Abrantes | Covid-19 leva o histórico restaurante do Pego “Bertolina” a fechar portas, mantendo apenas ‘take away’

Café Restaurante 'Bertolina' no Pego. Créditos: DR

O restaurante ‘Bertolina’ no Pego fecha as portas… pelo menos até final do ano. “Depois logo se vê”, diz ao mediotejo.net Júlio Vitória, filho da senhora Bertolina, proprietária que dá nome a um dos mais populares restaurantes de comida tradicional da Aldeia das Casas Baixas, há mais de 30 anos a servir o famoso cozido ou o tão português bacalhau com couves. As exigências impostas pela Direção-Geral de Saúde levaram à decisão de encerrar o restaurante, que voltará a servir apenas em ‘take away’, e numa versão mais familiar, tendo em conta que a pandemia “obrigou” ao despedimento dos 4 trabalhadores.

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Os restaurantes e os cafés quando reabrirem, a partir de 18 de maio, devem privilegiar o uso das esplanadas e o serviço ‘take away’ e incentivar o agendamento prévio, segundo as orientações da Direção-Geral da Saúde (DGS), que obrigam ainda a um distanciamento mínimo de 2 metros entre clientes, ementas descartáveis ou que possam ser desinfectadas entre cada utilização. São muitas as exigências que “não agradam” a Júlio Vitória, por entender não ser viável nem rentável abrir o restaurante ao público.

O ‘Bertolina’ é um dos restaurantes mais populares do Pego, no concelho de Abrantes, que há mais de 30 anos serve comida tradicional, impulsionado também pelo crescimento da freguesia aquando da instalação da central termoeléctrica do Pego, entretanto, com o encerramento anunciado para o final de 2021.

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“A sala é grande mas o distanciamento de dois metros de mesa para mesa” implica uma redução substancial do número de clientes, por isso, “não vale a pena ter aqui os empregados”, assegura ao mediotejo.net, falando em aproveitar o encerramento para “uma remodelação” do espaço. Para já, ficará de portas fechadas até final de 2020. “Depois logo se vê!”

O caso não é único. As orientações da DGS são uma das razões apontadas para o fecho de muitos restaurantes – podem chegar a representar 10% dos existentes a nível nacional, segundo Associação da hotelaria, restauração e similares de Portugal. Na região, um dos que também não volta a abrir portas é o restaurante “Sabores de Guidintesta” em Belver, no concelho vizinho de Gavião.

Entre as medidas a adotar, a autoridade de saúde destaca a redução da capacidade máxima do estabelecimento, por forma a assegurar o distanciamento físico recomendado de dois metros entre as pessoas, privilegiando a utilização de áreas exteriores, como as esplanadas (sempre que possível) e o serviço ‘take-away’. A disposição das mesas e das cadeiras “deve garantir uma distância de, pelo menos, dois metros entre as pessoas, mas os coabitantes podem sentar-se frente a frente ou lado a lado, a uma distância inferior”.-

As empresas devem impedir que os clientes modifiquem a orientação das mesas e das cadeiras, permitindo que os trabalhadores o façam, mas sempre garantindo a distância necessária.

A DGS recomenda também que, sempre que possível e aplicável, seja promovido e incentivado o agendamento prévio para reserva de lugares. Por outro lado, estão desaconselhados os lugares de pé, tal como as operações do tipo ‘self-service’, como ‘buffets’.

Por isso, Júlio Vitória optou por disponibilizar o serviço ‘take away’ num negócio que será agora mais familiar, uma vez que a pandemia obrigou ao despedimento dos 4 funcionários que tinha ao seu serviço no negócio de restaurante e café.

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“O café é para manter aberto, podendo servir algum petisco” não fosse o Pego já considerada a capital do petisco. “Fico a trabalhar eu, a minha mulher e a minha mãe. De resto vamos evoluindo consoante o mercado”, nota, adiantando que recorrer ao lay-off simplificado “nunca foi opção”.

A limpeza e desinfeção dos espaços deve respeitar as orientações anteriormente emitidas pela DGS, sendo que os proprietários devem desinfetar, pelo menos seis vezes por dia, todas as zonas de contacto frequente (maçanetas de portas, torneiras de lavatórios, mesas, bancadas, cadeiras, corrimãos).

O mesmo deve ser feito com “os equipamentos críticos (tais como terminais de pagamento automático e ementas individuais”, após cada utilização.

A orientação estabelece também a necessidade de higienização das mãos com solução à base de álcool ou com água e sabão à entrada e à saída do estabelecimento por parte dos clientes, que devem respeitar a distância entre pessoas de, pelo menos, dois metros e cumprir as medidas de etiqueta respiratória.

Os clientes devem também considerar a utilização de máscara, exceto durante o período de refeição, evitar tocar em superfícies e objetos desnecessários e dar preferência ao pagamento eletrónico.

O documento estabelece também os procedimentos a adotar pelos trabalhadores dos estabelecimentos de restauração e bebidas, nomeadamente a utilização de máscara durante o período de trabalho com múltiplas pessoas.

A DGS lembra que “os estabelecimentos de restauração e bebidas, pelas suas características, podem ser locais de transmissão da infeção por SARS-CoV-2, quer por contacto direto e/ou indireto”.

C/Lusa

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