Abrantes | Feira da Doçaria ainda em dúvida. Município focado em “proteger as pessoas” (c/aúdio)

XVIII Feira Nacional de Doçaria Tradicional, em Abrantes. Foto arquivo: mediotejo.net

Na última reunião de Câmara de Abrantes, o vereador do PSD, Rui Santos, questionou o executivo sobre a possibilidade de realização este ano da Feira Nacional de Doçaria Tradicional, defendendo que “o Município de Abrantes não é menos do que a Festa do Avante”. Por sua vez, o presidente da autarquia, Manuel Jorge Valamatos (PS), respondeu que a realização de eventos hoje é uma questão “difícil de gerir” e garantiu que o foco neste momento é “proteger as nossas pessoas”.

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A tradição em Abrantes dita que o último fim de semana do mês de outubro seja o mais doce do ano na cidade, com a realização da Feira Nacional de Doçaria Tradicional. Todos os anos, o melhor da doçaria nacional enche as vitrinas dos expositores que participam nesta iniciativa da Câmara Municipal de Abrantes, organizada em colaboração com a TAGUS – Associação para o Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Interior, estando habitualmente representadas no certame iguarias de norte a sul do país e também das ilhas.

Este ano, aconteceria a décima nona edição, mas a verdade é que, devido aos constrangimentos provocados pela pandemia de Covid-19, a sua concretização está ainda em análise.

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A questão foi colocada pelo vereador Rui Santos (PSD) ao presidente do Município de Abrantes, quando falava sobre as medidas que foram adotadas pela autarquia para fazer face à Covid-19 e aquelas que estavam previstas, tendo em conta “os números que têm vindo a público nos últimos dias” e a possibilidade de existir uma segunda vaga.

Foi aí que o vereador social-democrata deixou a pergunta no ar: “Temos a Feira da Doçaria quase à porta. Vamos realizar a Feira da Doçaria? Não vamos realizar? Vamos esperar?”.

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Reunião de Câmara de Abrantes, 1 de setembro de 2020. Foto: mediotejo.net

Admitindo que neste momento “é evidente que as pessoas começam a questionar-se sobre o que é que irá acontecer”, Rui Santos admite que “se fosse hoje, e atendendo àquilo que está a acontecer a nível nacional, a minha decisão seria ‘vamos realizar’, porque o Município de Abrantes não é menos do que a Festa do Avante”.

 

Em resposta, o presidente da Câmara Municipal, Manuel Jorge Valamatos, não se comprometeu para já com nenhuma decisão, admitindo, no entanto, que o foco da autarquia é “proteger as nossas pessoas”.

“Andamos num trabalho imenso com o Centro Hospitalar [do Médio Tejo], com o ACES, com os médicos, com os enfermeiros (…) fazemos tanto trabalho e depois vamos arriscar porquê?”, reiterou o autarca, lembrando também o cancelamento das Festas da Cidade, em junho passado.

 

Manuel Jorge Valamatos refere ainda que a realização de eventos tendo em conta o panorama atual é uma situação “difícil de gerir emocionalmente, e até do ponto de vista daquilo que sentimos que a sociedade também necessita”.

Lembrando que “a vida não para”, o autarca lembrou que o Município tem também “parado com um conjunto de eventos desportivos, culturais. Temos vindo a fazer isso, pondo aqui uma pressão enorme sobre a não realização de eventos”, notou, tendo feito notar que tais decisões são tomadas no sentido de “proteger as nossas pessoas”.

“Esta questão do Covid-19 surge em Portugal de um dia para o outro e houve, num espaço curto de dias houve alterações muito significativas naquilo que é a gestão das nossas comunidades. Se nós neste momento tivéssemos a vacina e se o assunto estivesse relativamente resolvido, poderíamos estar a dirigir-nos, do ponto de vista do pensamento, para outras ordens de orientação. Com esta situação de incerteza, estamos todos muito preocupados”, conclui Valamatos.

MUNICÍPIO GASTOU QUASE 1 MILHÃO DE EUROS COM A COVID-19

Entre fornecimento de material de proteção individual e apoios à população e entidades do concelho, o Município de Abrantes gastou já perto de um milhão de euros devido à pandemia de Covid-19.

O presidente da Câmara Municipal conta apresentar os números detalhados na próxima reunião do executivo, mas avançou que os custos tidos devido à pandemia “é muito perto já de um milhão de euros”. “Um peso significativo naquilo que são as nossas contas e naquilo que é o nosso orçamento”, disse o autarca.

Manuel Jorge Valamatos destacou, nomeadamente, o apoio concedido aos munícipes e entidades do concelho no que respeita às faturas da água dos meses de abril, maio e junho, em que todos os cidadãos beneficiaram, pelo menos, de 20% de desconto na conta da água.

“Suportámos 400 mil euros, que deixámos de cobrar, e libertámos a nossa comunidade de pagar”, sublinhou. “Um valor muito significativo (…) Uma responsabilidade enorme que assumimos para ajudar a nossa comunidade a suportar melhor esta situação onde estamos todos envolvidos”.

Para já, o autarca admite que não é necessário avançar com nenhum orçamento retificativo. “Neste momento, não é essa a situação. Mas também não sabemos o dia de amanhã”, notou.

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