Incêndios | Abrantes avalia riscos de contaminação da água de Castelo de Bode pós incêndios (c/video)

A presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Maria do Céu Albuquerque, informou, esta terça-feira durante a reunião de câmara, que será agendado um encontro para avaliar o impacto dos incêndios na qualidade da água da albufeira de Castelo de Bode.

A reunião “com carácter de urgência” incluirá representantes da EPAL, dos municípios de Tomar, Ferreira do Zêzere, Vila de Rei e dos serviços municipalizados de Abrantes como forma de estudar pós incêndio o impacto na qualidade da água desta albufeira que abastece cerca de dois milhões de pessoas.

Já na semana passada a Quercus havia alertado para o risco de contaminação da água com as cinzas dos incêndios no interior do País e para a morte de milhares de animais, apelando a uma “reflexão profunda na sociedade” sobre esta problemática.

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Barragem de Castelo de Bode

A autarca informou agora “da necessidade de marcar uma reunião com todos aqueles que têm captações de água na albufeira para encontrarmos uma resposta rápida no sentido de minimizar os impactos negativos que possam eventualmente acontecer”.

A associação ambientalista disse, em comunicado, estar “apreensiva com esta terceira vaga de incêndios” no interior do País devido também “à degradação da água quando forem arrastadas as cinzas para o rio Zêzere e ribeiras afluentes”.

No mesmo sentido foram as palavras de Maria do Céu Albuquerque: “Temos todos de trabalhar rapidamente no sentido de consolidar as áreas ardidas evitando fenómenos de erosão e de deposição de cinzas que infelizmente tendem a acontecer” incluindo no período de inverno com “consequências ainda mais graves”.

A Quercus defendeu também que “apesar do tratamento da água efectuado pela EPAL, devem ser reduzidos os riscos preventivamente com a reflorestação e gestão de activa com o objectivo de conservação dos recursos naturais”.

A associação ambientalista salientou que “a seca extrema e severa da vegetação, associada às condições meteorológicas adversas estão a aumentar os impactes dos incêndios, com a destruição da floresta em milhares de hectares, as emissões de fumo, libertação de dióxido de carbono, partículas e outros compostos e o risco de contaminação de linhas de água com as cinzas”.

Neste momento existe à volta da albufeira de Castelo de Bode uma grande mancha de área ardida, não só no concelho de Abrantes mas também Tomar, Vila de Rei, Sertã, Ferreira do Zêzere. A autarca lembrou que todos estes concelhos são abastecidos a partir de Castelo de Bode “tal como a área metropolitana de Lisboa” que é abastecida através da EPAL.

A par disso, ainda esta semana, durante o briefing do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais (DECIF) “contamos propor a constituição de um grupo de trabalho para o ordenamento do território. Um projecto global para o norte do concelho de rearborização das áreas afectadas” acrescentou a presidente da Câmara de Abrantes.

O DECIF) no concelho de Abrantes é composto por representantes das seguintes entidades: Câmara Municipal; Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários; Serviço Municipal de Protecção Civil; Associação de Agricultores de Abrantes, Constância, Sardoal e Mação – Sapadores Florestais; AFOCELCA; RAME; GNR; PSP; Gestiverde, entidade gestora da ZIF de Aldeia do Mato, Hélder Silvano (Perito em Meteorologia) e os presidentes da Juntas de Freguesia do Concelho de Abrantes.

Durante a fase Charlie de combate a incêndios florestais, o DECIF realiza briefings quinzenais.

Abrantes l Em curso avaliação do impacto dos incêndios na qualidade da água de Castelo do Bode

Publicado por mediotejo.net em Terça-feira, 22 de Agosto de 2017

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Paula Mourato
A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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