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Terça-feira, Outubro 19, 2021

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Abrantes | Crédito Agrícola de Tramagal assinala 30 anos com pronúncia local (C/VIDEO e FOTOS)

Inaugurada no dia 1 de agosto de 1988, a Caixa de Crédito Agrícola Mútuo (CCAM) do Ribatejo Norte e Tramagal, instituição que resulta da fusão da CCAM do Tramagal com a CCAM do Ribatejo Norte (fundada em 1995), assinalou no dia 1 de agosto de 2018 [quarta-feira] 30 anos da inauguração da agência de Tramagal, um convívio que decorreu no Largo dos Combatentes aberto a toda a população.

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Arnaldo Santos, presidente do Conselho de Administração, o tramagalense Octávio Oliveira, que foi um dos fundadores da agência e é atualmente um dos administradores da CCAM do Ribatejo Norte e Tramagal, e a presidente da Câmara de Abrantes, Maria do Céu Albuquerque, usaram da palavra para falar da importância do presente e do futuro da instituição e referiram-se a alguns dos nomes dos fundadores, evocando a memória de alguns ilustres dirigentes da agência bancária, como, por exemplo,  Luís Bairrão, primeiro presidente da instituição, ou Augusto Cordeiro, presidente da Assembleia, ambos já falecidos.

Arnaldo Santos, presidente do Conselho de Administração. Foto: mediotejo.net

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“O balanço é muito positivo… foi na perspetiva de prestar um serviço aos tramagalenses e também ao concelho de Abrantes… abriram balcões em Abrantes, na Bemposta, no Pego e noutro concelho que é o Sardoal”, disse aos jornalistas Arnaldo Santos, presidente da Conselho de Administração, tendo feito notar que o facto de ter acontecido uma fusão com o Ribatejo Norte, foi por “imposições do regulador” e também pelos “desafios (…) que impõem que haja massa critica com maior volume para poder competir com aquilo que é o mercado”.

Questionado sobre o posicionamento da CCAM e a competitividade do mercado, Arnaldo Santos disse que a instituição que lidera compete no mercado “em igualdade de circunstâncias com qualquer outra banca”, tendo feito notar que, no entanto, o posicionamento difere bastante.

“Somos muito diferentes dos outros porque, primeiro ponto: este Banco é o Banco das pessoas. Ou seja, nós somos o único banco cooperativo em Portugal. Os donos do Banco são os seus associados…. A Caixa Agrícola do Tramagal são os tramagalenses, são os abrantinos. Eles é que decidem o seu futuro. A outra banca não é assim. Os resultados (…) ao longo dos anos são sempre aplicados aqui e normalmente em instituições de solidariedade social, na parte cultural, tudo dentro das nossas possibilidades. Há uma diferença abismal. Temos uma grande proximidade, conhecemos as pessoas pelo nome, sabemos as suas necessidades. Não significa que sejamos perfeitos, mas temos estas vantagens que nos distinguem de outro Banco”, defendeu.

O gestor apontou na ocasião aos desafios do presente para a instituição: o” desafio que temos aqui é crescer. Nós queremos crescer no concelho de Abrantes. Queremos que os abrantinos e os tramagalenses nos reconheçam como o seu Banco, capazes de responder com qualidade e seriedade e na medida das necessidades dos clientes. Queremos que nos reconheçam com essa capacidade, porque temo-la. Portanto este é o primeiro desafio que nós temos: crescer no concelho de Abrantes”, afirmou, tendo apelado a que os cidadãos utilizem a instituição”.

“O desafio que temos aqui é crescer. Nós queremos crescer no concelho de Abrantes”, afirmou Arnaldo Santos. Foto: mediotejo.net

A convite da gerência, a presidente da Câmara de Abrantes também esteve presente na festa do 30º aniversário da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo (CCAM) do Ribatejo Norte e Tramagal, no Largo dos Combatentes da Grande Guerra.

Maria do Céu Albuquerque felicitou a instituição bancária, os seus fundadores e colaboradores, frisando a importância de uma entidade que presta serviço “de proximidade” junto dos seus clientes e particulares, tendo destacado ainda a importância no incentivo financeiro a atividades locais tão importantes como são os setores agrícola e florestal, mas também noutras áreas de negócio.

“Trinta anos é uma vida, é uma história de momentos muito felizes não só pela criação desta delegação da CA no Tramagal mas por aquilo que representa para esta comunidade local. É o desenvolvimento local que está aqui em causa, a política de proximidade por esta instituição bancária, é a politica de incentivos a atividades de carácter mais tradicional e que estimulam a nossa economia local e nós não conseguimos, nem queremos, ficar indiferentes a este facto e com isso quisemos marcar presença para felicitar todos aqueles que ao longo destes 30 anos contribuíram para esta existência”, afirmou aos jornalistas presentes.

A autarca lembrou ainda o engenheiro Luís Bairrão, personalidade tramagalense que, afirmou, “fez um trabalho notável até ao último dia da sua vida na manutenção e criação das melhores condições para que esta instituição seja a referência que ao longo de 30 anos foi sempre construindo”.

Maria do Céu Albuquerque felicitou a instituição bancária, os seus fundadores e colaboradores, e destacou a importância de uma entidade que presta serviço “de proximidade”. Foto: CM ABT

A inauguração da Caixa Agrícola de Tramagal decorreu a 1 de agosto de 1988, tendo decorrido de uma promessa eleitoral uns anos antes pela lista então liderada por Francisco Estudante, e que viria a ganhar as eleições. José António Agostinho assumiria a condução do mandato conquistado por Estudante e deu continuidade ao processo de criação desta instituição. As reuniões preparatórias para a sua constituição aconteceram na antiga Casa do Leite, na praça, na sala da Junta de Freguesia, na sala de espetáculos da Sociedade Artística Tramagalense e na “sala de baile” do Teatro Tramagalense, o que também foi revelador do empenhamento de toda a comunidade e dos movimentos associativos de Tramagal, lembrou ao mediotejo.net Octávio Oliveira, um dos fundadores da agência, e que hoje é um dos administradores da mesma.

“Eu participei de facto na escritura que constituiu na altura a CCA do Ribatejo Norte, o Luís Bairrão foi o primeiro presidente da direção, assim como o Augusto Cordeiro foi o primeiro presidente da Assembleia Geral, ambos falecidos. O engenheiro Luís Bairrão foi presidente até ao fim da sua vida”, referiu, recordando alguns dos passos e das personagens que permitiram que no dia 1 de agosto se comemorassem 30 anos da abertura do balcão do Tramagal.

“Na altura a legislação não permitia que houvesse mais do que uma Caixa Agrícola por concelho e aproveitou-se o facto de Abrantes não ter uma caixa para aqui sediar a caixa agrícola do concelho de Abrantes. São 30 anos de história, penso que é importante recordar aqueles que estiveram na sua génese, aqueles que desenvolveram a sua atividade quer nos corpos sociais quer trabalhando como funcionários na Caixa de Crédito Agrícola do Tramagal”, afirmou, tendo lembrado que também foi importante na ocasião as pessoas estarem “disponíveis para serem sócias da caixa agrícola e subscreverem títulos de capital para viabilizarem a caixa agrícola”.

“E, portanto, o senhor engenheiro Bairrão, o Álvaro Pires que também julgo que poderia ter estado hoje aqui, fizeram parte dessa primeira direção”, reiterou, tendo lembrado alguns dos passos que estiveram na génese da criação da instituição em Tramagal.

Octávio Oliveira, um dos fundadores da agência, é um dos administradores da instituição. Foto: mediotejo.net

“Curiosamente, o Tramagal, apesar de ter sido uma povoação com grande desenvolvimento económico onde esteve sediada a maior empresa metalúrgica do País, nunca teve uma agência bancária e portanto, em 1985, nas eleições autárquicas, foi feita essa promessa do Tramagal vir a ter uma agência bancária. Infelizmente não foi possível, na altura era muito complicado abrir uma agência bancária, estava dependente de uma disponibilidade, não só dos bancos, como do próprio Banco de Portugal”.

“[o Banco de Portugal tinha uma grande condicionante relativamente ao número de agências bancárias a abrir e portanto a criação da Caixa Agrícola do Tramagal teve a ver com o encontrar a forma de, não tendo a possibilidade de ter uma agência bancária, por exemplo na altura do Banco Pinto & Sotto Mayor que estava localizado em Constância ou da própria Caixa Geral de Depósitos, portanto, não tendo essa agência bancária, ter um Banco]” – observou o gestor, dando conta que foi assim, de alguma forma, que nasceu a Caixa Agrícola do Tramagal.

Questionado sobre a atualidade e o futuro, Octávio Oliveira disse que a CCAT “teve um elevado mérito de ter sabido abrir delegações em Abrantes, no Pego, na Bemposta e no Sardoal. Este foi um caminho que foi percorrido pela CCAT e muito se deveu à ação dinamizadora do engenheiro Luís Bairrão e do senhor José Rodrigues, enquanto membros e presidentes da CCAT. Mais tarde a CCAT veio a integrar a CCA do Ribatejo Norte, juntando-se às Caixas Agrícolas de Riachos, de Torres Novas e de Tomar”.

A realidade, hoje, é “completamente diferente”, frisou.

“É um Banco que, estando integrado no Crédito Agrícola, abrange todos estes concelhos que acabei de referir. É, portanto, um Banco com características muito próprias, porque é um Banco à escala nacional, visto integrar o Crédito Agrícola, mas é um Banco com uma pronúncia local. Ou seja, há aqui uma grande proximidade entre as pessoas e a instituição. E essa é a grande diferença entre o Crédito Agrícola e os outros Bancos: a sua capacidade de estar próximo das pessoas e tentar de alguma forma contribuir para o desenvolvimento local, das economias locais e também ser, muitas das vezes um parceiro das próprias instituições, da economia social e das associações em processos de desenvolvimento local”, concluiu.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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