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Abrantes | Contratação de médicos continua “difícil”, conclui BE em defesa do SNS (c/vídeo)

O Bloco de Esquerda está a promover um roteiro pelo País em defesa do Serviço Nacional de Saúde. Esta segunda-feira, 26 de março, o Bloco percorreu o distrito de Santarém finalizando a ação em Abrantes com a presença dos deputados do BE Carlos Matias (deputado eleito ao parlamento pelo Circulo de Santarém) e por Moisés Ferreira (vice-presidente da comissão de saúde no parlamento).

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O Bloco de Esquerda está a dar uma volta pelo País com várias iniciativas em defesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS). No dia 14 de abril promoverá uma conferência nacional em Lisboa e, até lá, dirigentes e deputados visitam unidades de saúde, ouvindo os utentes e os profissionais, e divulgando as suas propostas para um melhor SNS. Esta segunda-feira foi a vez do distrito de Santarém, começando por Salvaterra de Magos e terminando em Abrantes.

O Bloco critica o Governo do PS por se mostrar “manifestamente insuficiente para a concretização destas tarefas”, por manter “a subordinação dos serviços públicos às metas do défice” e o “subfinanciamento crónico” do SNS e por “não ter coragem de atacar os negócios privados e os interesses instalados na Saúde”, permitindo “a fuga de milhares de milhões de euros do orçamento do SNS diretamente para os bolsos dos privados”.

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Estas criticas espelham-se no balanço do dia que o deputado eleito pelo círculo de Santarém, Carlos Matias, fez ao mediotejo.net. O responsável deu conta de 20 mil utentes em Salvaterra de Magos e Rio Maior sem médico de família. “Há uma grande dificuldade em contratar médicos de família e integrá-los nos centros de saúde. Muitos utentes são atendidos por médicos prestadores de serviços e contratados através de empresas, muitas vezes com condições pouco dignas de remuneração”.

Sessão pública pela defesa do SNS do Bloco de Esquerda, em Abrantes

Carlos Matias falava na sede da União de Freguesias de Abrantes e Alferrarede, após uma sessão pública pela defesa do SNS, com Piedade Pinto (Enfermeira do SNS e membro do PS com assento na Assembleia Municipal de Abrantes) e eleitos do BE. Iniciativas que os bloquistas vão realizar em todo o país até abril, com o objetivo de criar um movimento em defesa do SNS.

O deputado referiu que tais circunstâncias “prejudicam os utentes” inclusivamente “existem grupos de risco que não estão a ser atendidos” o que pouco “dignifica” o trabalho dos profissionais de saúde.

O BE defende por isso grande investimento “ao nível dos cuidados de saúde primários” dando conta da existência no Médio Tejo de “cerca de 10 mil utentes sem médicos de família”, número repartido por vários concelhos, admitindo “uma evolução a esse nível com um caminho grande ainda por percorrer”.

No périplo pelo distrito de Santarém, Carlos Matias deu conta da visita a Tomar onde os responsáveis do Bloco reuniram com o Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT) onde também o “grande problema” passa pela falta de médicos e na dificuldade de fixar esses profissionais no Médio Tejo. Serão pelo menos 30 mil utentes sem médico de família no distrito de Santarém.

“É difícil contratar. Em Abrantes abriu concurso para 150 médicos só concorreram meia dúzia. Os médicos continuam a querer trabalhar nos grandes centros urbanos” havendo particular dificuldade em algumas faixas etárias. Contrata-se “até 30 anos e dos 50 para cima”, refere o deputado. Só em Abrantes existem cerca de cinco mil utentes sem médico de família.

Neste momento o CHMT tem cerca de 144 médicos e “para funcionar em pleno precisaria de 200 médicos, sendo que “muitos destes profissionais de saúde não têm uma carreira hospitalar” disse, defendendo a existência dessa mesma carreira que “estimulasse a progredir e a fixarem-se no Médio Tejo para que também ao nível dos cuidados de saúde hospitalares a população do nosso distrito tenha direito aos cuidados que merece”.

O Bloco defende que é necessária uma nova lei de bases da Saúde que separe o público do privado e garanta o acesso universal e integralmente gratuito, e mais investimento público no sector.

Nessa Lei de Bases “estará consagrado o direito a um carreira para os profissionais de saúde e mais investimento público no SNS não permitindo que continue a ser sangrado de recursos quer humanos quer financeiros para alimentar todo o sistema privado que vive nas margens do SNS e infelizmente tantas vezes vive à custa dele” afirmou o deputado. O BE tem agora cerca de um ano para fazer uma nova lei de bases da saúde e é nesse trabalho que manifestam estar empenhados.

Também na mesma sessão, o deputado do Bloco, Moisés Ferreira, defendeu “uma separação clara entre o público e o privado. “Não cabe ao Estado apoiar o desenvolvimento do sector privado. Não há vantagem social, em concorrência com o sector público. Mais uma vez é subverter a essência do SNS”.

A propósito da “má gestão” Moisés Ferreira, que é vice-presidente da Comissão de Saúde do Parlamento, culpando o Ministério da Saúde e o Ministério das Finanças, referiu que o BE fez um levantamento sobre a falta de viaturas para fazer domicílios “que é transversal em todo o País” e há cerca de um ano questionou todos os ACES sobre a verba gasta em táxis por falta de viaturas suficientes para fazer domicílios, “nem todos responderam” mas “os que responderam deram conta de terem gasto três milhões de euros. Quantos carros se compram com três milhões de euros?” questionou.

“O SNS deve prestar todos os cuidados de saúde, é por isso que é geral e universal e só onde momentaneamente ou pontualmente for insuficiente é que pode fazer sentido uma convenção. Não há aqui nenhuma guerra ideológica contra os privados”, garantiu Moisés Ferreira.

As urgências também foram abordadas por Carlos Matias. “É nas urgências que se exigem equipas mais rotinadas, que trabalhem em cooperação” e onde a precariedade é maior “com médicos que trabalham pagos à hora”.

Carlos Matias deu ainda conta de outra proposta que o BE pretende apresentar; uma lei de bases sobre alimentação adequada, plasmando que a alimentação é um direito humano tal como o acesso aos cuidados de saúde é um direito da democracia.

Abrantes| O Bloco de Esquerda dedicou esta segunda-feira à defesa do Serviço Nacional de Saúde. O deputado do BE eleito pelo círculo de Santarém, Carlos Matias, faz o balanço do dia no distrito de Santarém.

Publicado por mediotejo.net em Segunda-feira, 26 de Março de 2018

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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