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Abrantes | Fecho do ensino primário em Carvalhal põe fim às escolas básicas do norte do concelho

O encerramento da Escola Básica de Carvalhal, no norte do concelho de Abrantes, foi aprovado esta terça-feira, 24 de julho, em reunião de Câmara Municipal, por unanimidade. A medida, tida por inevitável, significa o fecho da última escola onde ainda se viam crianças no ensino primário nas freguesias mais a norte do concelho, caso de Carvalhal, Fontes, Souto e Aldeia do Mato. Na base da decisão esteve a transferência dos alunos do 1º ciclo do ensino básico da referida escola, restando somente um aluno do 2º ano para a frequentar, que terá assim transporte assegurado para a estabelecimento de ensino de acolhimento: a E.B. Maria Lucília Moita, em Abrantes. 

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A Escola Básica de Carvalhal já não abre no próximo ano letivo para as crianças do ensino primário. Contrariamente ao que o Executivo da Câmara Municipal de Abrantes anunciou em junho, indicando que a única escola básica das freguesias do norte do concelho manter-se-ia em funcionamento, apesar dos poucos alunos, esta terça-feira o encerramento foi aprovado em reunião de Câmara por unanimidade.

Os encarregados de educação dos onze alunos matriculados no 1º Ciclo procederam à transferência dos seus educandos “ao longo do ano letivo”, explicou a vereadora Celeste Simão ao mediotejo.net, ficando somente um aluno do 2º ano para a frequentar no próximo ano educativo, o que inviabilizou a manutenção e continuidade do ensino primário.

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Esta informação chegou do serviço de Educação da Divisão de Conhecimento do Município e foi comunicada à DGEstE – Direção Geral dos Estabelecimentos Escolares -, depois de ouvidos os membros do Conselho Municipal de Educação, os quais consideraram que, não havendo alternativa, a solução passa pelo encerramento do 1º CEB naquela escola.

O Executivo havia levado à reunião de Câmara de 26 de junho a intenção de manter a Escola Básica de Carvalhal a funcionar durante o próximo ano letivo, apesar dos quatro alunos que restavam, dos onze matriculados no início ano letivo de 2017/2018.

A maioria desses alunos acabou por escolher a escola de Sardoal, “pela proximidade geográfica” acredita a vereadora, ainda assim, algo que “surpreendeu” o executivo uma vez que o “pedido de transferência” não passa pela Câmara Municipal.

Dos quatro alunos até então na escola de Carvalhal “um foi para o Sardoal, outro saiu por terminar o quarto ano e outro foi transferido para a Escola Maria Lucília Moita o que quer dizer que matriculado na escola ficou um aluno no 2º ano de escolaridade, o que não sustenta a continuidade da escola”, disse Celeste Simão.

Escola Básica de Carvalhal

Na Escola Básica de Carvalhal, o ensino pré-escolar continua a funcionar com onze alunos, situação que alimentou algumas “expectativas” no executivo, disse a vereadora com o pelouro da Educação, admitindo esperar que “o pré-escolar alimentasse o 1º Ciclo. Só que isso não aconteceu”, lamentou.

Com a perda de população no interior do País, Celeste Simão considera esta situação “grave” ao mesmo tempo que refere ser na periferia da cidade de Abrantes que as escolas ainda “vão tendo algum, ligeiro, acréscimo de alunos”.

Perante os factos, Celeste Simão advoga “uma forma mais alargada” do entendimento sobre o que é o norte do concelho, incluindo, “talvez, até Rio de Moinhos”. E defende, para alterar o paradigma da falta de crianças, “a criação de postos de trabalho” ao mesmo tempo que se institua nas empresas “métodos de conciliação do trabalho com a vida familiar” no sentido dos pais “terem mais tempo para dedicar aos filhos”.

O edifício da Escola Básica de Carvalhal, para já, fica para o ensino do pré-escolar, e pode “ser dinamizada por associações” das freguesias do norte do concelho, sugere Celeste Simão.

A escola recebeu uma intervenção/requalificação de fundo há nove anos, enquadrada num investimento municipal para recuperação/regeneração, incluindo construção nova, de velhas escolas (Rossio, Pego, Carvalhal e Chainça), num investimento total de 194.988,99 euros, com equipamento (mobiliário escolar) no valor de 6.735,66 euros e material didático no montante de 2.357,11 euros, representando um investimento global na ordem dos 200 mil euros. A obra foi inaugurada no dia 14 de setembro de 2009.

A remodelação do antigo espaço da escola primária envolveu a construção de novo edifício, com a criação de um centro de recursos, uma sala polivalente e refeitório, biblioteca e espaço de recreio com parque infantil. A reabilitação das três salas de aula, arrecadações e zonas de circulação existentes, incluindo novas infraestruturas elétricas, telecomunicações, rede estruturada e deteção de incêndios. Foi ainda construída uma rampa para pessoas com mobilidade condicionada e ampliadas as instalações sanitárias, equipamento que mantém as melhores condições técnicas e funcionais. Faltam, no entanto, as crianças.

Também o Jardim da Infância e o 1º Ciclo da Escola de Concavada, igualmente no concelho de Abrantes, vão encerrar no próximo ano letivo em Abrantes, no âmbito do Reordenamento e do Reajustamento da Rede Escolar da Educação Pré-Escolar e das Escolas do 1º Ciclo do Ensino Básico para o ano letivo 2018/2019.

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Paula Mourato
A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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