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Sábado, Setembro 18, 2021

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Abrantes: Elevação a Cidade nos jornais de 1916

A 22 de maio de 1916, a notícia de que Abrantes tinha sido elevada a cidade pelo Congresso Republicano foi comemorada com “muitos foguetes e morteiros” e “à noite iluminaram-se os edifícios públicos”. Ao entrarmos no ano em que se comemoram os 100 anos de elevação de Abrantes a cidade, o mediotejo.net foi pesquisar nos jornais da época como a notícia foi dada à população, corria o ano de 1916.

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Na edição nº 835, de 28 de maio de 1916, do Jornal de Abrantes, a primeira página tem o título: “Abrantes Cidade – Por unanimidade de votos, o Congresso da República eleva Abrantes à categoria de cidade”. Nesse artigo, o autor faz referência ao comício havido 8 anos antes e que contou com a presença de Bernardino Machado que, nessa altura, havia prometido que uma vez implantada a República no país, Abrantes seria elevada a cidade: “Quando, haverá 8 anos, o sr. Dr. Bernardino Machado, actual Chefe do Estado, declarou, num imponente comício, que Abrantes seria elevada à categoria de cidade logo que fosse proclamada a República, uma vibrante salva de palmas coroou essa promessa. Quem nos diria, então, que a Lei, que eleva Abrantes a cidade, seria promulgada por sua excelência, como Presidente da República! Merecida homenagem a que acabou de prestar à nossa terra o Congresso da República!”.

jornal de abrantes_Nº 835 - recorte2Nesse mesmo artigo, pode ler-se ainda que “foi em 1914 que a Câmara Municipal de Abrantes resolveu pedir a transformação de vila em cidade” e que “apresentou e defendeu a proposta o vereador sr. Valente Júnior”. “Meses antes, o conceituado comerciante da nossa praça sr. Agostinho Ribeiro apresentou, em Câmara, uma representação firmada por grande número de munícipes, de todas as classes sociais e de todos os partidos políticos, solicitando que esse organismo pedisse ao governo que tomasse a iniciativa de conseguir do parlamento a homenagem que Abrantes acaba de receber”.

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Mais à frente, o artigo explica que a notícia da elevação de Abrantes a cidade chegou a 22 de maio, através de um telegrama enviado pelo Dr. João José Luís Damas: “Quando, na manhã do passado domingo, foi conhecida em Abrantes a resolução do Congresso, resolução telegraficamente anunciada ao Jornal de Abrantes pelo dedicado amigo do nosso concelho sr. dr. João Damas, queimaram-se muitos foguetes e morteiros. À noite iluminaram os edifícios públicos”.

Já na edição de 11 de junho de 1916, do Jornal de Abrantes, novo artigo na primeira página evoca “Abrantes e os seus melhoramentos”, ao longo do qual são referidas algumas obras feitas em Abrantes como o Jardim do Castelo, a avenida de Sant´Ana, o matadouro, a conclusão da rede geral da canalização de esgotos, entre outras, bem como os nomes dos beneméritos que contribuíram para a realização destes feitos.

jornal de abrantes_Nº 838 - recorteNa edição nº 838, de 18 de Junho de 1916, também do Jornal de Abrantes, num artigo na primeira página, com o título “Abrantes, Cidade” começa-se a ler que “Muita gente que não conhece Abrantes comenta desfavoravelmente a resolução do congresso em elevar esta já Notável Vila à categoria de cidade. Outros conhecendo-a bem, mas vivendo aqui, indiferentes a toda a ideia do progresso, criticam chocarreiramente o facto. Nem uns nem outros procedem bem, porque o valor de uma terra não se aprecia só pelo que ela vale industrialmente ou pela densidade da sua população. Temos de apreciar os elementos constitutivos do seu poder de expansão, sua provável tendência no campo das artes, das ciências, das industrias, trabalho agrícola, previdência, etc.”.

Mais adiante, referindo-se ao “que existe aqui digno de mencionar-se”, o autor do texto fala da existência de uma “marcenaria onde o trabalho produzido é digno de elogio, porque é perfeito”; “Mestres d´obra conta Abrantes 3 que não envergonham a terra e também tem muitos outros, práticos, que também são valores apreciáveis”; “pintores profissionais está um, havendo ainda oficiaes da arte, broxantes, etc”.

E continuando no enaltecimento das coisas boas de Abrantes, refere-se ainda que “no hospital fazem-se operações que em Lisboa seriam reclamadas aos sete ventos da publicidade, tão hábeis são os seus operadores” ou ainda que “o dr. Ramiro Guedes possue um laboratório químico que é um verdadeiro templo de ciência e de estudo”.

Era assim, há 100 anos.

Entrou no mundo do jornalismo há cerca de 13 anos pelo gosto de informar o público sobre o que acontece e dar a conhecer histórias e projetos interessantes. Acredita numa sociedade informada e com valores. Tem 35 anos, já plantou uma árvore e tem três filhos. Só lhe falta escrever um livro.

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