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Domingo, Julho 25, 2021

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Abrantes despede-se de Mira Godinho, a decana do voluntariado

Faleceu na quinta-feira à noite em Abrantes, aos 96 anos, a decana do voluntariado Maria Ramiro de Sousa Falcão Farinha Pereira Marques Godinho, carinhosamente conhecida por Dona Mira, e que pertencia à equipa da Liga dos Amigos do Hospital de Abrantes.

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Mira Godinho, que nasceu em Abrantes no dia 27 de abril de 1920, está a ser velada na Igreja da Santa Casa da Misericórdia, onde vai hoje, sexta-feira, decorrer uma missa, pelas 18:00, estando o funeral agendado para as 11:00 de sábado.

A cumprir o 15º ano em atividade, a Liga dos Amigos do Hospital de Abrantes criou em 2004 um grupo de voluntárias para prestarem apoio no hospital de dia (que existia então em Abrantes), ao nível da ortopedia, medicina, cirurgia e doenças cancerígenas terminais, assegurando acompanhamento e visitas diárias, apoio psicológico, palavras de conforto e ajuda na hora da toma das refeições.

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Até ao final do ano 2015, a ligeireza no andar e a firmeza na atitude solidária fizeram de Maria Ramiro Godinho o modelo da orientação ética de um grupo de mulheres voluntárias que exercem no hospital de Abrantes.

Dona Mira, como é afetuosamente tratada pelas companheiras, sabia bem o que significa lidar com doenças terminais. O seu marido lutou durante doze anos contra um cancro, uma batalha que viria a perder em luta muito sofrida.

Então com 84 anos, dona Mira foi a primeira a inscrever-se para o serviço de voluntariado da Liga dos Amigos do Hospital de Abrantes. Queria vestir uma bata amarela para ajudar o próximo, partilhar a experiência de vida e os conhecimentos adquiridos. E o objetivo estava bem definido: ajudar e confortar os doentes com cancro e doenças terminais.

Em declarações ao mediotejo.net, o presidente da Liga dos Amigos do Hospital de Abrantes, Luís Fernandes, disse a notícia do falecimento de Dona Mira significa “uma perda enorme” para todos, tendo destacado que Mira Godinho “era a decana das voluntárias, com uma vida dedicada aos pobres e aos doentes, através da Liga”.

“Esteve sempre no ativo, até ao final do ano passado, porque dizia que já sentia muito cansada mas mesmo com 95 anos passava sempre pela enfermaria do hospital para ir ajudar a dar as refeições aos acamados ou para dar uma palavra amiga, de conforto, ânimo e carinho aos seus doentes, sempre com uma grande alegria. É uma perda enorme”, resumiu.

Em declarações à agência Lusa, corria o ano de 1991, Maria Ramiro Godinho, perdão, dona Mira, que de outro modo ela não aceitava, afirmou “viver o evangelho todos os dias”, assegurando que “é aí que estão todas as bases” do voluntariado.

“O meu marido morreu com cancro e eu passei por tudo isto durante muitos anos, pelo que sei dar valor à importância de dizer uma palavra certa à hora certa e viver com eles as horas más porque estão a passar”, observou.

Dona Mira afirmou na ocasião ter uma grande força espiritual que advém da sua força interior e do facto de “rezar e pedir todos os dias” para a caridade.

“Sou feliz assim”, despediu-se dona Mira.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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