Abrantes | ‘Dona Amélia – Guest House’ nasce num palacete do século XIX para conquistar os jovens

Nasceu em Abrantes mais uma proposta de Alojamento Local. O ‘Dona Amélia – Guest House’ foi inaugurado na quarta-feira, 8 de julho, naquele que é um projeto “familiar” do abrantino Luís Agudo, localizado no mítico palacete da antiga Quinta de Vale de Roubão, junto ao quartel do RAME. Disponibiliza quatro quartos com 10 camas, dois dormitórios numa lógica de hostel e dois quartos mais nobres, batizados com nomes de dois vultos da história de Abrantes.

Este Palacete dos finais do século XIX, casa do Dr. Francisco Eduardo Solano de Abreu, advogado, filantropo, homem da cultura que mandou construir a Villa Maria Amélia, em 1892, mereceu funções diferentes da que, esta quarta-feira, assumiu ao transformar-se num espaço de Alojamento Local.

O mentor do projeto, Luís Agudo, explicou tratar-se de um projeto familiar feito com “muita sensibilidade, com carinho e respeito pela história desta casa que é um ícone da cidade de Abrantes”.

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Luís Agudo no salão da Casa com 128 anos, transformada em Alojamento Local. Créditos: mediotejo.net

Luís Agudo arrendou a Villa Maria Amélia à Fábrica da Igreja, entidade proprietária da casa, e reabilitou-a de forma a poder receber hóspedes. “Estava bastante degradada. Por exemplo o chão do salão nobre estava num estado lastimoso. Modificamos a canalização para ter água quente e fizemos outras intervenções. A casa tinha sido utilizada para outros fins, ultimamente como um lar, a nossa intenção foi colocá-la como era originalmente”, explicou ao mediotejo.net.

Um edifício que conjuga vários estilos do passado medieval português (românico, gótico e mourisco), um edifício inspirado nos chalets românticos ingleses com vários pisos, recantos e escadas que nos levam até à cúpula piramidal revestida de placas de ardósia.

Alojamento Local ‘Dona Amélia – Guest House’ em Abrantes. Créditos: mediotejo.net

E conserva memórias antigas de um tempo distante, que nenhum visitante viveu, mas poderá sentir nas obras artísticas do salão central com teto forrado por tela pintada com temas mitológicos e pequenas pinturas murais nas janelas, decorado com cinco quadros do pintor abrantino José Serra da Motta.

Nas escadas em caracol, em madeira entalhada que permitem o acesso aos andares do torreão e nos objetos decorativos escolhidos por Luís Agudo e pela família – a mulher e os três filhos, jovens com menos de 30 anos -, dotando o espaço de um cunho pessoal.

Alojamento Local ‘Dona Amélia – Guest House’ em Abrantes. Créditos: mediotejo.net

“O recheio que encontrámos na casa é mínimo. Os poucos móveis que ficaram não caberiam noutra casa dada a sua dimensão. O restante mobiliário fomos adquirindo” e algumas peças que Luís Agudo guardava, pois embora não se considere um colecionador, sempre gostou de comprar e recuperar peças antigas.

A ideia de transformar a casa num Alojamento Local surgiu como mais um investimento. “Sempre tive negócios, tenho um negócio de seguros, abri um posto de CTT”. A filha está ligada à área do turismo, um dos filhos a terminar o curso de informática. “Acho que pode ser uma fonte de rendimento para eles”, referiu Luís Agudo.

Inaugurar um Alojamento Local em contexto de pandemia, sendo o setor do turismo um dos mais afetados, o empresário admite ser arriscado e manifesta “dúvidas” sobre o sucesso do investimento, mas “todos os negócios são um risco, mesmo aqueles que pensamos que vão ser um sucesso”, afirma.

A família Agudo decidiu correr o risco. “Já o tínhamos iniciado! Esta obra iniciou há um ano e esperamos rentabilizar o negócio, pelo menos recupera o investimento”, números que o empresário se escusou a revelar.

Alojamento Local ‘Dona Amélia – Guest House’ em Abrantes. Créditos: mediotejo.net

Dentro de um estilo clássico respira-se na casa uma atmosfera tranquila e acolhedora. As modificações respeitam um estilo, num padrão mais ou menos uniformizado, com apontamentos decorativos que vão das cerâmicas às tapeçarias, não faltando um televisor moderno no salão principal bem como nos quartos, e uma mota no primeiro andar a pensar nos visitantes que percorrem a Estrada Nacional 2.

O ‘Dona Amélia – Guest House’ disponibiliza 10 camas, dois dormitórios numa lógica de hostel, um com quatro camas e outro com três, e dois quartos mais nobres. Estes últimos batizados com nomes de dois vultos da história de Abrantes: o Quarto António Botto, poeta do mundo nascido na Concavada, e o Quarto Solano de Abreu. De destacar os azulejos neomouriscos e naturalistas a revestir em silhar várias divisões.

Logo ao lado, arriscando subir as estreitas escadas em caracol e chegando ao torreão, é possível desfrutar de um cenário único sobre a cidade de Abrantes e sobre o jardim situado nas traseiras.

Sala AntArte no Alojamento Local ‘Dona Amélia – Guest House’ em Abrantes. Créditos: mediotejo.net

Uma aposta “nos quartos coletivos. Vamos apostar muito nos jovens. Os preços são mais atrativos, na ordem dos 20 euros por cama, e queremos chegar aos atletas que vêm para o parque desportivo, aos motards que descem a EN2. Queremos ter muita juventude aqui em casa. Depois temos o salão e o jardim, onde as pessoas podem confraternizar. Os dois quartos mais nobres são para as pessoas que gostam de ficar em casas apalaçadas”, estes ainda sem preços definidos mas com casa de banho privativa, referiu.

O Alojamento, nesta fase inicial, só disponibiliza dormidas, simpatia e hospitalidade. “Todo o hóspede tem acesso à cozinha onde poderá confecionar refeições”, acrescentou.

Alojamento Local ‘Dona Amélia – Guest House’ em Abrantes. Créditos: mediotejo.net

A sala AntsArtes, que “não estará disponível aos hóspedes”, deu conta Luís Agudo, acolherá iniciativas culturais abertas à comunidade. “ Uma sala para eventos que poderá ser alugada ou cedida de forma gratuita, dependendo da proposta que nos fizerem e do que for apresentado. E nós faremos exposições de escultura, gravura, pintura, artistas locais etc”. Uma sala com tetos em madeira, com adornos vegetalistas aplicados também em madeira e lareira em mármore.

Presentes na inauguração estiveram alguns convidados, no cumprimento das orientações da Direção-Geral da Saúde, tendo em conta a pandemia. Entre eles o presidente da Câmara Municipal de Abrantes, que felicitou o empresário, salientando que o projeto “reflete a paixão pela cidade do Luís Agudo mas também a preocupação pela preservação da história e da identidade desta terra”.

Manuel Jorge Valamatos salientou que “é de pessoas destas que lutam pelas suas raízes, reabilitando estruturas, que Abrantes precisa”, numa alusão à atividade económica relacionada com o turismo.

Alojamento Local ‘Dona Amélia – Guest House’ em Abrantes. Créditos: mediotejo.net

Pode encontrar mais informações em: https://donamelia.pt

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Paula Mourato
A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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