Abrantes debate importância geoestratégica em ano de centenário

Abrantes assinalou hoje o momento inaugural da requalificação do Monumento a D. Nuno Álvares Pereira, no Outeiro de São Pedr. Foto: CM ABT

A centralidade, a história industrial, a memória, o rio Tejo e o espírito de iniciativa das pessoas são alguns dos fatores hoje identificados como decisivos para Abrantes poder perspetivar um futuro de progresso.

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No ano em que assinala o seu centenário, as conclusões saíram hoje de um colóquio de debateu a importância geoestratégica de Abrantes e que reuniu durante todo o dia especialistas de várias áreas em torno da conferência “Abrantes – Tudo como dantes, um centro estratégico”, e que procurou “lançar desafios e oportunidades para uma cidade preparada para o futuro”.

No Outeiro de S. Pedro, assinalou-se ao final da tarde a intervenção de restauro e de salvaguarda do monumento em honra a D. Nuno Álvares Pereira, da autoria do escultor Lagoa Henriques e do Arq. Duarte Castel-Branco, com os esplendoros vitrais de Gil Teixeira Lopes.

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Maria do Céu Albuquerque, presidente da CM Abrantes, e Carmona Rodrigues, um dos oradores convidados. Foto: CM ABT

Fernando Catroga, presidente da Comissão das Comemorações do Centenário de Elevação de Abrantes a Cidade, disse ao mediotejo.net que o colóquio “terminou em tertúlia e gerou mais dúvidas do que certezas”, tendo, no entanto, destacado as intervenções dos palestrantes ao abordarem as “inquietações territoriais, história, defesa, geopolítica e geoestratégia, vias de comunicação e planeamento regional, e equacionando o futuro de forma interrogativa, num desafio de respostas”, no âmbito de Abrantes e da região onde se insere.

“Nos tempos que correm são muitas as inquietações territoriais, e as perguntas assentam no papel de Abrantes e do Médio Tejo no contexto nacional, não deixando neste dia de evocar o passado e centralidade de Abrantes, a importância militar, politica e económica e industrial, mas também lembrando períodos de refluxo e estagnação”, referiu.

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“Hoje estamos todos em concorrência uns com os outros, seja municípios com municípios, regiões com regiões, ou pela atração de capitais estrangeiros. E Abrantes faz parte da região do Médio Tejo e é com esta comunidade que tem de crescer e afirmar-se, nas suas diferenças e potencialidades”, afirmou, tendo defendido que o desenvolvimento e progresso “cabe muito ao espírito de iniciativa” das pessoas que vivem em cada comunidade.

“Hoje, ao nível comunidade agregada de municípios, existe uma cooperação e conjugação de escalas de participação e de governança da região que até há alguns atrás era completamente impensável”, enalteceu.

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“Abrantes”, continuou, “tem um estatuto de cidade média e tem todas as potencialidades para se lançar em novos desafios e para se afirmar como centro estratégico para mais 100 anos, seja pela população, pelo território, pela massa crítica, formação e memória industrial”, defendeu o professor, tendo lembrado a liderança de Abrantes no setor da metalurgia no século XX, com a Metalúrgica Duarte Ferreira, em Tramagal.

A presidente da Câmara de Abrantes, Maria do Céu Albuquerque (PS) fez a abertura da sessão, apontando para as “ações de futuro” que pretendem “devolver à comunidade um conjunto de equipamentos e património, que seja requalificado e colocado ao serviço da memória e da identidade coletiva”, no âmbito de um programa de regeneração urbana em curso.

“Queremos que seja um alicerce para aquilo que todos nós aspiramos, que é um concelho e uma cidade que se afirma no contexto local, regional e nacional com uma sociedade competitiva, capaz de atrair mais iniciativa, mais pessoas, mais turistas e com isso possamos criar as melhores condições para estimular a qualidade de vida dos cidadãos”, frisou.

Maria do Céu Albuquerque destacou ainda a importância de um “sentimento de pertença a uma comunidade viva, dinâmica, que quer construir os próximos 100 anos com empenhamento”.

No final do dia, aconteceu o momento inaugural da requalificação do Monumento a D. Nuno Álvares Pereira. “É para a autarquia um momento muito marcante, é um monumento que tem sido alvo de muitos momentos de vandalismo, nomeadamente com o furto da peça do escultor Lagoa Henriques, que não conseguimos ainda recuperar. Mas que temos esperança de conseguir encontrar desenhos ou os próprios gessos que nos permitam fazer uma réplica, qualquer coisa que para além das fotografias que temos possamos efetivamente devolver à comunidade esta obra de arte”.

Foi desenhado pelo arquiteto Duarte Castelo Branco, cuja filha, Catarina Castelo Branco, “tem ajudado neste processo para a sua requalificação”. Também Matilde Marçal, artista plástica abrantina, tem colaborado e “ajudou a chegar ao promotor /mentor dos vitrais que hoje devolvemos em grande qualidade ao monumento”.

A presidente da CM Abrantes lançou ainda um desafio à comunidade, para “ajudar a defender de eventuais atos de vandalismo que venham a acontecer naquela peça. É um momento muito importante, uma peça muito bonita e vamos todos trabalhar para a sua valorização”.

No Outeiro de S. Pedro, assinalou-se ao final da tarde a intervenção de restauro e de salvaguarda do monumento em honra a D. Nuno Álvares Pereira. Foto: CM ABT
No Outeiro de S. Pedro, assinalou-se ao final da tarde a intervenção de restauro e de salvaguarda do monumento em honra a D. Nuno Álvares Pereira. Foto: CM ABT

Relembrou-se ainda o lançamento de concurso de ideias, em cooperação com a Ordem dos Arquitetos, de onde surgirão projetos de requalificação do espaço” intramuros e extramuros”, que inclui o Outeiro de S. Pedro, o acesso dos Quinchosos, “toda a envolvente de maneira a podermos qualificar aquele que é ícone da nossa história e identidade”, concluiu.

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