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Quinta-feira, Agosto 5, 2021

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Abrantes: Como a Comissão do Centenário decidiu o programa das festas

O dia 1 de janeiro de 2016 marcou o início das comemorações dos 100 anos da elevação de Abrantes a cidade. O mediotejo.net foi falar com a presidente da autarquia, Maria do Céu Albuquerque, e com o coordenador da Comissão do Centenário, o professor catedrático Fernando Catroga, sobre o “programa das festas”.

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A conversa tem lugar no Salão Nobre dos Paços do Concelho de Abrantes, o mesmo local onde o grupo de trabalho responsável pelas comemorações do centenário da cidade de Abrantes sempre se reuniu para tomar as decisões que foram tornadas públicas a 9 de janeiro, com a apresentação do programa de eventos para os próximos meses.

Maria do Céu Albuquerque, presidente da Câmara Municipal de Abrantes, começa por salientar que “este programa foi criado por um conjunto de homens e mulheres, coordenados e presididos pelo professor Fernando Catroga, que aceitaram o desafio que a autarquia lhes lançou de connosco prepararem um programa diversificado que represente aquilo que são as aspirações de toda a comunidade abrantina para a celebração desta efeméride”.

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abrantes_comissão do centenario_Foto CMA
Grupo de Trabalho que compõe a Comissão das Comemorações do Centenário de Abrantes (Foto: CMA)

“Aquilo que quisemos é que este programa fosse participado. É impossível convocar toda a comunidade para este desenvolvimento mas aquilo que fizemos foi convidar um conjunto de homens e mulheres de várias gerações, com percursos pessoais, profissionais e académicos diferentes, para poderem materializar estas vontades neste programa”, refere a autarca.

Fernando Catroga, professor catedrático jubilado da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, natural de Abrantes, nascido e criado em S. Miguel do Rio Torto, frequentou a Escola Industrial e Comercial de Abrantes (atual Escola Secundária Dr. Solano de Abreu), foi o escolhido pela autarquia para ser o capitão da comissão criada para as comemorações do centenário que conta com mais nove elementos.

“Todos os convites que fizemos foram aceites, o que muito nos apraz registar. Depois, a partir daí, foi o mais fácil: foram muitas as ideias e os projetos que estiveram em cima da mesa”, refere Maria do Céu Albuquerque, salientando que a Câmara “acompanhou sempre” mas não quis ser “demasiado interveniente no processo”. Quiseram, isso sim, que “o grupo representante da sociedade civil tivesse ‘a faca e o queijo na mão’ para depois chegarmos a um programa estabilizado”.

“Aquilo que propusemos nem sequer teve uma baliza financeira, foi o próprio grupo que chegou às iniciativas que achava importantes e que nós confirmámos, para poder sustentar estas celebrações”, explica a autarca.

Programa assenta em cinco pilares

O programa das comemorações do centenário está dividido em cinco pilares, esclarece Maria do Céu Albuquerque: as iniciativas específicas que dizem respeito às celebrações do centenário,” algumas que só serão feitas no contexto deste ano e outras que são realizadas pela primeira vez neste contexto, mas as quais queremos depois dar continuidade”. O segundo pilar é composto pelas “iniciativas que fazem já parte da programação regular da Câmara e das nossas organizações e associações, mas que queremos dar este ano um relevo diferente para que depois continuem com a mesma dimensão”.

A par destas, juntam-se as intervenções em espaço público, que são “maioritariamente intervenções de requalificação ou de recolocação”. Só vai haver uma iniciativa nova, o marco do centenário.

Outro aspeto que marca as comemorações é a existência de uma linha editorial, iniciada com a publicação da revista Passos do Concelho 100. “Curiosamente, calhava nesta altura a edição do nº 100 e assinalamos assim também os 100 anos de elevação de Abrantes a Cidade. Tem a capa em branco e retrata muito do nosso passado. Estas folhas em branco são os espaços que temos neste momento disponível para construir o próximo centenário, em linguagem figurativa”, explica a autarca.

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A edição nº 100 da revista Passos do Concelho e o folheto com a programação das comemorações do centenário. Foto: Margarida Serôdio

O último pilar em que assenta o programa comemorativo diz respeito a “uma linha de comunicação e de imagem que será utilizado durante este ano para podermos divulgar e levar a todos o programa comemorativo”.

“No fundo, o grande objetivo destas celebrações é desenvolver este sentimento de pertença a uma comunidade”, salienta Maria do Céu Albuquerque.

Programa é “um produto coletivo”

Mas como é que se chegou a este programa de comemorações? Fernando Catroga, coordenador da Comissão do centenário, começa por salientar que a elaboração deste programa “foi, e está a ser, um produto coletivo”.

“Eu nem sequer ofereci a caneta, muito menos o alfabeto dessa própria escrita porque cada qual, nas suas especificidades próprias (dos vários membros da comissão), os vários percursos de vida, os seus saberes, as suas localizações até no seio da sociedade abrantina, deu contributos decisivos, desde a fase utópica que é sempre aquela que é salutarmente característica dos inícios dos projetos, até ao bom senso e o consenso que depois se foi conquistando”, esclarece Fernando Catroga.

O capitão das comemorações do centenário salienta ainda que todo o processo de decisão se foi desenvolvendo “como uma espécie de interiorização da auto-responsabilidade e da consciência de que vivemos num período de crise que é transversal às famílias e instituições”.

“Toda esta autoconsciência fez com que o debate caminhasse para um consenso de maneira a saber-se que é preferível fazer algo que aparentemente pode revestir a roupa de modesto mas com qualidade, do que – e porque se trata de uma festa, seria mais fácil -, lançar foguetes em relação aos quais poderiam provocar muito barulho mas deixar poucas raízes”, salienta.

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Vista geral de Abrantes, que em 2016 celebra 100 anos de elevação a cidade. Foto: Margarida Serôdio

“O programa é o possível mas é uma possibilidade exigente, fruto também da tomada de consciência de duas coisas”, explica Fernando Catroga: “Por um lado, resulta de uma colaboração muito estreita e articulação com a Câmara Municipal, que tem a sua política cultural e, portanto, as comemorações fazem parte dessa política cultural; por outro lado, devido até à natureza dos elementos que compõem a comissão, eu, enquanto coordenador, fui tomando consciência do ativismo de muitas associações e iniciativas da sociedade civil que mantêm viva a produção de índole cultural e que podem ser articuladas na concretização deste programa”.

Concluído o trabalho de definição de um programa de comemorações que agrade a todos, “foi muito gratificante e está a ser muito gratificante ter-me, no fundo, limitado a coordenar”, refere o professor, salientando que “coordenar não é ordenar, é trabalhar em equipa, é ouvir e depois procurar fazer as sínteses, evocando argumentos que sejam racionais e venham ao encontro da realidade, mesmo quando tivemos que abandonar alguns projetos que talvez fossem mais pomposos, mas que seriam irrealizáveis e só teriam como consequência queimarmos energias e trazer-nos frustrações”.

“Eu julgo que a Comissão está satisfeita com aquilo que propõe e a comunidade vai reconhecer-se neste programa, porque percebe quais foram as bases de onde se partiu, quais são as finalidades que são visadas, sobretudo nos momentos mais fortes que constam desse programa”, afirma Fernando Catroga.

O professor refere ainda que “o desígnio maior” destas comemorações “é homenagear quem deu um novo status, nem que seja simbólico, à nossa cidade, com uma medida governamental republicana em 1916”, e salienta que esta medida de Bernardino Machado “foi simbolicamente muito importante porque mesmo quando, muitas vezes, as vantagens de carácter financeiro, como na altura se debatia, pareciam não ser muito visíveis, os contestatários (porque houve contestação dessa medida) estavam a esquecer-se de uma coisa que hoje convém ser lembrada: o capital simbólico não é uma mera ilusão, é algo em que podemos investir e transferir para outras esferas da realização, quanto mais não seja porque os símbolos criam-nos reconhecimento e auto-estima e quando estão ligados a evocações de momentos que foram qualitativamente superiores em relação à realidade anterior, isso pode funcionar como impulso para hoje enfrentarmos os desafios do presente e do futuro”.

Momentos fortes das comemorações

O “estratega cultural deste conjunto de manifestações”, assim se definiu Fernando Catroga num momento da conversa, elege “a passagem efetiva do centenário” como o momento mais forte das comemorações sem, no entanto, salientar que “o programa é um conjunto federado de iniciativas e, como tem vários campos, cada campo irá ter os seus momentos fortes”.

E o envolvimento da comunidade nestas comemorações terá um papel fundamental: “A comemoração será tanto mais rica quanto mais nós consigamos convocar, mobilizar e criar momentos de comunhão como alicerces do reforço da nossa comunidade politicamente comparticipada e julgo que esse é que é o momento. E todos aqueles que, com maior ou menor grandeza, se aproximarem do cumprimento deste espírito, sejam provas desportivas, debates académicos, iniciativas ao nível do património, estarão a concretizar momentos altos das comemorações”, defende.

Por sua vez, Maria do Céu Albuquerque, também elege o 14 de junho como sendo o momento alto das comemorações do centenário, com as cerimónias oficiais e a realização de mais um concerto Bravo Abrantes. No entanto, a autarca destaca também um conjunto de outras iniciativas “de grande importância”, nomeadamente o ciclo de quatro concertos sinfónicos, a iniciativa itinerante “Música do Nosso Tempo”, que vai passar pelas praças e coretos do concelho, “que são também uma marca do século que estamos a celebrar”.

Maria do Céu Albuquerque destaca ainda a realização de duas conferências: o Festival da Palha, dedicado à filosofia, à literatura e cultura, e a outra sobre Abrantes como um centro estratégico.

Palavra ainda para um conjunto de intervenções físicas como “a recolocação de uma peça que foi construída para assinalar os 75 anos de cidade que muitos não sabem que existe, mas que está junto ao Tribunal, na barreira junto à estrada que vai para o Hospital”, como também “o marco do centenário, que está a ser desenvolvido pelo escultor Charters de Almeida”.

Outras atividades como os “100 anos, 100 rostos”, em que serão assinalados nas ruas da cidade “os rostos de homens e mulheres que marcaram o nosso século”, a iniciativa do Bebé do Centenário e “o que queremos fazer no dia da Cidade, homenageando os homens e mulheres que construíram e que estão a construir a nossa história, fundamental até para o desenvolvimento deste sentimento de identidade e pertença tão importante”, são outros dos destaques da autarca.

Grupo de Trabalho das Comemorações do Centenário, presidido por Fernando Catroga: Isabel Cavalheiro, professora de história; Manuel Gonçalves, professor de educação física; José Martinho Gaspar, historiador e professor de história; Isilda Jana, professora de história; Pedro Costa, arquiteto; Joaquim Candeias da Silva, historiador e professor de história; Nuno Gomes, professor de matemática; Liliana Vasques, coordenadora da Universidade Aberta em Abrantes; e Humberto Felício, artista.

Entrou no mundo do jornalismo há cerca de 13 anos pelo gosto de informar o público sobre o que acontece e dar a conhecer histórias e projetos interessantes. Acredita numa sociedade informada e com valores. Tem 35 anos, já plantou uma árvore e tem três filhos. Só lhe falta escrever um livro.

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