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Domingo, Setembro 26, 2021

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Abrantes | Cristina caminhou 2.103 km pelos idosos e chegou a Rio de Moinhos de “coração cheio”

No número 39 da Rua Direita de Rio de Moinhos, o povo aguardou por Cristina Pires-Cox que cumpriu este sábado, 21 de agosto, uma caminhada de 2.103 km e que durou cerca de 9 meses – de Inglaterra a Portugal – para angariar fundos destinados à criação de um equipamento social para idosos nesta freguesia do concelho de Abrantes.

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Cristina não chegou sozinha, alguns amigos, incluindo o presidente da Junta de Freguesia, Rui André, caminharam a seu lado. A última etapa fez-se desde Castelo do Bode, passando por Martinchel, pelo cruzamento de Aldeia do Mato, depois Pucariça até chegar a Rio de Moinhos. Uma causa solidária que abraçou em memória de seu pai e em nome de sua mãe.

De Inglaterra Cristina Pires-Cox chega a Rio de Moinhos numa caminhada pelos idosos. Créditos: mediotejo.net

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“O primeiro passo” de um objetivo por concretizar; a criação de um equipamento social para idosos no referido número 39 da Rua Direita. Trata-se de uma Quinta doada à Junta de Freguesia pela benemérita Rosa Vieira da Cruz e que serviu, no passado, de residência ao ilustre médico Manuel Pádua Ramos, dos anos 40 aos anos 70 do século passado.

A construção de um equipamento social para idosos “era voltar a valorizar esta Quinta. Deixa de ser uma casa privada para ser uma casa coletiva, uma casa da comunidade”, referiu Rui André, dando conta que a Junta de Freguesia tenta também sensibilizar a proprietária da casa ao lado, que no passado foi um posto de correios, no sentido do edifício crescer e poder “duplicar eventualmente o número de utentes”.

O presidente da Junta notou que a construção “não é para se concretizar em dois ou três anos, demora mais um tempo” mas “é um gesto para concretizar, aquilo que pensamos. Um projeto de todos”.

Cristina Pires-Cox e Rui André. Créditos: mediotejo.net

Cristina Pires-Cox, que vive em Inglaterra há 30 anos, filha dos riomoinhenses Adolfo Pires e Alda Pires, não nega as suas raízes e o carinho que nutre pela freguesia, tendo “muitas memórias de infância e juventude” e recorda “as muitas histórias e narrativas contadas pelo meu pai acerca das gentes e da terra de Rio de Moinhos. O meu pai não queria que o passado se perdesse no tempo e que as gerações mais novas deixassem de dar valor às sua raízes”, disse.

Num passado recente, a saúde dos pais de Cristina deteriorou-se e esta deixou a família em Inglaterra para estar 6 meses em Rio de Moinhos a cuidar deles. Nesses meses avaliou as suas necessidades para determinar o melhor cuidado para lhes dar e afirma ter aprendido muito nas conversas com o seu pai, que acabou por falecer.

De Inglaterra Cristina Pires-Cox chega a Rio de Moinhos numa caminhada pelos idosos. Créditos: mediotejo.net

Com a chegada de pandemia e o confinamento durante meses seguidos “as fragilidades e necessidades dos idosos tornaram-se ainda mais evidentes e todas as conversas que tive com o meu pai começaram a fazer ainda mais sentido. Rio de Moinhos necessita sem dúvida de uma residência para os seus idosos, um lar para os acolher de maneira a que possam viver o resto dos seus anos com todo o apoio necessário, para terem uma velhice digna e feliz”, disse Cristina.

Assim nasceu a iniciativa “Caminhada solidária de Inglaterra para Portugal” em novembro de 2020.

Desta vez, chegou a Portugal no dia 5 de julho tendo caminhado os últimos quilómetros no sentido de cumprir os 2.103 – de Londres a Rio de Moinhos. A tarefa “correu bem” apesar das dificuldades que enfrentou com a pandemia e de não ter conseguido angariar o dinheiro que esperava, referiu Cristina ao mediotejo.net.

De Inglaterra Cristina Pires-Cox chega a Rio de Moinhos numa caminhada pelos idosos. Créditos: mediotejo.net

A solidariedade juntou, até ao momento, três mil euros, cheque que entregou este sábado à Junta de Freguesia de Rio de Moinhos, mas a angariação de fundos continua por mais um ano em www.justgiving.com/crowdfunding/cristina-pirescox.

“Pensava conseguir mais”, confessa, afirmando perceber que “em período de pandemia são muitas carências e há muita gente a fazer pedidos”.

Cristina Pires-Cox entregou um donativo de 3 mil euros à Junta de Freguesia de Rio de Moinhos. Créditos: mediotejo.net

Por outro lado, defende mais iniciativas de cidadania, nomeadamente de cariz social. “As pessoas devem iniciar mais projetos que envolvam a comunidade” de forma a criar um sentimento de pertença, defende Cristina.

“Vamos ser inspiração uns para os outros, vamos mostrar que uma pequena aldeia como Rio de Moinhos, e o seu povo maravilhoso, pode alcançar quando se está unido e determinado. Vamos ser um exemplo para outros seguirem”, acrescentou.

De Inglaterra Cristina Pires-Cox chega a Rio de Moinhos numa caminhada pelos idosos. Créditos: mediotejo.net

Contudo, descreve a ação como “difícil! Nem sempre foi fácil encaixar a caminhada com as responsabilidades da família e as responsabilidades pessoais, confinamentos e isolamentos mas conseguiu-se e agora sabe bem chegar à meta com o coração cheio”, afirmou.

Estava previsto o percurso ser realizado “em 8 meses e meio, acabou por ser 9 meses porque tivemos restrições, confinamentos e não dava para caminhar muitos quilómetros”, explicou.

Ainda assim, em caminhadas por Inglaterra, acumulando quilómetros, Cristina tentava aproximar-se ao máximo do local que deveria estar a caminhar naquele dia, à chuva, com neve, ao frio, com vento. Calor só encontrou em Portugal, sendo que da primeira vez que veio, já no cumprimento desta ação solidária, ao regressar a Inglaterra foi obrigada a ficar em quarentena.

Esta iniciativa é então “o primeiro passo” de um sonho que pode vir a ter forma de projeto nomeadamente com recurso ao Plano de Recuperação e Resiliência no qual está previsto financiamento para projetos inovadores no âmbito da Ação Social, explicou por seu vez a vereadora da Câmara de Abrantes, Celeste Simão, presente no evento.

Cristina Pires-Cox , João Paulo Rosado, Rui André e Celeste Simão. Créditos: mediotejo.net

Celeste Simão deu ênfase aquilo que defende ser a resposta social no futuro no que ao cuidado de idosos diz respeito. “Conseguirmos ter uma resposta social intermédia […] está na altura de sairmos fora da caixa e pensar em situações intermédias que possam ser financiadas, de maneira a sossegar os filhos mas também dar aos pais aquilo que eles merecem”.

Para a vereadora não passa for “fechar” os idosos “em quatro paredes porque todos sabemos o que passámos nesta situação de pandemia, com os idosos confinados, a verem só quatro paredes e as pessoas que tratavam deles. Estamos a tempo de começar a preparar este tipo de coisas, não é para amanhã, tudo isto leva o seu tempo, mas se todos colaborarmos tanto melhor será”, apelou, falando num “trabalho de articulação” em nome de “um projeto comum”.

Cristina Pires-Cox e João Paulo Rosado. Créditos: mediotejo.net

Por seu lado, João Paulo Rosado, presidente do Centro de Apoio a Idosos da Freguesia de Rio de Moinhos, a única IPSS da freguesia, também vê a iniciativa como “o começo” para colmatar “uma lacuna que temos na freguesia […] o Centro está a estudar” o projeto com a Junta, explicou, sublinhando ao nosso jornal “a necessidade de um estudo de viabilidade” no sentido de perceber as necessidades de Rio de Moinhos.

Depois de cortada a fita, simbolizando a chegada ao destino, da entrega do cheque com o donativo e dos respetivos agradecimentos, Rui André entregou uma lembrança a Cristina Pires-Cox, em nome da comunidade riomoinhense agradecendo “o altruísmo e dedicação a uma causa tão nobre”.

De Inglaterra Cristina Pires-Cox chega a Rio de Moinhos numa caminhada pelos idosos. Créditos: mediotejo.net

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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