Abrantes | Construção da nova ESTA arranca em breve, garante autarca

“Players” do Marketing Territorial debateram na quinta-feira, dia 29 de novembro, na Escola Superior de Tecnologia da Abrantes (ESTA), a importância da Economia Digital para o desenvolvimento do Interior. Em foco estiveram as oportunidades para os jovens empreendedores e as potencialidades que começam a ser reconhecidas por empresas tecnológicas, que se têm vindo a fixar em diversos concelhos do Interior do País, nomeadamente ao longo do eixo da A23. A presidente da Câmara de Abrantes aproveitou o momento para informar os alunos que a construção da nova ESTA está para breve.

“Nós já passámos a fase do betão há muito” começou por afirmar na ESTA a presidente da Câmara Municipal de Abrantes, englobando, na sua afirmação, o presidente da Câmara Municipal do Fundão, Paulo Fernandes. Maria do Céu Albuquerque explicava que entende a função de autarca na criação de “melhores condições para aumentar a qualidade de vida dos cidadãos sendo fundamental aumentar a atratividade e competitividade dos territórios” do Interior do País, dominando a tecnologia digital.

Ainda assim, a novidade que Maria do Céu Albuquerque levou até à Escola Superior de Tecnologia reflete que a construção de infraestruturas em betão continua a ser uma componente da governação de Abrantes. “Temos tudo praticamente pronto para construir a nova ESTA”, garantiu Maria do Céu Albuquerque, sem promessas de concurso público ainda em 2018 mas “para breve”.

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A presidente considera que a existência de Ensino Superior no concelho de Abrantes “é um fator distintivo”. Nesse sentido, a Câmara “trabalha diariamente com a Escola” na manutenção do edifício Milho reconhecendo “não ter as melhores condições”.

A autarca referiu, nesse âmbito, os investimentos nos laboratórios no Parque Tecnológico do Vale do Tejo e recordou o “estímulo às parcerias entre as empresas e a Escola”. Deu conta ainda que o município desenvolve “em processo contínuo” o projeto das Cidades Inteligentes, e que foi apresentado por Paula Grijó aos alunos da ESTA e restante público que compunha a plateia no auditório.

A Economia Digital como Eixo do Marketing Territorial em Debate na ESTA. Maria do Céu Albuquerque

Em debate a importância da Economia Digital para o desenvolvimento do Interior para o qual a ESTA convidou “players” do Marketing Territorial como o autarca Paulo Fernandes, Paula Grijó, em representação da Câmara Municipal de Abrantes, Nuno Dionísio, diretor do CENIT IBM/Softinsa, e Luís Curvelo, diretor de inovação do grupo Compta para discutir “Políticas e Estratégias de Desenvolvimento”. O debate foi moderado pelo jornalista Flávio Nunes, antigo aluno da ESTA, atualmente a trabalhar no jornal económico digital ECO, em Lisboa.

Em foco estiveram as oportunidades para os jovens empreendedores e as potencialidades que começam a ser reconhecidas pelas empresas tecnológicas, que se têm vindo a fixar em diversos concelhos do Interior do País, nomeadamente ao longo do eixo da A23.

“O futuro das gerações mais jovens é uma preocupação real na nossa Escola, localizada bem no coração de Portugal. Estas iniciativas visam abrir portas e mostrar caminhos alternativos, para proporcionar opções profissionais e de vida aos nossos alunos”, disse por seu lado a diretora da ESTA, Sofia Mota.

A Economia Digital como Eixo do Marketing Territorial em Debate na ESTA. Sofia Mota

Maria do Céu Albuquerque, que marcou presença na abertura do segundo painel do evento, mostrou-se convicta no desenvolvimento de projetos imateriais “com resultados num futuro próximo”.

A presidente defende que tais investimentos potenciam, nomeadamente, aos alunos da ESTA “que escolheram Abrantes para estudar, terem aqui os vossos estágios, ficarem a trabalhar, terem aqui as vossas famílias e com isso podemos tentar evitar um fenómeno, diremos natural, de saída das zonas mais periféricas para as mais metropolitanas, contribuindo para aumentar a riqueza dos nossos territórios e a massa crítica do grupo de cidadãos a quem servimos”.

No entanto, a avaliar por “uma pequena sondagem” de iniciativa de Flávio Nunes, o resultado do esforço não é animador. Questionados os alunos, presentes no auditório, que escolheram Abrantes para desenvolver competências, se pretendiam permanecer após terminar o curso na ESTA, a resposta foi negativa.

Paulo Fernandes desvalorizou. Independentemente das oportunidades criadas “as pessoas que estudam em Abrantes podem ter uma motivação para querer sair da cidade”. Para o autarca de Fundão a grande questão prende-se com “a transmissão de valores” precisamente para “criar valor”, garantindo que, no seu concelho, os jovens mais difíceis de fixar são os do próprio concelho, pela vontade de procurar “outras realidades”.

A Economia Digital como Eixo do Marketing Territorial em Debate na ESTA.

No entanto, o município de Fundão, “um dos concelhos dos mais ruralizados do País”, segundo Paulo Fernandes, que desde 1950 perdeu cerca de metade da população, apresenta-se atualmente como um caso bem sucedido no âmbito da aplicação do Plano de Inovação. Como? Por exemplo com a Academia de Código Júnior.

“Todas as crianças dos 6 aos 12 anos aprendem código, aprendem programação” disse o autarca. O programa para os mais pequenos é totalmente gratuito.

Já o programa para adultos da Academia de Código, a formação só é paga pelo alunos com bons resultados e que conseguem arranjar emprego. “Se mandriarem, não pagam!”, assegura Paulo Fernandes, apesar de à primeira vista parecer um contra senso. Acrescentaria que “97% dos formandos acabam a pagar a formação”, provando o sucesso da iniciativa.

Refira-se que na Academia de Código existem diversas modalidades de pagamento consoante o campus escolhido. No Fundão, o aluno começa a pagar o curso quando, e se, encontrar trabalho na área das Tecnologias de Informação. Caso não encontre emprego no prazo de 12 meses, o curso é totalmente gratuito. Se o aluno decidir aceitar uma proposta numas das empresas do Fundão, terá de pagar metade do valor total do curso (2.500 euros). Para quem pretender fazer o curso no Fundão mas depois trabalhar fora da região, o pagamento deve ser feito na totalidade (5.000 euros).

Além disso, apostaram em produtos de excelência da região como “a cereja do Fundão” e elegeram três competências como “mais importantes” defendendo o presidente uma via para uma maior proximidade das mesmas: “conetividade, imigração e internacionalização”.

Essa junção da agricultura com a tecnologia mereceu já diversos prémios, o último em outubro de 2018, entregue em Bruxelas. O Centro de Negócios e Serviços Partilhados do Fundão venceu o prémio RegioStars da Comissão Europeia. O projeto financiado pelo Centro 2020, venceu na categoria de “Projetos com forte impacto em termos de geração de emprego e riqueza”.

Este projeto no antigo pavilhão multiusos permitiu atrair 14 empresas TICE (Tecnologias de Informação, Comunicação e Eletrónica) e criar 500 postos de trabalho altamente qualificados numa cidade de cariz rural com menos de 15 mil habitantes.

Por seu lado, Paula Grijó apresentou o projeto abrantino Cidades Inteligentes que surgiu em 2016. Assente em quatro eixos que se querem ‘inteligentes’: governação, ambiente, qualidade de vida e economia.

Tendo em conta a simplificação da modernização administrativa, uma governação aberta e interativa, cuidado ambiental, coesão social, diversidade cultural e inclusão digital, captar e fixar talentos, investimentos e projetos inovadores. A responsável deu ainda conta da linha de apoios municipais no sentido de fixar talentos no território.

A Economia Digital como Eixo do Marketing Territorial em Debate na ESTA. Paulo Fernandes, Paula Grijó, Nuno Dionísio e Luís Curvelo

Uma das dificuldades no interior do País mencionadas por Nuno Dionísio prende-se com o recrutamento de “mão de obra especializada” na área da informática. Portanto, abrir um negócio de tal natureza em Tomar foi um risco ponderado.

No entanto, a sua empresa aposta “na formação de pessoas de outras áreas que não as engenharias como as ciências sociais”. E hoje conta com 350 colaboradores em Tomar mais 100 em Viseu num total de 700 que tem em Portugal. “Queremos replicar a fórmula de sucesso que trouxemos para o Médio Tejo em 2013” disse, destacando a importância das instituições de Ensino Superior que “garantem qualidade”. Além disso a empresa opta por políticas de “flexibilidade de horário e teletrabalho”.

No entanto, questionado por Flávio Nunes se no Interior o custo salarial com os mesmos profissionais de Informática fosse o mesmo que numa cidade do Litoral se equacionavam ainda assim investir no Interior, Nuno Dionísio não soube responder. Admitiu que os salários no Interior são mais baixos e que esse “menor custo torna as empresas mais competitivas”.

Por último, Luís Curvelo lembrou que os portugueses em caravelas “deram muitos mundos ao mundo” para afirmar que “as caravelas agora são digitais”. Em nome da empresa afirma ter encontrado em Abrantes “uma triangulação perfeita até ao momento: Infraestruturas de tecnologia avançada; saber diferenciador, e visão na governança da autarquia, das instituições e da própria ESTA”.

Para Luís Curvelo, “o fator localização é importante mas não é determinante”, acreditando que no Interior do País “é possível ser diferenciador”. Como exemplo refere a plataforma tecnológica criada para os Resíduos Sólidos Urbanos de Abrantes, “o único projeto de uma empresa portuguesa exposto em Munique que participa numa montra ao lado de projetos de todo o mundo”.

O evento sobre Economia Digital teve um primeiro painel dedicado aos “Desafios e Oportunidades ao Empreendedorismo”, composto por ex-alunos da ESTA: José Brízida, da Mosca Digital, Alexandre Carrança, da Immersive/Pyx, Andreia Almeida, da DialReset, e Sérgio Aleluia, pela Tomar TV, com a moderação de Fátima Saraiva, da TagusValley. A sessão terminou com um debate transversal a todos os temas abordados.

A Economia Digital como Eixo do Marketing Territorial em Debate na ESTA.

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Paula Mourato
A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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