Abrantes | Em tempos de pandemia, associação Vidas Cruzadas não desarma no apoio social de proximidade

Nestes dias de insegurança e confinamento provocados pela pandemia, a atenção aos casos sociais em maior dificuldade e o apoio de proximidade configura um papel fundamental por parte das instituições aos cidadãos em termos de resposta atenta e imediata. É o caso da Associação Vidas Cruzadas, uma IPSS com sede em Tramagal e a desenvolver atividade social no território do concelho de Abrantes, um trabalho no âmbito do Serviço de Atendimento e Acompanhamento Social (SAAS). A equipa, composta por 10 elementos e outros tantos voluntários, é liderada por Vânia Grácio, fundadora de uma instituição que está na linha da frente no exercício diário de um trabalho solidário.

“Continuamos aqui, por si!”. É este o lema e o espírito que permanece na Associação Vidas Cruzadas, conta ao mediotejo.net a dirigente associativa. “De coração apertado, com medo e ansiedade pela incerteza do futuro, mas não desarmamos. A Associação mantém todas as suas equipas a trabalhar, cumprindo as orientações do Governo e da Direção Geral de Saúde, relata, dando conta que os atendimentos “passaram a ser feitos por telefone e os documentos enviados por e-mail”.

“É mais difícil trabalhar assim, uma vez que não contactamos diretamente com as pessoas, mas temos de nos adaptar à realidade”, diz Vânia Grácio, fundadora e presidente de uma instituição que está legalmente constituída desde 2007, e que nasceu da vontade de criar uma resposta inovadora no concelho, que respondesse às lacunas sentidas na área social.

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“Temos mantido o acompanhamento das situações já conhecidas por nós e temos dado resposta a novos pedidos, pessoas que se veem agora numa situação mais fragilizada devido à pandemia. Pessoas que iam realizando pequenos trabalhos esporádicos para seu sustento e que agora ficaram sem essa hipótese, pessoas que não conseguem comprar bens essenciais porque os seus rendimentos disponíveis diminuíram, pessoas que estavam em vias de iniciar atividade profissional e que agora ficou suspensa”, ilustra.

Nesse sentido, continua, a Vidas Cruzadas tem tentado dar “a resposta mais importante no momento, de modo a que ninguém fique sem bens essenciais, nomeadamente comida”.

“Os parceiros habituais também se encontram no limite da capacidade de resposta e por isso temos de ser criativos e socorrer-nos uns dos outros. De sublinhar o empenho, dedicação, espírito de missão e de companheirismo que temos encontrado nos nossos parceiros, concretamente outras instituições do concelho, que mesmo no limite da sua ação, não nos negam cooperação”.

Em plena atividade, a associação mantém a funcionar todos os serviços com a equipa de dez elementos, entre eles alguns voluntários, como o Serviço de Atendimento e Acompanhamento Social, o CAFAP – Centro de Apoio Familiar e Aconselhamento Parental, a Loja Social e o Centro de Recursos de Ajudas Técnicas.

“Temos contactado com regularidade as famílias que já acompanhamos de modo a ir monitorizando como estão a viver esta situação, se estão a conseguir organizar-se nas saídas necessárias de casa, se têm os bens necessários, a medicação, se conseguem ocupar as crianças de forma positiva. Também tentamos tranquilizar as pessoas, ouvi-las e dar-lhe esperança. É importante que saibam que estamos aqui. Temos mantido contacto com os presidentes de junta, no sentido de identificarem situações e de articularmos os apoios prestados. Nesta fase é muito importante que isto seja feito. É sempre, mas num momento em que os recursos são escassos, há que distribui-los da melhor forma”, explica Vânia Grácio, dando conta de algumas situações que despertam maior preocupação.

“Pessoas em situação de maior vulnerabilidade social. Idosos, ou pessoas que vivem sozinhas. Estamos a fazer contacto com familiares para perceber se conseguem dar apoio”, exemplifica, dando conta de como estão a tentar ultrapassar as situações de maior vulnerabilidade e fragilidade social.

“Tentamos fortalecer a rede de suporte social destas pessoas, ajudando a encontrar alternativas para resolver os desafios do dia-a-dia. Numa altura em que as pessoas estão mais em casa, confinadas a um espaço limitado e com menor acompanhamento das entidades competentes, preocupam-nos também as vitimas de violência domestica e as crianças e jovens que possam estar agora mais expostas a situações de maus tratos e/ou negligencia”, afirma a assistente social, tento alertado para a importância da solidariedade e união da comunidade.

“Estamos atentos, mas precisamos que toda a comunidade esteja. Que o vizinho vá batendo à porta do lado e perguntando se está tudo bem, se for possível verem-se pela janela, perceberem se as crianças estão bem. É muito importante que se reportem às autoridades possíveis situações de abuso que possam ocorrer, de modo a que possamos proteger estas pessoas”, diz Vânia Grácio, relativamente a um tempo particularmente difícil e que vê ao mesmo tempo como desafiante.

“Este é um momento particularmente desafiante para todos. No que concerne às instituições de solidariedade social, não é diferente. Vivemos possivelmente a terceira guerra mundial, frente a um inimigo que não vemos e por isso temos dificuldade em combater. Lidar com a incerteza, o medo, somando à complexidade das situações e à necessidade de dar resposta no imediato, não é um processo fácil. É importante que todos estejamos unidos. Sentirmos da parte da tutela um apoio regular, mesmo que por e-mail, de constantes informações, de alguém que nos atende o telefone, nem que seja para nos ouvir dizer que estamos com dificuldades, já nos ajuda”, relata, ao mesmo tempo que elogia a tutela no apoio de proximidade.

“Nisso o Centro Distrital de Segurança Social tem sido incansável. Neste aspeto sentimo-nos como as pessoas para e com quem trabalhamos, podemos não ter as respostas no momento, mas pelo menos ouvem-nos”.

“Por outro lado”, acrescenta, “é de sublinhar o que já referimos antes. Abrantes está unida nesta luta, temos articulado com os parceiros os apoios necessários, está a ser difícil para todos, pela falta de recursos, de materiais de proteção, mas vamos continuando. O Município também tem dado o apoio necessário às situações que encaminhamos”, destaca, concluindo a entrevista efetuada à distância com um apelo.

“O apelo que deixamos é que as pessoas se ajudem dentro da segurança necessária e sem se colocarem em risco, mas que não sobrecarreguem quem está a tentar ajudar o próximo. Cada um tem de fazer a sua parte. Ficar em casa é o mínimo. Da nossa parte, continuaremos aqui, para todos”.

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