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Sábado, Outubro 23, 2021

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Abrantes | Estudante de Tramagal retido na Lituânia sem saber quando regressa a Portugal

João Antunes, estudante de Turismo, residente em Tramagal, está retido na Lituânia sem conseguir até agora regressar a Portugal. Ele e outros 17 estudantes portugueses, em programa Erasmus, foram surpreendidos com o encerramento de fronteiras e do espaço aéreo no contexto da pandemia de covid-19. O único voo que a família tinha conseguido marcar foi entretanto cancelado. E a incógnita permanece enquanto a preocupação aumenta.

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Na comissão parlamentar de Assuntos Europeus, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, deu conta, na semana passada, que dos 420 pedidos de apoio de estudantes do programa Erasmus, 353 casos estavam resolvidos porque os alunos já tinham voltado a Portugal. Nos números dos regressados não se inclui João Antunes, de 20 anos, atualmente na Lituânia em Erasmus, como estudante da Turismo da Escola Superior de Ciências Sociais de Portalegre.

Na mesma situação, provocada pelo novo coronavírus que encerrou desde fronteiras ao espaço aéreo, encontram-se naquele país mais 17 estudantes portugueses. João vive em Tramagal (Abrantes) e segundo o pai, Rui Antunes, “está há quase um mês a tentar regressar a Portugal” sem sucesso. O único voo que a família havia conseguido marcar, para o dia 20 de abril, foi entretanto cancelado e agora aguardam que a companhia aérea encontre nova solução.

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“Tínhamos conseguido arranjar um voo para dia 20 e entretanto foi cancelado”, assegura Rui Antunes, explicando as tentativas que tem feito junto das companhias aéreas na esperança de obter um voo que traga de volta o seu filho a Portugal.

Os contactos da família do estudante em Erasmus estendem-se também à Secretaria de Estado das Comunidades, à Câmara Municipal de Abrantes – “por ter uma ligação mais direta com os órgãos institucionais e estão ao corrente da situação” – e ao Ministério dos Negócios Estrangeiros “que nos facultou o contacto de uma agência que trata dos voos para o Estado”. Rui após pedir ao filho que os estudantes portugueses na Lituânia se organizassem, encaminhou as reservas de oito deles. João Antunes está na cidade de Klaipéda e outros estudantes estão em Vilnius e outros ainda em Kaunas.

Após o cancelamento do voo, a companhia aérea fez saber que “poderá haver outro voo, em que já não chegam no mesmo dia mas com escala, não em Bruxelas mas em Frankfurt”, contudo têm de ficar no aeroporto de um dia para o outro, para poderem regressar a Portugal, na melhor das hipóteses no dia 21 de abril.

Inicialmente os estudante optaram por ficar na Lituânia “uma vez que Portugal estava com a epidemia a crescer, mas a própria universidade aconselhou os estudantes a regressarem ao país de origem e querem é vir embora. Mas estamos neste impasse”, lamenta.

João Antunes chegou à Lituânia no dia 28 de janeiro de 2020 e iria ficar naquele país do báltico até 28 de junho. O pai conta que o filho, tal como os restantes portugueses, permaneceram na residência de estudantes após o encerramento da universidade.

“Inclusive estão a ter aulas online, o que não o impede de vir para Portugal. A partir do momento que lhes disseram que era melhor regressarem por causa do encerramento das fronteiras, o João ficou assustado, particularmente quando começaram a dar datas de voos só para 31 agosto. Tenho tentado resolver isto da melhor maneira porque na Lituânia os estudantes estão um bocado condicionados nem sabem muito bem o que fazer”, admite Rui.

Na Lituânia a situação assemelha-se à portuguesa na questão das medidas de contenção, designadamente na quarentena, do confinamento social e do encerramento de institutos públicos e privados. Mas “não é uma situação que acompanhemos muito porque não passam notícias daquele país na televisão”, nota o pai.

Rui Antunes, confiante no trabalho das autoridades, admite “não ser fácil acudir a todas as pessoas” mas, após quase um mês de espera, dá conta de “alguma revolta” por parte dos estudantes portugueses tendo “visto notícias sobre timorenses, angolanos e turistas portugueses repatriados e os estudantes que estão numa situação validada pelo próprio Estado, é um projeto do Ministério, e não estão conseguir sair de lá. Sentem-se um bocadinho deixados para trás”.

Rui manifesta-se “cada vez mais preocupado” ao ver os voos cancelados e a situação sem fim à vista. “Ainda por cima se tiverem voo tendo de fazer escala passando uma noite no aeroporto em Frankfurt, na Alemanha, que também tem bastantes casos de covid-19, implica mais cuidados. É muito complicado perante a situação atual”, considera.

Sobre as medidas que os estudantes terão de tomar quando chegarem a Portugal, nomeadamente sobre uma possível quarentena, Rui diz que o filho ainda não recebeu qualquer orientação. “Penso que a Direção Geral da Saúde está um pouco desorganizada ao nível das informações. Vemos que não fazem testes a quem chega… Se calhar, quando o João chegar, por nossa iniciativa, ligar para a linha saúde 24 e pedir orientações”, conclui.

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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