Abrantes | Escola de Concavada encerra no próximo ano letivo

Reunião de Câmara Municipal de Abrantes

O Jardim da Infância e o 1º Ciclo da Escola de Concavada, no concelho de Abrantes, vão encerrar no âmbito do Reordenamento e do Reajustamento da Rede Escolar da Educação Pré-Escolar e das Escolas do 1º Ciclo do Ensino Básico, para o ano letivo 2018/2019. A medida foi avançada esta terça-feira, 26 de junho, em reunião de Executivo, pela vereadora da Educação, Celeste Simão. Na mesma sessão a vereadora disse ainda que a Escola Básica de Carvalhal mantém-se a funcionar durante o próximo ano letivo, apesar dos onze alunos matriculados no 1º Ciclo. O parecer neste sentido chegou do Conselho Municipal de Educação reunido a 16 de maio.

PUB

Relativamente ao 1º Ciclo do Ensino Básico à semelhança do ano transato, o Conselho Municipal de Educação emitiu um parecer pelo “não encerramento da E.B. de Carvalhal”, mas ao contrário dos anos anteriores, decidiu por “não solicitar autorização excecional de funcionamento, por mais um ano”, para a Escola Básica de Concavada, o que significa o seu encerramento e a transferência dos alunos para a Escola Básica de Alvega, na União de Freguesias de Alvega e Concavada, no concelho de Abrantes.

“A Escola EB1 de Concavada já estava encerrada há cerca de cinco anos. Pelo número de alunos que tinha o Ministério de Educação encerrou. Portanto, já nem aparece nos documentos oficiais. Não existe! É um polo da Escola Básica de Alvega”, explicou ao mediotejo.net a vereadora Celeste Simão.

PUB

Em relação ao Jardim de Infância de Concavada a vereadora deu conta de “uma evolução negativa” considerando não ser viável arriscar mais um ano “porque estamos a prejudicar aquelas crianças”. O parecer do Conselho Municipal de Educação considera que as crianças “beneficiarão com esta mudança, pois poderão contactar, no mesmo espaço físico, com crianças de outros níveis de ensino e usufruir de outras atividades enriquecedoras e de aprendizagem e de uma maior partilha de experiências e de um maior desenvolvimento cognitivo, pessoal e social”.

A vereadora salientou que no ano letivo 2017/2018 frequentaram a escola de Concavada quatro crianças no 1º Ciclo e que “facilmente serão reintegradas na Escola Básica de Alvega. Refere que o número de crianças existentes e previstos para os dois jardins de infância, é suficiente para a abertura de apenas uma sala de pré-escolar.

PUB

“As turmas que estão em Alvega ainda não atingiram o número máximo de alunos que podem ter, portanto quer os alunos do JI como do 1º Ciclo têm enquadramento nas turmas de Alvega”, disse. Apesar de ainda não ter sido requalificada a Escola Básica de Alvega, ficou o compromisso de realização algumas obras de melhoramento, durante o período de férias escolares, nomeadamente a deslocalização do refeitório atualmente no último piso para o primeiro.

Celeste Simão, que reuniu com os pais, revelou como maior preocupação “o refeitório da escola. Vamos tentar mudar o refeitório para o primeiro piso para que as crianças não tenham de utilizar as escadas”.

Prevista está “a requalificação da Escola” e apesar da promessa da Câmara Municipal de Abrantes de não encerrar o polo de Concavada enquanto a Escola de Alvega não fosse intervencionada, tal acabou por não acontecer. “Não tem sido possível [as obras] porque temos realizado intervenções noutras escolas e é insustentável a continuidade por causa do número de alunos” falando de “maleabilidade” da parte do Executivo para entender as prioridades.

Dando continuidade à intenção de requalificar aquele estabelecimento de ensino, “o projeto está a começar a ser feito e prevê-se que até final de 2018 esteja concluído” sendo alvo de uma candidatura a fundos comunitários para a realização de uma intervenção de fundo.

Sem financiamento comunitário “é uma situação que estamos a avaliar”, garantiu Celeste Simão. A requalificação da Escola de Alvega “está na Carta Educativa, portanto de alguma forma irá ser requalificada”, disse, sem avançar com o montante necessário para a requalificação, montante só possível de quantificar após a conclusão do projeto.

Relativamente à Escola Básica de Carvalhal o parecer teve em conta ser aquela escola o único estabelecimento educativo do Norte do Concelho de Abrantes, sendo o mais próximo já em espaço urbano, a cerca de 15 quilómetros daquela localidade.

Carvalhal “tem onze alunos no pré-escolar e onze no 1º Ciclo. Mesmo tendo poucos alunos vamos manter” e avaliar durante o próximo ano letivo. A ideia é “ver o movimento existente no pré-escolar, para depois dar uma resposta quando se transferirem os alunos para o 1º Ciclo”. Caso a previsão do número de alunos se mantenha, a escola deve ser encerrada no ano letivo seguinte (2019/2020), garantindo o Município “o transporte das crianças para as escolas que forem frequentar”, disse, lembrando que o Centro Escolar de Carvalhal foi requalificado em 2009 e recebe crianças de toda a zona Norte do concelho.

Durante a reunião foi ainda reforçada a intenção de encerrar o J.I. de Arreciadas, cujo J.I. de acolhimento será a E.B. de Rossio ao Sul do Tejo, tal como o mediotejo.net já noticiou. Este encerramento e a transferência das crianças desta localidade para a E.B. de Rossio ao Sul do Tejo está previsto na Carta Educativa, homologada em 2007.

Quanto à Carta Educativa, Celeste Simão fala da existência de “um caminho muito sinuoso”. A vereadora sublinha a Carta Educativa em vigor embora reconheça “situações desadequadas à realidade de hoje” nomeadamente em relação aos territórios educativos, mas “tendo em conta o número de alunos, o que a lei determina são monitorizações anuais”. Anualmente por ocasião do Reordenamento e do Reajustamento da Rede Escolar da Educação Pré-Escolar e das Escolas do 1º Ciclo do Ensino Básico “esta é a monitorização que se faz à Carta Educativa”, frisou.

O documento “precisa dos valores [número de alunos] ajustados” admite a vereadora, lembrando que o concelho de Abrantes “tem sido uma referência a nível Educativo” destacando o Projeto Educativo Municipal, querendo que a Carta Educativa “não seja só um documento em papel mas um documento que nos projete”, defendeu.

E foi por esse trabalho, segundo a vereadora, que o Conselho Municipal em conjunto com os parceiros consideraram “não colocar” o documento a votação. “Foi constituído um grupo de trabalho com vários representantes do Conselho Municipal de Educação” que reuniu no dia 19 de junho para discutir tais matérias e outras questões que a Carta Educativa “não tinha de refletir”, nomeadamente sobre a reorganização de Agrupamentos.

Aguarda-se neste momento que os dados atuais estejam disponíveis na DGEstE – Direção Geral dos Estabelecimentos Escolares, para que a Carta Educativa esteja concluída até final de 2018.

A proposta de deliberação no sentido de concordar com o parecer do Conselho Municipal de Educação para remeter à DGEstE acabou por ser aprovada por maioria, com voto contra do vereador do Bloco de Esquerda, Armindo Silveira, por observar a “inexistência” de um parecer, e considerando o documento que resultou do Conselho Municipal de Educação “uma repetição ‘ipsis verbis’ da proposta da Câmara”.

O Conselho Municipal de Educação emitiu o seu parecer no âmbito do Reordenamento e do Reajustamento da Rede Escolar da Educação Pré-Escolar e das Escolas do 1º Ciclo do Ensino Básico para o ano letivo 2018/2019.

APOIE O NOSSO JORNAL, TORNE-SE UM LEITOR BENEMÉRITO

Se lê regularmente as nossas notícias torne-se um leitor benemérito fazendo contribuições a partir de 10€/mês, ou doando valores iguais ou superiores a 100€. Esses leitores passam a constar da ficha-técnica como apoiantes deste projeto independente de jornalismo. Pode também fazer uma contribuição pontual (5€, 10€, 20€, o que puder e quiser).

- publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here