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Domingo, Dezembro 5, 2021
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Abrantes | Depressão Elsa causou 1 milhão e 100 mil euros de prejuízos no Concelho

A passagem da depressão Elsa por Portugal causou um milhão e 100 mil euros de prejuízos no concelho de Abrantes. O número foi avançado esta terça-feira pelo presidente da Câmara Municipal, Manuel Jorge Valamatos (PS), indicando ter enviado um relatório explicativo, onde apenas constam os danos estruturais, à Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo. A ideia é avançar com um pedido de auxílio, dirigido ao governo, no âmbito da CIMT, ou seja, onde será apresentado o valor do prejuízo total nos 13 concelhos do Médio Tejo.

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A Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIMT) recebeu, ontem, um documento com “um levantamento exaustivo” dos prejuízos provocados pela depressão Elsa, que no concelho de Abrantes atingiu o montante de um milhão e 100 mil euros, durante a sua passagem por Portugal, na semana de 16 a 20 de dezembro de 2019.

Manuel Jorge Valamatos adiantou durante a reunião quinzenal do executivo  que o resultado do primeiro levantamento realizado pelas equipas técnicas da Câmara foi remetido à CIMT, entidade que está a elencar os prejuízos junto de cada um dos 13 municípios que a integram para que, na base da concertação também com a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), a região esteja posicionada para eventual enquadramento de medidas de apoio do governo central que possam surgir para minorar os prejuízos causados.

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No relatório, a Câmara aponta os “danos estruturais” infraestruturas municipais excluindo situações de derrocadas, danos em passeios – situações que os serviços municipais estão a repor por administração direta – ou problemas nas condutas de abastecimento de água que, sendo situações urgentes, os Serviços Municipalizados procederam ao restabelecimento dos mesmos, pelo que o apuramento dos prejuízos poderá ultrapassar a verba indicada.

O presidente da Câmara Municipal espera que governo central disponibilize apoios específicos para estes prejuízos em infraestruturas por se tratarem de valores muito elevados que é um valor incomportável para as Câmaras.

Reconheceu que sem a atribuição desse financiamento para as intervenções, “ficarão outras intervenções por fazer” uma vez que “o dinheiro não estica”, disse.

Contudo, Manuel Valamatos garante que a Câmara fará esse esforço financeiro. “A vida não pára!”, diz o presidente. “Com o apoio financeiro ficamos mais ‘confortáveis’. Caso contrário terá de ser um esforço exclusivo nosso. É inevitável! Teremos de resolver os problemas das pessoas”.

Reunião de Câmara Municipal de Abrantes. Créditos: mediotejo.net

No concelho de Abrantes, as freguesias mais afetadas pela depressão ‘Elsa’ foram Rio de Moinhos, designadamente em Pucariça, Aldeia do Mato e Souto, Martinchel e Abrantes e Alferrarede especificamente na aldeia de Sentieiras e Abrançalha.

Transbordo do leito de ribeiras provocando destruição de margens, valetas, arruamentos e condutas de água e danificação de muros de suporte; destruição de pontões e passagens hidráulicas; destruição de parte do talude em aterro, transbordo do leito da linha de água, com inundação do parque de merendas da praia fluvial de Aldeia do Mato são alguns dos estragos identificados como sendo de maior gravidade.

“Nestas quatro freguesias estão centrados os maiores prejuízos com a destruição de algumas linhas de água que confinam com zonas urbanas. É preciso restabelecer muros, zonas de hortas, pontões, estradas que ficaram danificadas estruturalmente, alguns pontões desapareceram por completo. Precisamos de 1 milhão e 100 mil euros para restabelecer todas as zonas afetadas”, explicou Manuel Valamatos ao mediotejo.net.

O levantamento dos prejuízos foi feito e o próximo passo passa pela “avaliação das prioridades. O que se torna mais urgente teremos de avançar de imediato, esperando que da parte do governo possa haver um reforço financeiro para que os municípios sejam aliviados desta pressão” da depressão Elsa que criou o caos em diversas zonas do País, acrescentou o autarca.

Em Alferrarede existem “duas zonas complicadas” na Estrada Nacional 2: na zona de Olho de Boi e na zona de Espinhaço de Cão (junto à encosta do castelo).

“Desde Olho de Boi até às Barreiras do Tejo, há muito que desejávamos que esse troço de estrada fosse administração do Município. É da responsabilidade das Infraestruturas de Portugal. Desejávamos lançar uma candidatura de requalificação dessa estrada reorganizando as barreiras do castelo e a zona de Olho de Boi na proximidade com a zona industrial. Temos de reunir rapidamente para encontrar estratégias e formas para reduzir os deslizamentos de terra na encosta do castelo e resolver a questão dos sistemas de drenagem na EN2 junto a Olho de Boi onde não funcionam”, referiu.

Em Rio de Moinhos, a cheias em dezembro de 2019 invadiram casas e estabelecimentos comerciais, tendo obrigado ao realojamento de seis pessoas. Foto: mediotejo.net

Manuel Jorge Valamatos deu ainda conta da intenção do executivo em “requalificar a entrada da zona industrial porque algumas empresas manifestam grandes dificuldades na entrada e saída de veículos de grande porte, e fazer alguma ação que permitisse escoar alguma água que ali se acumula com as chuvas. Na verdade queríamos fazer um projeto de fundo de requalificação e organização daquele troço da EN2”, referiu, sem garantir que tal obra avance até ao final do mandato, uma vez que “não depende exclusivamente do Município” a questão da desclassificação daquela estrada nacional.

Na ocasião, o presidente referiu “um estudo” e a intenção de avançar com “uma ligação pedonal entre a Rotunda das Oliveiras e o Aquapolis. Estamos a trabalhar nesse sentido. Essa passagem pedonal não tem de ser necessariamente junto à Estada Nacional. Pode ser ao longo da linha ferroviária ou pelas barreiras do castelo”.

Quanto a matérias de Ambiente, o presidente fala em “reflexão” e na necessidade de “centrar as atenções” no tema. Lembra os fogos no verão “com temperaturas elevadíssimas com condições propicias a incêndios extremamente violentos” no inverno “ou não chove ou chove torrencialmente e de forma agressiva. Estamos de facto perante situações muito evidentes das alterações climáticas que provocam estas situações e os Municípios e a sociedade têm de encontrar formas de se reorganizar, de se reconstruir”.

O autarca afirmou ver como “urgente” a consciencialização mundial da existência das alterações climáticas. “Todos temos de tomar atenção aquilo que não fazemos bem ambientalmente e da forma como nos estamos a comportar”, considerou.

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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