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Sábado, Julho 24, 2021

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Abrantes | Estreia da Orquestra Sinfónica do Liceu quatro anos depois do sonho (C/vídeos)

O final do 2º período na Escola Secundária Dr. Manuel Fernandes (ESMF), em Abrantes, foi assinalado na quinta-feira com o resultado do trabalho desenvolvido por alunos e docentes da Escola. A comunidade abrantina pôde assistir a um momento marcante e singular, com a estreia da Orquestra do Curso Básico de Música da ESMF.

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Na noite de 22 de março o auditório da Escola Secundária Dr. Manuel Fernandes (ESMF), em Abrantes, praticamente lotado. Poucos minutos antes das 21h00, pais acompanham filhos, alunos distribuem folhetos com o programa, netos sorriem para avós, num misto de entusiasmo e nervosismo pelo que será apresentado em palco, esperançados e olhos postos no sucesso.

Apresenta-se mais uma sessão dos Concertos do Liceu, desta vez com a estreia da Orquestra Sinfónica composta por alunos do Curso Básico de Música cujo diretor José Horta sonhou conjuntamente com o diretor da Escola, Alcino Hermínio, um dia colocar em prática. E esse dia chegou.

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Os jovens músicos das orquestras de guitarras apresentam-se de camisa branca, alguns de laço preto ao pescoço, calça-azul escura e vários olhares que vão do tímido ao cúmplice passando pelo compenetrado. Os miúdos ajeitam os instrumentos e as pautas. Segue-se um curta pausa. A partir dali e durante mais de 60 minutos, os alunos da ESMF absorveram a sala. As batutas dos maestros marcaram o ritmo num bailado próprio, primeiro com as guitarras depois em duos desenvolvidos na classe de conjunto de piano onde entraram clarinetes e trompetes e por fim a Orquestra Sinfónica do Liceu que mais não é do que e a fusão das duas orquestras que a Escola tem a funcionar; a de cordas e a de sopros.

Concertos do Liceu 2018 com os alunos do Curso Básico de Música da Escola Secundária Dr. Manuel Fernandes

São cerca de 120 alunos no Curso Básico de Música do Ensino Artístico Especializado da ESMF. Desta vez as classes de coro não passaram pelo palco. Tão pouco os alunos que tocam instrumentos que não são de orquestra, ainda assim “a semana de estágio de orquestra envolveu todos os alunos do curso de música” explicou o diretor do curso, José Horta, “num trabalho intenso mas muito bonito para os alunos”.

A suavidade reina no repertório escolhido para apresentar aos pais, amigos e familiares daqueles que arriscaram estudar um instrumento. Seja pela limpidez do espírito dos alunos que interpretaram as obras, seja pela escolha das peças tranquilas e harmoniosas dos compositores em questão como Michael Praetorius, passando por Georges Bizet com ‘Habanera’ ou Rob Romeyn com ‘Call to Glory’ ou ainda ‘Andaluzia’ do professor José Horta.

Após a estreia da Orquestra Sinfónica do Liceu, um sonho que começou há quatro anos e um passo algo gigantesco para uma escola pública, Alcino Hermínio deixou um apelo.

“Agora precisamos que nos apoiem, para chegarmos mais longe oferecendo música a Abrantes… sei lá, ao País” arriscou, referindo entre o entusiasmo dos aplausos que o caminho foi percorrido com ajudas vindas da Sociedade Artística Tramagalense, da Escola Superior de Educação de Santarém, e da Escola Superior de Tecnologia de Abrantes, do Agrupamento de Escolas de Vialonga “que tem um curso e uma orquestra idêntica e que têm sido amigos a quem recorremos quando não sabemos como fazer as coisas” e ainda do Colégio Moderno de Lisboa recentemente na ESMF em concerto com uma das suas orquestras.

“É assim que vemos: parcerias. Não existimos para nós, existimos para a comunidade. É assim que queremos fazer e reforçar o futuro”. Na oportunidade Alcinio Hermínio agradece às Associações de Pais que apoiam nos projetos da Escola nomeadamente no Curso Básico de Música.

Em curso “uma recolha de fundos para ajudar a comprar um piano de cauda. Tenho informação que está bem encaminhado mas precisamos de mais apoio”, disse lembrando o jantar que decorre este sábado na Escola precisamente com esse objetivo.

Concertos do Liceu 2018 com os alunos do Curso Básico de Música da Escola Secundária Dr. Manuel Fernandes

No Curso Básico de Música entra “uma turma por ano letivo. Trinta alunos que é o número máximo que conseguimos admitir” desde há quatro, quando o projeto nasceu do desafio que José Horta lançou a Alcino Hermínio. A primeira turma que entrou para este projeto de conservatório em regime integrado está no oitavo ano de escolaridade, explica ao mediotejo.net José Horta, comportando alunos a partir dos 10 até aos 13 anos.

Desta forma, é constituída uma turma por ano com alunos que estudam diferentes instrumentos. “Têm as disciplinas da componente geral. Além disso têm as disciplinas do conservatório” acrescenta. E em Portugal “são poucos deste tipo. Em escolas básicas e secundárias este é o terceiro do País. Os alunos têm tudo dentro da Escola, quer as disciplinas da componente geral, quer da componente artística”, refere.

Na área da música “uma hora individual de instrumento, uma hora partilhada, depois têm as orquestras, vários tempos letivos de formação musical e as classe de coro”, pormenoriza.

O pensamento posto em prática principiou com uma orquestra da guitarras, mais tarde foi criada uma orquestra da cordas, depois uma orquestra de sopros. “Era um sonho antigo meu ver crescer o grupo, a Escola, ao alunos em termos de competências ao ponto de conseguirmos fazer uma orquestra sinfónica”. Missão cumprida.

Ao conseguir por o plano em andamento José Horta sente orgulho dos seus alunos, que estende à Escola por ter apostado neste projeto. “Quando lancei o desafio achámos que seria quase impossível” até por ser um curso que exigia aulas individuais numa escola pública. Mas “com insistência, fomos ao Ministério da Educação e conseguimos criar este curso de ensino artístico especializado em regime integrado”.

Sente-se particularmente orgulhoso, até porque “a cidade precisava de um conservatório”, defende. A ideia do Ministério da Educação passava pela “articulação” com outra escola onde os alunos frequentassem aulas de componente artística, em Tomar ou Torres Novas. A distância valeu como crédito para validar o curso na ESMF, explica José Horta que principiou os estudos no conservatório de Tomar, o primeiro conservatório regional, antes de frequentar o Ensino Superior.

O professor José Horta, diretor do Curso Básico de Música da Escola Secundária Dr. Manuel Fernandes e a Orquestra Sinfónica do Liceu

O professor considera ser a “cultura que marca a diferença nas cidades” tanto é assim que em Abrantes as iniciativas culturais têm cada vez mais público. “É a música, é o teatro, tudo o que se passa no âmbito cultural que marca a diferença e temos muitos exemplos no País”.

Os instrumentos são comprados pelos aprendizes, e este ano letivo a escola abriu apenas três vagas para cada instrumento. Os alunos que são sujeitos a “uma espécie de prova de seleção” antes de entrar no curso, “não precisam de saber tocar um instrumento, nem saber cantar”, apenas são sujeitos a exercícios que revelam a sua aptidão para a música. “Só conseguimos admitir 30 porque precisamos de muitas salas. Com aulas individuais, as nossas quatro turmas ocupam tantas salas como nove turmas do ensino regular em permanência de manhã ao fim do dia”.

Daí a importância para a ESMF da possibilidade de transferir a posse do antigo edifício da “residência de estudantes” para o Agrupamento de Escolas. A devolução deste edifício à escola permitiria criar condições suficientes para dar mais dignidade e qualidade ao ensino artístico especializado.

“Todas têm manifestado essa vontade, e temos dado alguns passos nesse sentido” com algumas reuniões no Ministério da Educação e com a presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Maria do Céu Albuquerque. José Horta está confiante no sucesso dessa transferência. “Acho que vamos conseguir”, diz a rir.

Após a estreia da Orquestra Sinfónica do Liceu, o próximo passo “passa pelos alunos adquirirem mais competências na área da música” mesmo sabendo que nem todos vão ser músicos profissionais, o professor valoriza as competências adquiridas na consolidação da “concentração e método de estudo”, beneficiando os estudantes “dando-lhes maturidade e disciplina”.

José Horta defende que Abrantes “está a ganhar muito com o curso. A nossa Escola está a ganhar e se os nossos alunos estão a ganhar penso que ganha a cidade toda”. Longe da ideia da criação de “um grande espetáculo”, além da aquisição de competências, o objetivo do projeto pretende “que os alunos se apaixonem cada vez mais pela música e que sejam felizes”, conclui.

O director da ESMF, Alcino Hermínio, e o professor José Horta, diretor do Curso Básico de Música

Em agenda, para o encerramento do terceiro período letivo, um outro concerto em forma de audição final. E na expectativa do habitual, a Escola conta com um auditório, onde cabem cerca de 300 pessoas, com lotação esgotada.

No concerto desta quinta-feira à noite, o professor João Martins assumiu o papel de maestro da primeira orquestra de guitarras, da segunda orquestra de guitarras o professor Pedro Baptista, da terceira José Horta. A professora Carolina Alves, a responsável pelos duos desenvolvidos na classe de conjunto de piano, duos esses que foram escolhidos pelos próprios alunos para atuar em palco. Finalmente a Orquestra do Liceu teve como maestro o professor Vitor Ávila.

Abrantes | Estreia da Orquestra Sinfónica do Liceu esta noite na Escola Secundária Dr. Manuel Fernandes.

Publicado por mediotejo.net em Quinta-feira, 22 de Março de 2018

Abrantes | Concerto de estreia da Orquestra do Curso Básico de Música da Escola Secundária Dr. Manuel Fernandes.

Publicado por mediotejo.net em Quinta-feira, 22 de Março de 2018

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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