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Segunda-feira, Junho 21, 2021

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Abrantes | Dirigente do CRIA critica quem é vacinado indevidamente contra a covid-19

Depois de autarcas, dirigentes de lares, funcionários da segurança social e do INEM estarem no centro dos vários casos de vacinação indevida denunciados em vários pontos do País, alguns a ser alvo de inquéritos por parte do Ministério Público, outras situações polémicas surgiram também na sub-região do Médio Tejo. Um dirigente do CRIA – Centro de Recuperação e Integração de Abrantes critica quem é vacinado indevidamente. Victor Costa considera que “a utilização de vacinas por qualquer membro” da direção do CRIA seria “um ultraje aos princípios éticos” da instituição.

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Para Victor Teixeira da Costa, tesoureiro do Centro de Recuperação e Integração de Abrantes “a utilização de vacinas por qualquer membro” da direção do CRIA, “seria um ultraje aos princípios éticos que o CRIA se deve reger, seria os diretores a servirem-se do CRIA e não a servir voluntariamente o mesmo”.

A vacinação contra a covid-19 no CRIA (no que se refere aos 20 utentes de Lar, estando ainda por vacinar os utentes do CAO e da formação), tendo em conta a informação publicada na página da instituição na rede social Facebook, decorreu na quinta-feira da semana passada, dia 28 de janeiro. E o mediotejo.net sabe que estiveram presentes na vacinação membros da direção, nomeadamente o presidente.

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No entanto, o tesoureiro do CRIA, inclusivamente, segundo disse ao nosso jornal, “para afastar qualquer suspeita” de o próprio ter sido indevidamente vacinado e “para se demarcar da falta de esclarecimentos até ao momento”, tornou público não ter sido vacinado.

Na sua página pessoal na rede social Facebook, identificando-se como tesoureiro do CRIA de Abrantes, Victor Teixeira da Costa afirmou que “nenhum membro da direção tem a necessidade de estar em permanência no CRIA, os membros incluindo o presidente por vida pessoal já esteve ausente diversas vezes com dias seguidos, o CRIA nunca parou”.

Explica que na atual situação da covid-19 “o plano de contingência proíbe a interação entre as áreas – lar, formação, CAO, etc. Logo todos os membros estão automaticamente excluídos do contacto com os utentes”.

Considera que “em caso de haver uma situação de vacinas em excesso para o número de pessoas, seria fácil contactar utentes do CRIA, que moram na área envolvente do CRIA, para estarem presentes num curto período de tempo 5/10 minutos”.

Acrescenta que na hipótese de “não termos disponível utentes para as vacinas extras, qualquer trabalhador do CRIA com contacto direto com os utentes seria a meu ver prioritário, e no fim da lista todos os outros”.

Afirma desconhecer “se algum membro da direção ou dos Órgãos Sociais tomaram a vacina covid” e diz “esperar sinceramente que não o tenham feito, por não haver nenhuma razão plausível para terem tomado a vacina”.

Com o objetivo de perceber se esta é também a posição do presidente da direção do CRIA, e se ocorreu vacinação indevida na instituição, designadamente se o presidente da direção foi vacinado, quais as razões e se outros dirigentes foram igualmente vacinados, o jornal mediotejo.net fez várias tentativas de contacto com Nelson de Carvalho desde o dia 2 de fevereiro, mas até à data o presidente não prestou os esclarecimentos solicitados.

O primeiro caso de vacinação a violar os critérios estabelecidos no plano nacional a ser denunciado envolveu José Calixto, presidente da Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz, que justificou ter sido vacinado na qualidade de dirigente de um lar.

Situação mais polémica verificou-se no Centro Distrital de Setúbal do Instituto da Segurança Social (ISS), cuja diretora, Natividade Coelho, apresentou a demissão, no dia 29 de janeiro, depois de na véspera a SIC ter noticiado que 126 funcionários daquele organismo público tinham sido vacinados indevidamente.

De acordo com a Procuradoria-Geral da República foram também já instaurados inquéritos relativamente aos casos que envolvem o INEM de Lisboa e o do Porto.

A ministra da Saúde, Marta Temido, disse na segunda-feira que o Ministério da Saúde está empenhado em que os casos de incumprimento “sejam tratados adequadamente”, porque o processo de vacinação “não pode sofrer fragilidades”.

Entretanto, o coordenador da ‘task force’ para o Plano de Vacinação contra a covid-19 em Portugal, Francisco Ramos, demitiu-se do cargo esta quarta-feira.

C/Lusa

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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