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Domingo, Setembro 19, 2021

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Abrantes | Enfermeiros sensibilizam e alertam população para problemas laborais (C/ÁUDIO)

Os enfermeiros estão no terreno com ações junto da população para alertar para problemas laborais. Na manhã de quarta-feira estiveram em Abrantes, em frente ao hospital, no sentido de evidenciar a importância dos enfermeiros e do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Sensibilizam a população para as suas reivindicações e recolhem assinaturas que irão chegar ao Ministério da Saúde. Depois de Abrantes os enfermeiros seguiram para Tomar e também para os centros de vacinação covid-19 da região do Médio Tejo.

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O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) promoveu na quarta-feira, em Abrantes, em frente ao Hospital Dr. Manoel Constâncio, uma ação de sensibilização junto da população para dar conta dos problemas laborais destes profissionais de saúde e fazê-los chegar à tutela.

Os enfermeiros reivindicam: “A justa contagem de pontos para efeitos de progressão a todos os enfermeiros, inclusive CIT; a urgente contratação de enfermeiros com vínculo efetivo; a harmonização de direitos entre enfermeiros com vínculos contratuais diferentes, desde logo, pelo direito aos mesmos dias de férias; medidas de compensação do risco e penosidade da profissão, nomeadamente através da aposentação mais cedo”, disse ao nosso jornal Helena Jorge, coordenadora da Direção Regional de Santarém do SEP.

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“Agora somos nós que precisamos de si” é o mote da campanha nacional que o SEP desenvolve em nome dos enfermeiros porque, “apesar do poder político reconhecer o esforço, a disponibilidade e o caráter excecional dos enfermeiros no combate à pandemia e na retoma da atividade dos hospitais e centros de saúde do Serviço Nacional de Saúde” afirmam continuar confrontados com “graves problemas que têm que ser ultrapassados”.

Apontam como exemplo “o elevado número de enfermeiros em situação precária, apesar de serem imprescindíveis para garantir o acesso dos cidadãos ao SNS; as elevadas cargas horárias com milhares de horas extraordinárias que poderiam diminuir caso fossem admitidos mais enfermeiros”.

ÁUDIO | HELENA JORGE, DIRIGENTE SINDICAL DO SEP:

De acordo com a sindicalista, o presente contexto pandémico veio evidenciar e intensificar os vários problemas que já existiam no SNS.

Helena Jorge considera que os enfermeiros “são um profissão um bocadinho invisível neste País” designadamente “ninguém quer resolver os nossos problemas. Somos uma profissão que trabalha demasiado e é pouco reconhecida. E nós, como qualquer outra pessoa, precisamos de descansar e ter o nosso tempo com a família”

Por isso defende que os hospitais “não podem sistematicamente recorrer a um volume de horas extraordinárias porque não contratam pessoas suficientes”, sendo que num futuro próximo haverá “muita dificuldade em contratar enfermeiros portugueses porque não querem estar 20 anos a ganhar o mesmo ordenado, ou seja um enfermeiro com 20 anos se não fizer horas, leva 900 euros para casa no final do mês”, explica.

Lembra que os enfermeiros, no último ano e meio, cumpriram com o que lhes foi solicitado “inclusive cancelámos férias, fomos impedidos de nos despedirmos – alguns queriam ir embora e não puderam – demos tudo o que tínhamos a dar para que todos tivessem os cuidados que necessitavam quando houve a pandemia”.

ÁUDIO | HELENA JORGE, DIRIGENTE SINDICAL DO SEP:

Relativamente aos períodos de descanso dá conta que, em 2021, os enfermeiros já tiveram férias mas referiu que “o abuso está em todo o lado. Tivemos um problema no Centro Hospitalar do Algarve, queriam cancelar férias outra vez. Isto não pode acontecer! É imoral e é arrasar com os profissionais porque as pessoas têm direito a descansar”

Notando falta de profissionais, refere que “para uns terem férias os outros têm muita carga de trabalho extraordinário porque somos poucos e não temos os rácios adequados para os doentes”. Segundo a OCDE o número de enfermeiros deveria ser superior acrescenta.

Helena fala ainda em “dois tipos de contratações, trabalhamos para os hospitais fazemos exatamente a mesma coisa, mas o Estado achou que podia diferenciar os enfermeiros que eram da antiga Função Pública e os enfermeiros que têm agora Contratos Individuais de Trabalho”.

Ou seja, “temos um dia de férias por cada 10 anos de trabalho, os nossos colegas mais novos não têm, falamos de enfermeiros com mais de 20 anos. Que nunca viram o aumento de um único cêntimo. Ganham 1200 euros [de salário] base durante 20 anos, a trabalhar exatamente igual”.

ÁUDIO | HELENA JORGE, DIRIGENTE SINDICAL DO SEP:

A contagem dos pontos para o descongelamento das progressões é outro problema. A sindicalista afirma que o Centro Hospitalar do Médio Tejo “é um dos piores hospitais do País” no que toca ao tratamento dos enfermeiros.

“Desde 2018 tentamos resolver esta questão, sendo o CHMT, dos poucos hospitais que ainda não aplicaram corretamente o descongelamento, o pior, a prejudicar os enfermeiros”, alertou ainda a dirigente sindical, denunciando os problemas que o CHMT tem causado, nomeadamente o não ter avaliado muitos enfermeiros entre 2004 e 2014, e imputado o resultado aos profissionais, prejudicando na sua remuneração.

“Não os avaliou. Os colegas fizeram o que era da sua competência para a avaliação e o Médio Tejo desapareceu com todos os processos de avaliação e imputou depois no descongelamento a não avaliação aos enfermeiros”, afirmou Helena Jorge.

Para a dirigente sindical, verifica-se uma carência generalizada de enfermeiros agravada pela pandemia, nunca foi colmatada e “a carga excessiva de trabalho só prejudica os doentes” aumentando o volume de horas extraordinárias, sem descanso e folgas adequadas. “Estamos super cansados! E não há part time porque a maioria não consegue sair do hospital. Estamos com muitas dificuldades!”, garante.

Esta campanha reúne uma série de personalidades públicas – como o músico Tim, a atriz São José Lapa, a escritora Alice Vieira, o escritor Rui Zink ou a atleta Aurora Cunha – que se juntaram aos enfermeiros nesta ação.

“Somos um dos pilares fundamentais do SNS e tem-se visto porque conseguimos vacinar mesmo prejudicando os cuidados às pessoas, por exemplo a nível dos Cuidados de Saúde Primários, temos vacinado mais de 75% da população, portanto temos trabalhado imenso mas gostávamos muito que olhassem para nós e não continuassem as descriminações porque não merecemos”, diz a enfermeira.

Os enfermeiros manifestam-se “muito agradados” com a campanha, porque a população tem assinado o mural em defesa dos enfermeiros. “Tem sido uma agradável surpresa. A população está connosco!”, garante.

ÁUDIO | HELENA JORGE, DIRIGENTE SINDICAL DO SEP:

As assinaturas recolhidas serão levadas ao Ministério da Saúde, a tutela, ou seja quem toma decisões em termos políticos. “Portanto se foi este Governo que nos pediu tudo, era este Governo quem nos devia reconhecer sem nos descriminar, em relação a outras profissões da saúde” como é o caso dos técnicos de diagnóstico e terapêutica que viram “e bem!” as suas revindicações atendidas, refere Helena.

O SEP realizou a primeira ação de sensibilização em Bragança, no dia 20 de agosto, e agendou para as próximas duas semanas ações idênticas para continuar a alertar os portugueses para os problemas laborais que afetam os enfermeiros. O protesto está a decorrer por todo o País. Em Abrantes, Helena Jorge estava acompanhada dos enfermeiros Pedro Caldeira e João Damásio, ambos do CHMT.

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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