“Abrantes e o Futuro”, por Vasco Damas

Tenho acompanhado com particular atenção as críticas que se vão sucedendo cada vez com maior frequência relativamente ao imobilismo que é notório e que se assiste em Abrantes.

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A essas críticas juntam-se normalmente, de forma mais ou menos espontânea, um conjunto de outras críticas que reforçam a crítica inicial e que, com maior ou menor perspicácia, descobrem novos pontos a criticar.

Sem ter necessidade de o referir, já perceberam que a crítica tem invariavelmente um e somente um responsável, que é obviamente a Câmara Municipal de Abrantes.

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Este exercício é bastante salutar porque põe em prática algo que faz parte do nosso ADN cultural e porque transfere para outros responsabilidades que são essencialmente nossas.

Sim, porque grande parte das críticas já têm muitos anos e aquilo que tenho constatado é que quem tem a maioria na CMA a tem reforçado de mandato para mandato.

Bem sei que a grande maioria da oposição local tem facilitado o trabalho a quem se deseja perpetuar no poder, mas ignorando neste momento este pequeno pormenor, que é de facto um enorme “pormaior”, qual seria a resposta dos abrantinos se tivessem oportunidade de optar por um projeto que servisse com transparência os interesses do concelho assente numa estratégia de desenvolvimento integrado, com capacidade de atração e captação de investimento que criasse o tão desejado emprego e que quisesse comunicar e investir gerindo prioridades e, assim, invertesse a atual lógica de espiral estranguladora do futuro?

Acredito que a resposta pronta de quem tem o coração perto da boca seria naturalmente positiva, mas temo que essa tendência fosse invertida depois de um período de reflexão própria de quem tem demonstrado ser conservador e não querer correr riscos dando sequência ao principio de que “isto” pode não estar bom mas “para pior já basta assim”.

Apesar desta reserva, acho que seria curioso observar este fenómeno e que ele daria oportunidade à revitalização da democracia local que se encontra há demasiado tempo enclausurada numa “ditadura” provocada naturalmente pela inexistência de contraditório.

Em última instância, “morreria” o argumento de quem se justifica, quase se desculpando, que decide sem ter oportunidade de optar por falta de alternativa.

Talvez faça sentido refletir neste momento sobre esta realidade mas com a consciência que não se chega a lugar algum apenas com a força do pensamento. Além do mais, sejamos pragmáticos, com alternativa ou sem ela, Abrantes terá futuro. Resta saber se será mais do mesmo ou se teremos a oportunidade de conhecer novas realidades que nos apontem o caminho para “outros futuros”.

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