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Sábado, Setembro 18, 2021

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Abrantes | Da “Guerra Fantástica” à “Centralidade Militar de Abrantes” nas XVII Jornadas de História Local

O Centro de Estudos de História Local de Abrantes (CEHLA) organizou mais uma edição das Jornadas de História Local, desta vez as XVII, relativas a 17 anos contínuos em atividade. Num programa vasto que decorreu ao longo de todo o dia, foram vários os temas abordados estando a manhã guardada para a história militar de Abrantes e ainda para a apresentação do nº34 da revista Zahara.

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Interessado pelas questões “geoestratégicas” e sendo Abrantes “uma constante” ao longo da história de Portugal, muito pela sua localização geográfica, “A centralidade militar de Abrantes” foi o tema escolhido pelo Coronel de Infantaria Luís Sodré de Albuquerque, diretor do Museu Militar, em Lisboa, para a primeira apresentação nas XVII Jornadas de História Local de Abrantes, que decorreram no dia 6 de dezembro, no Edifício Pirâmide e onde foi também apresentado o nº34 da revista Zahara.

Assim, explicou a questão geográfica, das penetrantes no território nacional, os eixos viários e ferroviários, da mobilidade Norte-Sul e da importância da centralidade militar de Abrantes. O Coronel referiu que em termos de estratégia militar, e porque o País é um retângulo, “tem muito mais importância a mobilidade Norte-Sul do que a Este-Oeste”, e essa realidade verificou-se ao longo da história nomeadamente com as Invasões Francesas.

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Os cursos de água, “os rios também definem as grande penetrantes no território e o divisor natural, o maciço central Montejunto-Estrela que divide o Pais de uma forma evidente com um Norte muito mais montanhoso. Isto vai provocar uma compartimentação transversal no terreno. Do ponto de vista militar vai provocar eixos de aproximação e foi muito bem estudado ao longo dos tempos”, deu conta, mostrando os locais onde “se pode penetrar em Portugal”.

Jornadas de História Local de Abrantes. Coronel Luís Albuquerque. Créditos: mediotejo.net

No Vale do Tejo, “o percurso do rio vai direito a Lisboa, a capital”, lembrou Luís Albuquerque, para referir que Junot “na primeira invasão francesa invadiu precisamente pela zona de Vale do Tejo. Não foi só ele. Durante a Guerra de Sucessão de Espanha no reinado de D. João V, no principio do século VXIII, foi também uma das zonas em que os espanhóis penetraram, chegando a conquistar Castelo Branco. Também foi usada no episódio português da Guerra dos Sete Anos”, a chamada Guerra Fantástica.

No Alentejo “todo ele é eixo, há possibilidades de invasão. Na zona de Elvas fez-se um esforço defensivo maior, por isso é que há todo o complexo defensivo de Elvas. Dá acesso direto, atravessando apenas o território, a Setúbal e daí a Lisboa. Aliás que 1580 foi exatamente esse o trajeto das forças do Duque de Alba, conquistaram Elvas foram diretas a Setúbal e daí fizeram o encontro com a frota naval que vinha de Cádis e deu-se a Batalha de Alcântara”, recorda.

E se a mobilidade é afetada pela transversalidade dos percursos dos rios, neste território, no eixo do Tejo, contam-se “as passagens de Vila Velha de Rodão, Abrantes e Constância. E nestes locais, Vila Velha de Rodão e Abrantes tiveram pontes militares. Abrantes tem o aspeto importantíssimo da centralidade, muito perto do centro geográfico do território e Abrantes vai ficar imediatamente antes da zona mais montanhosa daí permitir um melhor balanceamento entre o Norte e o Sul”, nota. Além disso, Abrantes “sempre foi bem servida quer por rede estradal, quer por rede ferroviária o que vai ser fundamental para a escolha desta zona para muitas coisas”, deu conta o Coronel, exemplificando com o Campo de Santa Margarida.

Abrantes serviu “como centro de preparações durante a Guerra Fantástica, com o Conde de Lippe, apercebeu-se das fraquezas do Exército português e usou como estratégia indireta, mais tarde já no século XX, enunciada por um estudiosos militar inglês, mas do centro de preparações em Abrantes conduziu todas as operações de defesa, sobretudo na zona de Vila Velha. Houve ali um combate, os espanhóis tentam atravessar para sul, mas também é de Abrantes que o Conde de Lippe manda fazer um raid sobre Valência de Alcântara em que o regimento espanhol foi capturado”, explica Luís Albuquerque.

A centralidade militar de Abrantes foi ainda reforçada com a crise de 1383-1385 por D. Nuno Álvares Pereira que “estabeleceu aqui um ponto de decisão, foi daqui que partiu antes de ir para Aljubarrota portante Abrantes foi sempre um ponto fulcral na estratégia de defesa do País”, disse.

Jornadas de História Local de Abrantes. Créditos: mediotejo.net

Já no tempo de debate o Coronel lembrou que “com as novas tecnologias as bases físicas são abandonadas” mas acredita que “havemos de lá voltar”. Contudo, acredita que “a tendência do Campo de Santa Margarida será sempre para crescer” uma vez que o seu tamanho “já não chega para o alcance das armas que é cada vez maior”. Considerou ainda “não ser sustentável um quartel em Abrantes com 80 homens lá dentro” o que o faz acreditar na “centralização”, considerando Abrantes “um bom local” para tal.

Mencionou ainda, a propósito do turismo militar, da enfermaria na entrada da Engenharia 1 em Tancos, como sendo um dos poucos “vestígios físicos da Primeira Guerra Mundial” em Portugal com “sentença de morte” definida, aguardando para ser “demolida há 2 ou 3 anos”. O Coronel defendeu a sua preservação, sugerindo para aquele local um Centro Interpretativo da Primeira Guerra Mundial.

Presente também, nessa manhã de Jornadas, esteve José Vieira para falar de Coisas dAbrantes, nomeadamente o número de cisternas que existiram na cidade antes e depois do adento da água canalizada em Abrantes que aconteceu em 1891 e outros temas que aborda frequentemente no seu blogue.

Jornadas de História Local de Abrantes. Créditos: mediotejo.net

Jornadas de História Local deixa “recados” ao presidente da Câmara

Na abertura das XVII das Jornadas de Histórica Local, José Martinho Gaspar fez “uma breve resenha” do CEHLA que nasceu em 2003, e falou sobre a revista Zahara.

“São mais de 4 mil páginas de história local que publicamos durante 17 anos. Um desafio lançado por Eduardo Campos a que ligaram outras pessoas como Alves Jana, Teresa Aparício, e fomos formando um grupo mais ou menos informal que desde o começo pensamos que deveria ser um grupo a trabalhar não só no concelho de Abrantes mas nos vários concelho envolventes nomeadamente Constância, Mação, Gavião, Sardoal, Vila de Rei e entretanto juntámos Vila Nova da Barquinha”.

Aproveitando a presença do presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Manuel Valamatos, o professor José Gaspar deixou alguns “recados” falando particularmente na necessidade de aceder à documentação do arquivo histórico e municipal digitalmente, considerando ser “uma mais valia. Uma medida que fazia todo o sentido”, defendeu.

Disse ainda que “durante 17 anos o grupo tem sobretudo trabalhado com muita seriedade, nas coisas da história local, trabalhamos todos de um ponto de vista do voluntariado, de serviço público e serviço social”, tendo feito notar que a revista Zahara tem um custo.

“Fazemos duas edições, para 600 exemplares de cada um dos números, representando entre 4,500 a 5 mil euros por ano. Não é muito fácil! Estando nós integrados na Associação Palha de Abrantes acabamos por estar condicionados em termos de financiamento”, nomeadamente pelo FinAbrantes, “ao facto de haver um limite por cada uma das associações”, explicou.

Para José Martinho Gaspar “faria sentido, pela Associação Palha de Abrantes ter diferentes valências, que se pudesse criar um regime em que estes projetos pudessem, de alguma forma, concorrer”.

O professor lembrou também que a região conta com um número de edições municipais “significativo”, contudo, “tem havido algum desacelerar no que diz respeito ao Município de Abrantes” considerando merecer “algum apoio em termos de publicação”. Concluiria com o lema do CEHLA: “Não há futuro sem memória”.

Em resposta, Manuel Valamatos garantiu estar atento “às preocupações manifestadas” por José Martinho Gaspar, acrescentando que “o vereador Luís Dias [com o pelouro da Cultura] também tem dado conta dessas mesmas preocupações”.

Recordou que o Município distribuiu cerca de meio milhão de euros pelas coletividades do concelho através do programa FinAbrantes, mas que “as questões da Cultura não podem desacelerar” dando conta de “muito investimento na ação cultural” apesar das preocupações com a transferência de competências na área da Educação que irá passar para a responsabilidade municipal 150 pessoas.

Quanto à digitalização do arquivo municipal assegura que “o processo está a decorrer”.

O evento é realizado ininterruptamente há 17 anos e nele o público pode contactar com autores, historiadores, comunicações e projetos, num dia onde decorreu também o lançamento e apresentação pública do mais recente número da revista semestral Zahara.

OIÇA AQUI AS DECLARAÇÕES DE JOSÉ MARTINHO GASPAR:

Abrantes/ XVII Jornadas de História Local. O professor José Gaspar fala sobre a iniciativa.

Publicado por mediotejo.net em Sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

 

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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