Abrantes | Da horta para o consumidor, projeto PROVE celebra 10 anos no Ribatejo Interior

Os 10 anos do PROVE foram assinalados no Mercado Municipal de Abrantes com os novos produtores que se juntaram ao projeto. Foto: mediotejo.net

É uma combinação que tem como base três denominadores: os produtores locais escoam a sua produção, os consumidores adquirem produtos de qualidade vindos diretamente da terra e o território, consequentemente, vê a sua economia local em desenvolvimento. Na celebração dos 10 anos de vida, o PROVE – Promover e Vender, já levou produtos agrícolas até 150 consumidores com mais de 16 mil cabazes comercializados. No ano em que celebra uma década de existência, ganha agora uma nova casa e novos produtores hortofrutícolas.

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São 10 anos a levar os produtos da horta diretamente dos produtores para os consumidores. O projeto PROVE – Promover e Vender, surgiu em 2005 e chegou ao Ribatejo Interior em 2010 com a aplicação de um projeto de cooperação interterritorial da abordagem LEADER, onde se incluiu a TAGUS – Associação para o Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Interior.

Na prática, o programa junta pequenos produtores agrícolas num núcleo que todas as semanas fornece cabazes com produtos hortofrutícolas a consumidores previamente inscritos, promovendo assim novas formas de comercialização que contribuam para o escoamento dos produtos agrícolas e, simultaneamente, para o desenvolvimento da economia local.

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Na quinta-feira, 10 de setembro, o projeto celebrou os 10 anos de existência nos territórios de intervenção da TAGUS – Abrantes, Constância e Sardoal. Uma data assinalada numa cerimónia que se realizou esta sexta-feira, 11 de setembro, onde foram anunciadas duas novidades.

Na cerimónia dos 10 anos do PROVE marcou presença o presidente da Câmara Municipal de Abrantes. Foto: mediotejo.net

Mas, para já, vamos ao balanço de uma década de PROVE. “Um balanço claramente positivo”, afirma Conceição Pereira, coordenadora técnica da TAGUS em declarações ao mediotejo.net.

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“O balanço é claramente positivo, porque se não fosse positivo nós não conseguiríamos ter a resiliência que é ser agricultor ou consumidor ao longo destes 10 anos. Ser por si só agricultor não é fácil”, admite a responsável.

Ao longo de 10 anos, o projeto PROVE já juntou 18 produtores que fizeram chegar os seus produtos a 150 consumidores, num total de 16.278 cabazes comercializados, o que se traduz num volume de faturação de 134.428,00€.

A coordenadora técnica explica que a abordagem deste projeto assenta no comércio de proximidade. “Vimos adquirir o nosso cabaz, conhecemos os produtores que trabalham a terra e que se dedicam diariamente a trazer a qualidade dos produtos”.

Conceição Pereira, coordenadora técnica da TAGUS. Foto: mediotejo.net

Mas quais os benefícios desta comercialização de circuito curto? São diversos. Para o produto, o escoamento do produto e a obtenção de algum rendimento. Para o consumidor, a qualidade de produtos naturais e a confiança da sua origem. Para o território, o desenvolvimento da economia local, a sustentabilidade ambiental e a manutenção da paisagem.

Em tempos de pandemia, Conceição Pereira explica que as diferenças no projeto se fizeram sentir em termos de operacionalização e também da consciência dos consumidores. A coordenadora técnica da TAGUS espera que as comunidades passem a consumir mais produtos locais.

 

10 anos celebrados com casa nova e novos produtores

Vamos então às novidades.Uma delas foi uma nova casa. O primeiro núcleo do PROVE na região foi lançado em 2010 no antigo Quartel dos Bombeiros de Abrantes. Depois de passar também pelo Mercado Criativo, estava até agora no edifício Millenium, também em Abrantes.

Na cerimónia que assinalou os 10 anos do projeto, Manuel Jorge Valamatos, presidente da Câmara Municipal de Abrantes (município que assume a vice-presidência da direção da TAGUS) deu conta de que um dos pisos do Mercado Municipal de Abrantes vai ser o novo espaço onde os produtores vão poder vender os cabazes aos consumidores.

Espaço no Mercado Municipal de Abrantes onde todas as sextas-feiras vai ser feita a comercialização de cabazes PROVE. Foto: mediotejo.net

“Este é um espaço espetacular para este efeito. Penso que é a otimização daquilo que são as infraestruturas municipais”, disse o autarca. Posição que é também defendida pela coordenadora técnica da TAGUS, Conceição Pereira, que admite que o novo espaço “faz todo o sentido (…) um espaço equipado e preparado para dar condições a estes nossos produtores e aos nossos consumidores”.

O presidente do Município de Abrantes, na sua intervenção, referiu ainda a mais-valia que é a existência deste projeto. “Muitos de nós compramos produtos nem sabemos de onde vem e aqui temos essa possibilidade de perceber em que horta foi, a origem dos produtos, temos quatro produtores, conseguimos entender e interpretar a forma como produzem as diferentes coisas que colocam nos cabazes”, afirmou.

Casa nova, produtores novos. No total, o PROVE já juntou ao longo de 10 anos de existência 18 produtores. Atualmente, o único que resiste desde o primeiro dia de projeto é Simão Pita.

Simão Pita é produtor do projeto PROVE desde o arranque em 2019. Foto: mediotejo.net

Conta-nos que para ser agricultor “é preciso fazer muito exercício”. “Ser agricultor hoje em dia, passados 10 anos, é muito mais difícil e cada vez há-de ser mais difícil se não fizermos nada. E temos de fazer alguma coisa para que os agricultores tenham sucesso, porque se não houver agricultores o que é que vamos comer?”.

O agricultor reflete que o projeto PROVE lhe permitiu “aprender muita coisa”, nomeadamente a necessidade de “sermos educados no sentido de saber que as plantas têm ciclos e que não é possível produzirmos tudo a qualquer momento”.

Ensinamentos que o fizeram crescer de tal forma que é hoje o ‘orientador’ dos produtores que hoje se juntam a ele. E são três os novos produtores locais que fazem agora também parte do PROVE.

Nuno Alves, 32 anos, tem a sua horta na localidade de Alferrarede, no concelho de Abrantes. É um “completo defensor dos circuitos curtos” e admite ter pena de não se ter juntado mais cedo ao PROVE.

Conta ter começado na agricultura por gosto até que “há alguns anos, fruto do nascimento de uma nova consciência mais virada para a sustentabilidade, para o futuro, senti a necessidade de evoluir um pouco mais sobre aquilo que sabia sobre agricultura e comecei a ter conhecimento com um conjunto de novas técnicas, novas formas de abordar a produção agrícola e novas variedades”.

Desde então, nutriu um interesse especial na experimentação. Na horta de Nuno a diversidade não falta e para se ter uma pequena noção disso, o produtor deixa no ar dois exemplos dos seus cultivos: mostarda roxa japonesa e beterraba amarela.

Exemplo de cabaz. Foto: mediotejo.net

Tal como Simão Pita, Nuno Alves defende que a agricultura não é um trabalho fácil. “Para quem acha que a agricultura é uma profissão para quem não conseguiu subir na vida, não poderia estar mais enganado”, diz.

Márcia Louro é também uma nova produtora do projeto PROVE. Natural de Panascos, na localidade de Alcaravela, concelho de Sardoal, diz que se dedicou à agricultura devido à pandemia. “Comecei nisto como um antídoto anti-covid”, conta.

Só falta António Farinha, o terceiro do grupo dos atuais quatro produtores do PROVE no Ribatejo Interior. Natural da localidade de Amoreira, no concelho de Abrantes e com a agricultura a correr-lhe nas veias em resultado dos seus ascendentes, tem-se dedicado mais à área do cultivo de cereais e olival. Embarca nesta experiência como “um complemento” ao seu trabalho e espera contribuir para o sucesso do projeto.

A coordenadora técnica da TAGUS – Conceição Pereira, deixa bem claro que se a TAGUS é a mentora do projeto, são os próprios produtores, entre si, que fazem a gestão “na íntegra dos consumidores e de como é construído o cabaz”.

“São eles os responsáveis pela continuidade do projeto”, enfatizou.

Como adquirir um cabaz

No Ribatejo Interior existem duas dimensões de cabazes: um indicado para famílias de quatro elementos, com um peso entre 7 a 9 kg (com o valor de 11 euros) ; e outro para duas pessoas, com 5 a 7 kg (com o valor de 7 euros).

PROVE. Foto: mediotejo.net

O conteúdo de cada cabaz é variado – desde legumes, tubérculos, fruta e ervas aromáticas, variados e da época – e pode ser negociado com cada consumidor, sendo, para o efeito, disponibilizada uma lista dos hortofrutícolas disponíveis, na qual o consumidor deve assinalar aqueles que nunca pretende vir a receber, enviando de seguida por e-mail ou entregar diretamente nos locais de entrega dos produtos.

O consumidor pode, também, escolher a periodicidade que pretende receber o seu cabaz (semanalmente ou quinzenalmente).

As entregas são feitas às sextas-feiras entre as 16h30 e as 19h30, a partir deste dia 11 de setembro, no Mercado Diário de Abrantes.

Caso pretenda ser consumidor ou produtor do projeto PROVE, deve contactar a TAGUS – Associação para o Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Interior através do contacto telefónico 241 106 000, do endereço eletrónico tagus@tagus-ri.pt ou presencialmente, na Rua D. António Prior do Crato, nº135, em Abrantes.

 

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