara e que só soube do caso pelas redes sociais.

“Lamentavelmente tivemos esta informação pelas redes sociais, mas assim que soube contactei a APA, manifestaram uma disponibilidade imediata e estiveram hoje no rio Tejo. Não verificaram qualquer foco de poluição e vão continuar a analisar a montante”, disse o autarca, dando conta de não se saber a origem do foco de poluição registado por populares e ambientalistas.

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Manuel Jorge Valamatos apelou a que situações similares sejam de imediato reportadas às autoridades competentes, seja à autarquia, ao SEPNA/GNR, ou à APA, porque, atuando de imediato, é maior a probabilidade de encontrar quem esteja a prevaricar, tendo feito notar que a autarquia de Abrantes tem um cuidado permanente com a qualidade das águas do Tejo, um rio que foi maltratado durante muito tempo e que importa não ver poluído.

Manto de espuma desapareceu do Tejo, junto ao açude de Abrantes. Foto: mediotejo.net

As imagens captadas junto ao rio na quarta-feira pelo fotógrafo Pedro Costa fizeram lembrar um episódio registado em janeiro de 2018, quando um manto de espuma branca com cerca de meio metro cobriu o rio Tejo na zona de Abrantes, junto à queda de água do açude insuflável, num cenário descrito na ocasião como “dantesco” pelo movimento ambientalista proTEJO e como “assustador” pelo município.

Uma situação que o movimento proTEJO confirmou na quinta-feira e que disse temer ao ter verificado há cerca de duas semanas “longos rastros de espuma em Tramagal”, disse ao mediotejo.net o ambientalista Armindo Silveira, também vereador na Câmara de Abrantes, eleito pelo BE.

Foi na sequência dessa espuma que Armindo Silveira filmou o rio no qual “já se via espuma”, tendo o movimento ambientalista alertado no dia 11 de novembro a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) fazendo “uma exposição preventiva e enviando o vídeo” no sentido de alertar para o regresso da poluição ao rio Tejo.

“Sabia o que estava a acontecer, por isso fui várias vezes ao rio e filmei, mas nunca consegui captar o que as fotos de Pedro Costa mostram”, afirma. No entanto, segundo Armindo Silveira, “pescadores confirmaram que no final de outubro, início de novembro o Tejo apresentava já indícios de poluição”.

Em declarações ao nosso jornal, Armindo Silveira acrescentou que o movimento ambientalista proTejo aguarda agora pronúncia das entidades competentes, mas estranha que no site da APA, ao dia de hoje [quinta-feira], não conste resultados da qualidade da água do rio referente à estação de Belver ou à estação de Tramagal, revelando que “os níveis de oxigénio na barragem do Fratel são muito baixos, a três quando devia estar a cinco”.

Na quarta-feira, o cidadão Pedro Costa fotografou o rio Tejo, cerca das 15h00, junto à queda de água do açude insuflável de Abrantes e publicou as fotografias nas redes sociais, nas quais é visível a espuma branca, na água, nas rochas e nas margens do rio. Em forma de legenda escreve: “Há já alguns dias que esta é a imagem do Tejo à passagem pelo açude de Abrantes”.

Os dados da barragem do Fratel e da barragem de Perais constam na página da APA. Fotos de Pedro Costa, registos de quarta-feira, dia 18 de novembro:

Notícia em janeiro de 2018:

Abrantes | Manto de espuma “dantesco” e “assustador” cobre rio Tejo (C/VIDEO)

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Mário Rui Fonseca
A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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