Abrantes | Conservas de peixe do rio vencem terceira edição do Food Fab Lab

Leonel Barata pela Bem Amanhado, vencedor do primeiro prémio Food Fab Lab edição 2019 e o presidente da Câmara Municipal de Abrantes. Créditos: DR

A terceira edição do Prémio Food Fab Lab, dinamizado pelo Tagusvalley – Parque Tecnológico do Vale do Tejo -, instalado em Abrantes, atribuiu galardões a quatro produtos alimentares concorrentes. Tal como nas duas primeiras edições, além do primeiro prémio, os galardões foram atribuídos nas categorias de Inovação, Potencial de Mercado e Degustação. Os vencedores foram conhecidos esta sexta-feira na Feira Nacional de Doçaria Tradicional.

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O prémio ‘Food Fab Lab’ foi atribuído à Bem Amanhado, Iguarias de Peixe do Rio, de Castelo Branco. Enquanto a Cavala Fumada, Fumeiro do Mar, da Figueira da Foz, foi distinguida na categoria ‘Inovação’, os snaks Go Beans, de Oeiras, na categoria ‘Potencial de Mercado’, e a Mirtilada da Quinta da Remolha, Sever do Vouga, foi premiada na categoria ‘Degustação’. Este último produto, por ser o único doce premiado, estará à prova dos consumidores no expositor da Tagusvalley durante a Feira Nacional de Doçaria Tradicional a decorrer até este domingo no largo 1º de maio, em Abrantes.

Produto que conquistou o primeiro lugar no prémio Food Fab Lab 2019

O chef Leonel Barata, em representação da Bem Amanhado, esteve em Abrantes na cerimónia de entrega dos prémios e falou com o mediotejo.net. “A marca trata de iguarias de peixe do rio no sentido de valorizar o peixe que na nossa opinião, em Portugal, não está valorizado perante o consumo existente de Norte a Sul do País”, disse.

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Segundo o promotor, a Bem Amanhado “desenvolve receituários com iguarias e conservas de peixe do rio, preparadas e confecionadas com métodos artesanais e técnicas tradicionais da cozinha portuguesa. Através de um processo contínuo, de pesquisa e levantamento de receitas, de caracterização, experimentação culinária, análise sensorial e laboratorial, produz iguarias com peixes do rio, associando formas de confeção que potenciam as suas características, sabores, aromas e texturas, valorizando os produtos endógenos no seu conjunto, conservados em azeite virgem extra, sem conservantes artificiais ou outros”.

“O levantamento de receituário, também de restaurantes que trabalham com peixe do rio. Depois de testes de laboratório quer de avaliação sensorial, microbiana de vida útil para testes de físico-química, chegámos à conclusão que têm um valor nutricional muito interessante sobretudo a carpa, com concentrações de ómega muito relevantes”, nota.

Numa primeira fase a Bem Amanhado “tentou trazer para as conservas as melhores receitas que se fazem no País. Começamos com estas três também na ótica da sustentabilidade do seu todo, ou seja, são três peixes predadores embora façam parte do nosso ecossistema, devem ser retirados na sua medida dos rios porque estão em maioria em relação aos nossos peixes autóctones”, explica o chef Leonel Barata. Ou seja, a ideia passa também “por contribuir para o equilíbrio dulciaquícola das águas portuguesas e dando-lhe uma valorização que têm quer pelo receituário, quer pelo valor nutricional”.

Assente na pesca artesanal e sustentável, a marca trabalha principalmente com espécies exóticas/invasoras, numa ótica contributiva para o equilíbrio da biodiversidade dos ecossistemas dulçaquícolas do País. As conservas apresentadas são de carpa grelhada, achigã assado no forno e escabeche de lúcio perca.

Produtos vencedores do prémio Food Fab Lab 2019

O peixe é comprado a pescadores nacionais, mas apenas em certos períodos do ano. “Não fazemos produção entre junho e outubro. Aliás, ainda estamos em testes de mercado mas em análises de laboratório e de culinária há dois anos. Permite-nos chegar à conclusão que nesses meses o peixe não tem a mesma qualidade, uma questão de qualidade do próprio peixe e de sazonalidade, em termos de textura e de persistência de sabores de lodo, a partir do mês de novembro até maio permite-nos trabalhar com parâmetros de qualidade bastante elevados”.

E os rios são o Guadiana, o Zêzere, o Mondego e o Minho. Os peixes das conservas apresentadas no concurso do Tagusvalley “o achigã veio do rio Zêzere, a carpa do Guadiana, estivemos há pouco tempo em Torre de Moncorvo e trouxemos algum peixe do Douro e do Sabor. Estamos ainda numa fase preliminar quanto aos testes dos rios específicos”, indicou.

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Quanto à colocação dos produtos no mercado, a marca pretende ir além do comercial. “Queremos ter parceiros, inclusive entidades públicas, nomeadamente municípios ribeirinhos onde há consumos muito vincados de peixe do rio e onde há pescadores que vivem da pesca. E é muito extensível: vai de Serpa a Torre de Moncorvo se quisermos balizar a faixa da zona interior, para além daquilo que são os migratórios, em fevereiro e março, o sável, a lampreia, as enguias”, notou.

A ideia passa então por trabalhar em parceria “receitas locais, inclusive chegar mais além, por exemplo no Alandroal estarmos com uma receita e um azeite de lá, queremos ser uma marca territorial!”, afirma Leonel Barata.

Falando da técnica, explicou que a conserva não é esterilizada, “cada peixe tem uma receita, temos um chef a cozinhar cada receita a baixa temperatura, embalados em pasteurização a 85 graus, ou seja as qualidades organolépticas e os valores nutricionais estão presentes, o que lhe dá uma vida mais curta. Neste momento temos 9 meses de validade mas a nossa preferência estende-se aos 6 meses, quando ainda há a perceção dos aromas, das aromáticas, das especiarias, do peixe, do azeite”.

Quanto ao preço, o objetivo passa por “balizar as conservas abaixo dos 10 euros, mas para começar é um produto de nichos de mercado, para estar em lojas muito pontuais. Queremos trabalhar com exclusividade!”, indica. Aponta como data de entrada no mercado fevereiro ou março de 2020.

Há dois anos e meio que o projeto “vai dando passo a passo” e, segundo Leonel Barata, os concursos são de grande ajuda. “Este é o terceiro prémio e garantidamente se não fossem estes prémios não estaríamos ainda nesta fase ou se calhar já teríamos desistido da ideia. São estes prémios que nos têm permitido até aqui fazer este trabalho e que têm mantido a viabilidade económica sempre no red line“, assegura.

Os vencedores da edição 2019 do concurso Food Fab Lab, do Tagusvalley

A terceira Edição do Prémio Food Fab Lab, dinamizado pelo Tagusvalley – Parque Tecnológico do Vale do Tejo, distinguiu este ano quatro produtos alimentares de um total de 11 concorrentes oriundos de todo o País.

Os promotores dos produtos premiados recebem um valor médio de 2800 euros, no caso do Prémio Food Fab Lab, e 1500 euros cada no caso dos restantes prémios, em serviços do Tagusvalley, para acesso à utilização do Food Fab Lab.

Prémio Food Fab Lab

Food Fab Lab é um espaço pré-licenciado de uso partilhado para a produção de produtos alimentares, apoio técnico nas áreas do licenciamento, rotulagem, obrigações legais, processo produtivo, uma análise sensorial de aceitação, uma análise sensorial de preferência e acompanhamento no desenvolvimento do modelo de negócio.

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