Abrantes | Enfermeiros pedem transferência em bloco dos serviços de urgência (c/video)

Oitenta e dois enfermeiros e assistentes operacionais do serviço de Urgência do hospital de Abrantes pediram hoje transferência de serviço

Oitenta e dois enfermeiros e assistentes operacionais do serviço de Urgência do hospital de Abrantes pediram hoje transferência de serviço. Manifestam-se “à beira do colapso” pela falta de profissionais de saúde naquele serviço do Centro Hospitalar do Médio Tejo que abrange cerca de 250 mil utentes, e receiam falhar na prestação de cuidados de saúde aos doentes.

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Da reunião desta manhã com a diretora clínica e com a enfermeira diretora ficou o compromisso da contratação de mais profissionais junto do Ministério da Saúde. João Damásio, do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, disse ao mediotejo.net que amanhã o número de pedidos engrossa com a solicitação de profissionais que hoje estavam de férias ou no gozo de folgas.

São 53 os enfermeiros e 29 os assistentes operacionais que esta terça-feira entregaram ao Conselho de Administração do Centro Hospitalar Médio Tejo (CHMT), o seu pedido de transferência do serviço de Urgência do Hospital de Abrantes. No total trabalham na Urgência do Hospital de Abrantes 77 enfermeiros e 40 assistentes operacionais.

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O enfermeiro Marco Pinto, após a reunião desta manhã entre os representantes dos trabalhadores, a enfermeira diretora, Ana Paula Eusébio, e a diretora clínica, Cristina Gonçalves, deu conta ao mediotejo.net do agravamento das condições de trabalho e da falta de profissionais face ao número de doentes.

Da reunião saíram “compromissos de reuniões com vários departamentos” no sentido de apoiar o serviço de Urgência, sendo uma das exigências dos profissionais que hoje apresentaram um pedido de mobilidade “a contratação de mais enfermeiros e assistentes operacionais” pela Tutela, no sentido de “colmatar os rácios”.

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Assim, segundo Marco Pinto, foram assumidos os seguintes compromissos, a curto e médio prazo, com a enfermeira diretora, Ana Paula Eusébio: a formação da equipa de gestão de altas; inicio do processo de realização de uma equipa de hospitalização domiciliária; obras de reestruturação da urgência – aumento da estrutura física, no entanto terá de haver mais contratações; fazer pressão na tutela para autorização das contratações de enfermeiros e auxiliares; constituição da escala de evacuações para transferência de doentes mais urgentes e colmatar assim a saída de um elemento de urgência; falar e reunir com os outros departamentos, nomeadamente o departamento médico, afim de agilizar melhor o internamento dos doentes; haver uma baliza de doentes internados em urgência, ou seja, ficar com uma baliza de 50 utentes internados, a partir desse número todos os outros doentes sobem para o internamento para camas suplementares; e verificar e anotar todas as transferências desnecessárias do SUB para a UMC.

O enfermeiro Marco Pinto

Aos Ministérios da Saúde e das Finanças os profissionais de saúde do serviço de Urgência de Abrantes exigem assim “a devida autorização” para contratar profissionais, uma vez que afirmam ser “da sua responsabilidade a qualidade e segurança dos cuidados aos utentes que está a ser colocada em causa” naquele serviço Urgência.

Maria João Gonçalves e Paula Matos são ambas enfermeiras no Urgência do Hospital de Abrantes. Estiveram esta manhã em vigília junto à entrada do Hospital e deram conta ao mediotejo.net do seu pedido em bloco de mobilidade de serviço.

Confirmaram que com esta ação pretendem a assegurar “melhores condições de trabalho” segurança não só dos profissionais de saúde como dos utentes e mostrar o “cansaço” quer psicológico quer físico. “Temos falta de enfermeiros e temos falta de espaço para acolher os nossos utentes. Não podemos neste momento dar uma resposta de qualidade e de segurança” explicou Paula Matos, referindo que a Urgência do Hospital de Abrantes recebe doentes de vários locais foram do concelho, do Médio Tejo e até do distrito.

“Temos Ponte de Sor, Belver, Gavião, Mação, Vila de Rei, Sertã, Torres Novas, Tomar e Ferreira do Zêzere” acrescentou. No total são 250 mil utentes que recorrem à Urgência do Hospital de Abrantes.

Maria João Gonçalves e Paula Matos durante a vigília à porta do Hospital de Abrantes

A enfermeira esclarece que alguns doentes “recorrem aos SUB [serviço de urgência básica] da sua área. Lá são observados, realizam-se exames e se por decisão médica são doentes graves, são transferidos para a nossa unidade onde são observados pelos especialistas, porque é aqui que estão a especialidades, requerem internamento e tratamento adequado e a partir desse momento existe um sobrecarga de doentes”.

A equipa, perante a crescente afluência de utentes à Urgência e o reduzido número de profissionais que garantam os cuidados necessários, diz-se “confrontada com o agravamento da sua carga física e psicológica, conduzindo à exaustão dos profissionais”.

As reivindicações passam pela contratação de mais assistentes operacionais e mais enfermeiros. Maria João Gonçalves exemplifica: “Se vai alguém de licença de maternidade não é substituída. Temos uma equipa extremamente jovem com muitas gravidezes, os trabalhadores que ficam em casa de baixa por algum motivo não são substituídos” o que implica “maior carga horário de trabalho. “Chegámos a ter mais 70 horas de trabalho suplementar, cada enfermeiro, ao fim de um mês”, indica.

Assim, face à situação considerada “caótica” da Urgência, estes profissionais pretendem deixar o serviço e solicitaram a mobilidade, encontrando nesta ação “uma forma de chamar a atenção para “o estado de colapso” a que os profissionais de saúde que trabalham na Urgência chegaram, explicou ao mediotejo.net João Damásio.

Perante a não contratação de novos enfermeiros para colmatar a enorme carência existente e face àquilo que consideram “péssimas condições laborais e crescente falta segurança para os utentes”, a equipa de profissionais decidiu ainda fazer um Manifesto Público.

Abrantes | Enfermeiros e assistentes operacionais do serviço de Urgência do Hospital de Abrantes entregaram hoje em bloco um pedido de mobilidade de serviço por falta de condições de trabalho que colocam em risco a prestação de cuidados de saúde aos utentes. Após uma reunião com a enfermeira diretora e com a diretora clinica, o enfermeiro Marco Pinto fala das reivindicações e dos compromissos assumidos.

Publicado por mediotejo.net em Terça-feira, 3 de Abril de 2018

O CA do CHMT, por sua vez, em comunicado, refere que “foram ouvidos os senhores enfermeiros e anotados os constrangimentos apresentados por estes profissionais”, tendo salientado, no entanto, que este Serviço de Urgências “tem as dotações seguras e de acordo com a legislação” em vigor.

“O Serviço de Urgências Médico Cirúrgicas tem 77 Enfermeiros e 40 Assistentes Operacionais”, observa, tendo afirmado que “durante o mês de março de 2018 foram realizados uma média de 142 atendimentos, por dia, o que perfaz uma diminuição de atendimentos face a março de 2017”.

O CA do CHMT confirma a “realização de cerca de 1000 horas extraordinárias, apontadas pelos Enfermeiros e Assistentes Operacionais, numa média inferior às 12 horas por profissional”, tendo notado, no entanto, que “a existência destas horas extraordinárias deve-se, essencialmente, ao absentismo no Serviço que é muito elevado. Atualmente, o Serviço de Urgência apresenta uma percentagem de 14,5 de absentismo”, sublinhou.

Segundo se pode ler no documento, da reunião “saíram compromissos que envolvem ambas as partes, a Direção de Enfermagem e os Enfermeiros e Assistentes Operacionais do Serviço de Urgência Médico-cirúrgica”, tendo destacado que, “a curto e médio prazo, serão estabelecidas estratégias conjuntas que minimizem os constrangimentos, sobretudo nos picos de fluxo de utentes às urgências, com a garantia de que será sempre salvaguardada a prestação dos cuidados de saúde às populações” do Centro Hospitalar do Médio Tejo.

Sobre o espaço físico no Serviço de Urgências, a administração do CHMT lembra que “está em curso o processo de requalificação das instalações do Serviço de Urgências o que permitirá melhores condições físicas para a realização do trabalho (…) requalificação do espaço físico que irá ser acompanhada com a adequação dos recursos humanos adaptados a esta nova realidade”.

A Direção de Enfermagem do Centro Hospitalar do Médio Tejo afirma, ainda, que “estão pedidos os recursos necessários e que as contratações de mais Enfermeiros e Assistentes Operacionais estão a decorrer dentro do que são os tramites normais destes processos”, tendo concluído ao afirmar que “irá analisar cada caso dos pedidos de mobilidade”.

Constituído pelas unidades hospitalares de Abrantes, Tomar e Torres Novas, separadas geograficamente entre si por cerca de 30 quilómetros, o CHMT funciona em regime de complementaridade de valências, abrangendo uma população na ordem dos 260 mil habitantes de 11 concelhos do Médio Tejo, no distrito de Santarém, Vila de Rei, de Castelo Branco, e ainda dos municípios de Gavião e Ponte de Sor, ambos de Portalegre.

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