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Sábado, Outubro 23, 2021

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Abrantes | Curso de Liderança do Rotary no RAME para perceber a importância do coletivo

A Cerimónia de Encerramento do IX Curso de Liderança do Rotary Club de Abrantes decorreu na terça-feira, 4 de setembro, no Regimento de Apoio Militar de Emergência (RAME), em Abrantes. O curso, frequentado por 40 jovens estudantes com idades entre os 17 e os 20 anos, concluído por 39 (20 rapazes e 19 raparigas), visa contribuir para o desenvolvimento intelectual e formação académica dos jovens, aumentando-lhes as perspetivas de êxito nas suas futuras carreiras profissionais. E resulta de uma parceria entre o Rotary e o RAME, contando com o apoio da Câmara Municipal de Abrantes, da Pegop Energia Elétrica S.A. e da Sofalca. O IX Curso pretendeu corresponder à procura dos anteriores, realizados a partir de 2010.

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Durante sete dias, 168 horas, dez mil e 80 minutos a vida de 39 jovens estudantes, a maioria com 17 anos, mudou naquele que foi o IX Curso de Liderança do Rotary Club de Abrantes, ao verem os seus limites testados ao máximo, tendo no final desta edição “uma diferente maneira de encarar os dilemas da vida”, resumiu Clara Silva Minhoto, uma das jovens que terminou o curso de 2018.

“Apesar do cansaço, não só físico mas também psicológico, a resiliência persistiu, e ao final do dia era gratificante saber que havíamos cumprido todos os objetivos que nos foram lançados”, disse, por seu lado, António Santinho Mendes, um dos rapazes que, por brincadeira, até escolheu um pente zero para igualar o corte de cabelo ao dos militares do RAME.

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Através de palestrantes e formadores foi-lhes incutida “uma componente teórica fundamental para a superação do desafio” proposto, acrescentou Clara, que falou dos “incríveis” profissionais que acabaram amigos. “Juntos cantámos, dançámos, gritámos, rimos, chorámos, conseguimos. Obtivemos os maiores sucessos e ultrapassamos as piores derrotas”, frisou.

Clara Silva Minhoto e António Santinho Mendes na Cerimónia de Encerramento do IX Curso de Liderança

Por seu lado, António lembrou “as horas sem comer, noites sem dormir, experiências que nos fizeram passar pela cabeça palavras como desistir” tendo no capitão Marco Ordonho a âncora que impediu o barco desta experiência ir ao fundo . António garante terem sido “precisamente os obstáculos encontrados ao longo do percurso” que fizeram os 39 participantes “crescer” como pessoas.

É quase garantido, perdurar para sempre, “a memória do jantar delicioso no dia em que fomos confrontados com a situação da sobrevivência” ouvidas as palavras do capitão Cruz, “o melhor tempero é a fome”, referiu António. E também os “ensinamentos e valores transmitidos ao longo de uma semana, que nos fazem sair com a capacidade de encarar o mundo de outra forma”, disse Clara. Das lições, retiram que, durante a vida, não vão conseguir “ter sempre as pessoas que desejamos ao nosso lado” nem ser “suficientemente bons para agradar a toda a gente”.

No Curso, os militares do RAME encontram candidatos com as mais diversas personalidades, de uma geração nem sempre compreendida pelas gerações mais velhas, mas o comandante do RAME, coronel de artilharia César dos Reis, considera um dever entendê-los, disse ao mediotejo.net.

“Eles têm razão! São aquilo que são e as instituições têm de arranjar novas metodologias para conseguir captar os jovens, que são os nossos filhos, fruto do contexto criado por nós”, afirmou.

O coronel de artilharia César dos Reis durante a Cerimónia de Encerramento do IX Curso de Liderança

Deu conta da existência de “uma heterogeneidade do ponto de vista físico como também do à vontade na expressão em público. Quando em conjunto e face às situações criadas, propícias para que possam completar as provas, os que têm maior capacidade física têm de ajudar os que têm menor porque se não chegarem todos ao fim não cumprem o objetivo, desse modo percebem a importância do conjunto e do espírito de equipa”.

O coronel de artilharia César dos Reis considera “uma excelente parceria” entre o RAME e o Rotary uma vez que através desta iniciativa, defendeu, “estamos a contribuir para a valorização do percurso escolar e profissional “de jovens. Uma parceria em que “as três partes ganham”.

Garante a existência de diferenças nos formandos depois da conclusão do curso. “Estamos habituados a ver esse processo de transformação”. O curso com uma duração temporal menor que a recruta contudo “é conferida intensidade e são sujeitos a um conjunto de provas de situação, além do devido enquadramento teórico. Verificamos alguma alteração de comportamento até porque os jovens são desafiados, chamados a intervir, a falar e dar respostas. Esse é um dos grandes objetivos: conferir-lhes competências que poderão ser úteis num futuro muito próximo”.

Agradecendo “a confiança do Rotary Club de Abrantes no RAME” para a realização para mais uma edição que se insere “no propósito e missão do Regimento” numa aproximação à sociedade civil. Um projeto “de sucesso evidenciado pelo grupo de formandos que terminaram o IX Curso”, a edição com mais inscritos desde que arrancou a iniciativa em 2010.

Presidente do Rotary Club de Abrantes, Júlio Miguel

Em ambiente de internato no RAME são aprendidos temas como ‘a defesa nacional e a instituição militar’, ‘gestão de liderança’, ‘motivação e perfil do líder’, ‘ação de dinâmica de grupos’, ‘resiliência’, ‘narrativas de sobrevivência’, ‘falar em público com sucesso’, ‘gestão de conflitos’, ‘o processo e a tomada de decisão’, ‘gestão de stress’ ou ‘conhecer Rotary’.

Em nove edições, são 280 os jovens formados, também no seguimento do lema principal do pensamento rotário: “Dar de si sem pensar em si”, um lema “também usado pelo RAME e pelos militares que o integram na sua interação com a sociedade e na comunidade”, referiu o presidente do Rotary de Abrantes, Júlio Miguel, Clube que chega ao fim “com o sentimento de dever cumprido”.

No entanto, e apesar de ser dirigido para jovens dos 17 aos 20 anos, “tira maior proveito quem tiver maior maturidade. Os jovens têm muita pressa em vir fazer o Curso de Liderança, pressionam para poderem inscrever-se, mas às vezes é mau quando demasiado jovens”, entusiasmo “por saberem que em termos futuros é uma ferramenta muito útil”.

O Rotary tenta que a formação possua “uma a vertente militar e outra civil. Toda a parte prática é dada por militares. Cada equipa tem um ou dois militares e é acompanhada por um enfermeiro. Em todas as atividades que fazem há um líder e todos eles são líderes uma vez, assumindo responsabilidades. As informações são dadas só ao líder que as passa à equipa que parte para a ação”, explica Júlio Miguel.

Um momento musical na Cerimónia de Encerramento do IX Curso de Liderança do Rotary no RAME

Para esta parceria, a iniciativa de procurar o RAME “foi do Rotary Club de Abrantes. Temos alguns companheiros que são militares e começamos com a antiga Escola de Cavalaria. Depois o comandante César dos Reis apadrinhou e tem sido um impulsionador deste Curso”, sendo também para o Rotary “uma mais-valia” de onde nasceu os clubes de jovens de Abrantes: Interact e Rotaract. Apresentando-se também como “um assegurar do futuro” ou “a possibilidade de passar alguns valores”.

A organização acredita que o Curso de Liderança poder ser “diferenciador” no mercado de trabalho. “Temos informações de que efetivamente diferenciou”, vinca. No entanto, o Rotary rejeitou candidaturas. “Não é fácil dar um Curso a 40 formandos, provavelmente teremos de repensar o número de inscritos” nas próximas edições, disse Júlio Miguel.

O Curso, inicialmente pensado para os bolseiros do Rotary Club de Abrantes, tem um custo de 100 euros de inscrição, exceto para os bolseiros que pagam 20 euros. “Pagamos no RAME o valor que está estipulado para um militar por dia. Os jovens funcionam como mais um elemento militar”, explica o presidente. Assim, foram quarenta inscritos, 20 rapazes e 20 raparigas (uma delas desistiu antes do final da semana), oriundos dos concelhos de Abrantes, Mação, Sardoal, Entroncamento, Vila Nova da Barquinha, Portalegre, Santarém, Oeiras e Lisboa.

Cerimónia de Encerramento do IX Curso de Liderança do Rotary no RAME

Na Cerimónia de Encerramento do IX Curso de Liderança do Rotary Club de Abrantes, além de outras individualidades, estiveram presentes em representação da Câmara Municipal de Abrantes o vereador Luís Dias, o presidente da Câmara Municipal de Mação, Vasco Estrela, e o presidente da Câmara Municipal de Sardoal, Miguel Borges.

Coronel de artilharia César do Reis e o presidente do Rotary Club de Abrantes, Júlio Miguel

 

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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